'O meu caso é um alerta aos compositores', ressalta Neguinho
Patrícia Raposo | Carnaval | 14/08/2012 18h43
Um dos maiores intérpretes da história do Carnaval carioca, Neguinho da Beija-Flor, precisou recorrer à justiça para defender o direito de ser, de fato, o "proprietário" de suas obras.
Em conversa com o SRZD-Carnaval, Neguinho relatou o problema que vem enfrentando contra a Top Tape Edições Musicais, que há cerca de 30 anos é "dona" de algumas de suas grandes composições como, "Domingo, eu vou ao Maracanã", "A Deusa da Passarela" e "Sonhar com rei dá leão".
"Isso ocorre quando algumas gravadoras - algumas, não todas - agem de má fé. Tudo aconteceu por volta de 1970, quando eu era o Neguinho da Vala, pouco conhecido, sem nenhuma informação à respeito de questões autorais", destacou.
"Eu assinei contrato sem o auxílio de nenhum advogado, um papel que praticamente deu minhas músicas para a Top Tape. Na época, acreditava que o acordo apenas passava uma determinada porcentagem de direito à gravadora. Agora, tenho cerca de 23 sucessos nas mãos deles, que não me dão nenhum retorno relacionado às músicas", completou.

Segundo Simone Delmonte, advogada de Neguinho, antigamente, as leis priorizavam os interesses dos empresários.
"A legislação passada era muito protecionista com relação aos interesses das gravadoras, esquecendo sempre do artista. Queremos o simples, dar ao autor, a sua obra", explicou.
"Desta forma, quando o artista achava que estava apenas cedendo uma exclusividade com um determinado percentual às editoras musicais, estava na verdade, assinando a cessão de direito", completou.
Neguinho da Beija-Flor já obteve uma liminar que impede a gravadora de negociar qualquer um dos seus 23 sucessos, que ainda fazem parte do acervo da Top Tape.
"O objeto desta ação é reinvindicar este contrato, porque deve haver um limite para que a gravadora se utilize das músicas dos compositores. Enquanto este contrato estiver sendo discutido em juízo, a Top Tape não poderá receber nada relacionado às obras do Neguinho", ressaltou Simone.
"O meu caso é um alerta a todos os compositores. Quantos Neguinhos da Vala existem por aí, hoje em dia, que ainda passarão por isso? Quantos grandes compositores da nossa música não recebem seus direitos corretamente?", questionou o sambista.
"Graças a Deus encontrei um juiz que entendeu a minha situação e está lutando por justiça", finalizou Neguinho da Beija-Flor.
O SRZD-Carnaval tentou localizar a equipe da Top Tape Edições Musicais, porém, não obteve sucesso.
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Admilson Rodrigues Gomes
Membro SRZD desde 07/04/2009
20/08/2012 16:30:21
Tenho um amigo que tambem enviou uma sinopse de uma novela, a TV globo aproveitou e tempo depois a novela foi lançada mas meu amigo nunca recebeu um centavo. Ficou muito mal em ver a historia sendo contada como se fosse de um determnado autor, sabendo que na verdade a historia era dele.
Admilson Rodrigues Gomes
Membro SRZD desde 07/04/2009
20/08/2012 16:26:39
Entendo muito bem como é isso. Sou poeta, jornalista e escritor. Quando Chico Anisio lançou a escolinha do professor raimundo um dia enviei para ele o modelo de um personagem. Não obtive nenhuma resposta de minha carta, mas pouco tempo depois apareceu um personagem identico. Nunca recebi uma carta de agradecimento. Não posso dizer que foi propriamente o chico pq existe uma produção por tras de um programa de televisão. Mas que a ideia do personagem foi minha, foi sim. Infelismente existe muita gente de ma fé. A carta enviada foi registrada, na época não existia e-mail, guardei o comprovante por muto tempo, mas o papel do correia se apaca com o passar dos anos.
