Pratos e petiscos com o jeito do Rio

Chico Junior | Chico Junior | 10/08/2012 13h06



Para mim, o conceito de restaurante bom é simples: é aquele ao qual eu quero voltar. Da mesma forma, prato ou petisco bom é aquele que eu quero comer de novo, quase sempre associado a um bar ou restaurante. No Rio, há uma infinidade de pratos e petiscos que eu considero "com a cara do Rio". Como é uma lista interminável, destaco aqui alguns dos meus preferidos, que têm um jeito carioca de ser, pela criatividade, pelo sabor, pelo local onde são servidos.

Um desses pratos é o joelho de porco assado do Enchendo Linguiça (foto acima), que eu comi pela primeira vez há uns dois anos, quando fui, levado pelo meu amigo Guilherme Studart, autor do Guia Rio Botequim, ao Enchendo Linguiça do Grajaú. O tal joelho de porco, com tempero e sabor pra lá de especiais, é assado lentamente nesses grandes fornos onde se assam frangos, também conhecidos como televisão de cachorro. E agora está à disposição também na Lapa, aonde o Enchendo Linguiça chegou recentemente. Quem ainda não provou, não perca a oportunidade.

Ainda na Lapa, outro ícone carioca é o cabrito assado com arroz de brócolis do Nova Capela, na Mem de Sá, falado e aprovado pelos frequentadores, assíduos ou não, do tradicional restaurante do Rio de Janeiro.

E por falar em tradicional, há um outro símbolo gastronômico carioca no Cosmopolita, instalado na Travessa do Mosqueira desde 1926, também na Lapa. Estou falando do o filé à Oswaldo Aranha, nascido ali mesmo no restaurante, criação do então senador Oswaldo Aranha, que juntou um filé alto mal passado, com alho frito por cima, acompanhado por arroz e batatas portuguesas. Misturava tudo, com exceção do filé, e se deliciava. Nós também. Mas recomendo ainda os filés à Oswaldo Aranha do Lamas, no Catete, e o do Filé de Ouro (foto acima), no Jardim Botânico, para mim o melhor dos três.

O Centro da cidade ainda nos revela o sabor da sensacional costela de boi cozida com feijão-manteiga do Escondidinho, no Beco dos Barbeiros, Praça XV. O prato mais pedido da casa é simplesmente uma delícia e bem servido, dá para três pessoas.

Sardinha, recomendo duas: a cozida com molho escabeche do espanhol Shirley, no Leme, e a sardinha assada do Cantinho das Concertinas (foto acima), no cinquentenário Cadeg, em Benfica, belo programa de final de semana, para fazer compras e/ou comer os petiscos e pratos de seus vários bares e restaurante. O Cadeg (Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara), diga-se de passagem, recebeu recentemente da prefeitura o status de mercado municipal.

Daí vamos para a Zona Sul experimentar, na minha opinião, três dos melhores sanduíches de pernil do Rio e o famoso e badalado sanduíche de filé mignon com abacaxi do Cervantes, em Copacabana. Sobre os de pernil, elejo o do Cervantes, o do Jobi e o do Bracarense (foto ao lado), estes dois no Leblon. Do Bracarense destaco ainda a deliciosa carne seca desfiada com cebola, molhadinha, no ponto. E do Jobi a sua empadinha de camarão.

 

E por falar em empada, não deixem de provar a de camarão servida como entrada nas refeições do Mosteiro, na Praça Mauá.

Ainda do Mosteiro, seu sensacional bolinho de bacalhau, praticamente empatado com o bolinho do Cantinho das Concertinas, que vende às centenas nos fins de semana, e o do Jobi.

Do feijão

E agora a feijoada, emblema do Rio e Janeiro, prato carioca por excelência. Aos sábados e domingos são muitos os bares e restaurantes da cidade que servem fartas e gostosas feijoadas. Ultimamente tenho preferido, e comido, a da Academia da Cachaça, saborosa, não muito gordurosa e que serve muito bem duas pessoas, quem sabe três.

Falando em feijão, não deixem de provar o criativo e saboroso bolinho de feijoada criado pelo Aconchego Carioca (foto acima), na Praça da Bandeira, e já copiado por muitos bares da cidade. Tem até couve no recheio.

Bom apetite!

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