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Duas Faces da Moeda

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 14/08/2012 23h58

O Vasco foi a Minas enfrentar o badalado Atlético Mineiro de Ronaldinho&Cia, em jogo de 6 pontos que podia valer o salto cruzmaltino para a liderança do campeonato. Apresentou-se bem. Apesar de alguns comentaristas esportivos terem a mania de escrever sobre o jogo em função do placar, o Vasco tentou as jogadas, saiu pra criar, mas acabou derrotado. Um gol do acaso, resvalado, que não traduziu exatamente o que poderia ter sido o gol da vitória do time com mais de 80% de aproveitamento na temporada.

Como o jogo era de "seis" pontos, a vitória poderia alçar o Vasco à ponta... e a derrota, à terceira colocação. Infelizmente, prevaleceu essa última possibilidade. A exemplo do ocorrido na 6ª rodada do campeonato, quando o Vasco foi surpreendido por uma retranca "a la Celso Roth" do Cruzeiro e perdeu a liderança do campeonato por 3x1. De lá pra cá, não firmou mais a posição.

Ainda é cedo, muito cedo, para se dizer que contornos terá este campeonato. Mas certamente não é o caso de se pensar que pontos perdidos não farão falta. Sim, o campeonato é de pontos corridos. Logo, quem os perde certamente deles se ressentirá ao final.

Mas, afinal de contas, quem está certo? Os que se consolam com uma "derrota possível" (o Vasco jogou contra o líder, dentro de sua casa, perdeu apenas por 1x0, enfrentou adversário bravamente) ou os que consideraram um desperdício perder a oportunidade de se consolidar como favorito e arrancar a liderança (vencendo justamente o "time difícil" para provar de vez que é candidato ao título)?

Na soma dos fatores, o peso se equilibra. De fato, o Vasco continua firme na briga. Está bem na tabela, tem uma pontuação muito além dos que estão mais atrás dele e, na partida, não se mostrou inferior nem acachapado pelo rival mineiro. Por outro lado, também, não poderá continuar mais um ano (porque já tem isso) se conformando com resultados do tipo "quase-quase", apelando para justificativas "lógicas" (e elas sempre existirão) para se conformar com resultados como esse de domingo passado.

Acredito que o time do Vasco está tendo, neste ano, sua fase definitiva de maturação do projeto de construção de uma equipe forte e competitiva. Lamentavelmente seus dirigentes esvaziaram o projeto trocando "6" por menos que "meia-dúzia", sem repor peças à altura das que foram desfeitas no elenco. Embora os substitutos tenham dado conta do recado, nota-se, sobretudo em jogos como o de ontem, que falta o talento individual dos "vendidos". Embora o treinador tenha se esmerado em sustentar sua armação tática. Ainda assim, o Vasco tem mostrado competitividade e talento para se destacar entre os quatro favoritos para essa conquista.

O jogo teve um lance capital. Que, curiosamente, ninguém quis comentar hoje. Carlos Alberto, na única jogada importante que fez enquanto esteve em campo, caiu pela esquerda, cortou um defensor dentro da área, limpou e desferiu um chute potente. Um jogador atleticano, sem nenhuma necessidade de fazê-lo, estava "com o braço aberto" (?), e seu antebraço acabou interceptando o lance. A bola foi praticamente "defendida". Mas o juiz não viu pênalti, provavelmente amparado por sua liberdade de decidir sobre a "intenção" do sujeito no ato cometido.

Se aquela bola não é interceptada, o Vasco podia sair na frente. Se o juiz dá pênalti, idem.

Enfim, o Vasco tem ainda quatro meses para decidir se vai se garantir nos brios de sua vitoriosa camisa, arrancando as vitórias que precisa - as de 3 e as de "6" pontos - na marra, ou se vai ficar "conformado" com as circunstâncias, abrindo mão de ser audacioso para chegar onde precisa.

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