Almir da Silva Lima
Membro SRZD desde 11/10/2011
16/08/2012 12:46:09
Ted, pode tratar-me de você mesmo. Para não sair de nosso amado maior espetáculo da Terra, recorro à parte da letra do sambão-enredo 1988 da gloriosa Estação Primeira de Mangueira, cantado pelo presidente de honra eterno da respeitabilíssima Verde-Rosa, Jamelão: " O negro samba/Negro joga capoeira oi/Ele é o rei na verde-rosa da Mangueira (Refrão) Será que já raiou a liberdade?/Ou foi tudo ilusão?/Será que a Lei Áurea tão sonhada/A tanto tempo ansiada não foi o fim da escravidão?/Hoje dentro da realidade/Onde está a liberdade?/Onde está que ninguém viu?/Moço não se esqueça que o negro também construiu/A riqueza do nosso Brasil (...) Livre do açoite na senzala/(Mas) Preso na miséria da favela". Saudações carnavalescas, Almir portelense de Macaé.
Ted
Membro SRZD desde 12/04/2012
16/08/2012 12:25:38
Pois é, Sr. Almir, o desrespeito aos trabalhadores persiste até hoje no Brasil , o caso do Neguinho da Beija-flor aconteceu na decada de 70, mas casos parecidos acontecem até hoje. Além do desrespeito aos trabalhadores, tem também o racismo, que aparece de maneira mais "discreta", mas que infelizmente ainda existe na nossa sociedade.
Almir da Silva Lima
Membro SRZD desde 11/10/2011
15/08/2012 16:29:05
Prezado Ted, preliminarmente aquele abraço próprio de amante do maior espetáculo da Terra. Concordo com você. Afinal, assim ensinou o maior herói negro mundial, o sindicalista e líder antirracista & socialista, o sul-africano Stephen-Steve Bantu Biko (1946-1977) em sua célebre frase: "Racismo e capitalismo são os dois lados de uma única e mesma moeda"! Saudações carnavalescas, Almir portelense de Macaé.
Ted
Membro SRZD desde 12/04/2012
15/08/2012 12:39:05
"Tudo aconteceu por volta de 1970, quando eu era o Neguinho da Vala, pouco conhecido, sem nenhuma informação à respeito de questões autorais"... O Neguinho só esqueceu de dizer o óbvio, que ele era NEGRO. Claro, a gravadora viu um rapaz simples, negro, e quis tirar vantagem, como sempre aconteceu neste país, das pessoas querendo tirar vantagem em cima dos negros, num clássico exemplo de racismo.
Almir da Silva Lima
Membro SRZD desde 11/10/2011
15/08/2012 10:26:37
A preliminar é que me solidarizo com o bom compositor-cantor de Música Popular Brasileira (MPB) e ótimo intérprete-puxador de sambas carnavalescos Luiz Antônio Feliciano Marcondes o alegre Neguinho da Beija Flor (ou ainda conforme ele mesmo diz o antigo Neguinho da Vala). Tudo isso, enquanto amante da MPB & do maior espetáculo da Terra, que por acaso é jornalista-trabalhador. Em 1º lugar, esse imbróglio judicial é a chamada causa nobre da luta entre trabalhador e patrão, sendo esta no caso uma voraz gravadora multinacional. Auguro que Neguinho da Beija Flor ganhe - no que fôr jurídicamente possível - o integral desta causa. Em 2º lugar, no entanto, a julgar a fala da advogada dele, a causídica mostra não ter consciência de classe, quando diz: "A legislação passada era (sic) muito protecionista com relação aos interesses da gravadora, esquecendo sempre do artista". Mudou muito pouca coisa. Afinal, se trata de um sociedade dividida em classes sociais. Em outras palavras, na sociedade capitalista os interesses hegemônicos são dos patrões. Isto não significa que o Neguinho da Beija Flor vá deixar de ganhar a causa, até porque liminarmente ele está ganhando. Por fim, reafirmo, auguro que ele ganhe esta causa até o final, ou seja na última instância jurídica. Saudações carnavalescas, Almir portelense de Macaé.







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