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‘Cidadão Kane’ ou ‘Um Corpo que Cai’?

Ana Carolina Garcia | Ana Carolina Garcia | 04/08/2012 20h22

Há alguns dias a revista Sight & Sound divulgou o resultado de uma pesquisa realizada com 846 acadêmicos, críticos e escritores sobre os melhores filmes da história da cinematografia mundial. A revista realiza essa pesquisa a cada 10 anos, desde 1952. E durante 50 anos, "Cidadão Kane" (Citizen Kane - 1941) ocupou a primeira posição do ranking.

Foto: Divulgação

Considerado por muitos como o maior e melhor filme de todos os tempos, esse clássico dirigido por Orson Welles perdeu o primeiro lugar na lista da Sight & Sound para outro clássico, "Um Corpo que Cai" (Vertigo - 1958), dirigido pelo mestre do suspense, Alfred Hitchcock.

Ambas as produções são extremamente aclamadas por cinéfilos de todo o mundo, mas esse resultado surpreendeu. No entanto, desde 1982 "Um Corpo que Cai" figura no Top 10 da revista e em 2002 já ocupava o segundo lugar.

Estrelado por James Stewart e Kim Novac, "Um Corpo que Cai" conta a história do detetive aposentado John 'Scottie' Ferguson (Stewart), que atende ao pedido de um velho conhecido para seguir sua esposa Madeleine Elster / Judy Barton (Novak), com aparente tendência suicida. O problema é que Madeleine tem verdadeira obsessão por lugares muito altos e o detetive sofre de acrofobia (medo de altura), sendo obrigado a enfrentar seus medos. Com o tempo, Scottie acaba se apaixonando pela esposa do amigo e descobrindo alguns mistérios.

Foto: Divulgação

Para este filme, Hitchcock criou uma sequência de zooms e afastamento de câmera para conceder ao espectador a mesma sensação de vertigem do personagem de Stewart. Essa sequência durou poucos segundos e custou cerca de US$ 19 mil.

Considerado uma das obras-primas de Hitchcock e um dos 100 melhores filmes de todos os tempos em 2007 pelo conceituado American Film Institute, ocupando a nona posição, "Um Corpo que Cai" não foi bem recebido pela crítica especializada em sua estreia. Recebeu duas indicações ao Oscar nas categorias de melhor som e direção de arte.

Ainda em primeiro lugar na lista elaborada pelo American Film Institute, "Cidadão Kane" marcou a estreia de Orson Welles em longas-metragens e mostra a trajetória de Charles Foster Kane (Welles), da infância pobre até se tornar magnata, dono de um império dos meios de comunicação, através da busca de um jovem repórter obcecado pela história do jornalista e em descobrir o significado de sua última palavra, "rosebud". A produção venceu o Oscar de melhor roteiro para Welles e Herman J. Mankiewicz, recebendo também indicações nas categorias de melhor filme, direção para Welles, ator para Welles, música - filme drama, direção de arte (preto e branco), fotografia (preto e branco), som e edição.

Orson Welles sempre gostou de polêmicas e com seu maior filme não podia ter sido diferente. Ele se baseou na história de William Randolph Hearst para criar Charles Foster Kane, o que lhe rendeu um processo. Mas a produção se tornou um grande marco porque seu idealizador apostou e inovou na técnica, contando com a bela fotografia em preto e branco de Gregg Toland, abusando das sombras, num excelente jogo de claro-escuro - lembrando que Toland venceu o Oscar por seu trabalho em "O Morro dos Ventos Uivantes" (Wuthering Heights - 1939), de William Wyler. Um verdadeiro deleite para o espectador. Outro destaque é sua edição (montagem), que inovou por não ser linear e desarticular a cronologia dos fatos.

A Sight & Sound também divulgou um top 10 elaborado por 358 diretores, entre eles, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Woody Allen, no qual "Cidadão Kane" e "Um Corpo que Cai" ocupam a terceira e a oitava posições, respectivamente. Para os diretores, o melhor filme de todos os tempos é o japonês "Era uma Vez em Tóquio" (Tôkyô monogatari - 1953), de Yasujirô Ozu.

Na sua opinião, qual o melhor filme de todos os tempos?

Assista a vídeos (sem legendas) desses dois clássicos:

- "Cidadão Kane":

- "Um Corpo que Cai":