Um lençol branco de 30 metros de comprimento foi estendido pela organização não governamental (ONG) Rio de Paz em ato público realizado em frente à Avenida Princesa Isabel, em Copacabana, Zona Sul do Rio, na manhã desta sexta-feira. O tecido foi manchado de tinta vermelha e estava sob brinquedos doados por meninos e meninas de favelas e bairros de classe média.
A ONG pretende protestar contra a morte de pessoas inocentes, especialmente crianças, em operações policiais nas comunidades cariocas. Neste protesto, também será colocado um cartaz de 2m de altura e 7m de largura com o nome de sete crianças vítimas da guerra entre policiais e bandidos.
Recentemente um caso chocou os moradores da comunidade Costa e Barros. Bruna, de apenas 10 anos, morreu após ser atingida no abdômen por um tiro de fuzil durante um confronto entre traficantes e policiais.
O presidente da Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, afirmou que a ONG não quer que a morte da menina saia da imprensa e caia no esquecimento.
"É preciso lembrar que está se iniciando um período em que as noticias envolvendo o julgamento do caso que ficou conhecido como mensalão predominarão nos noticiários de todo o país. Mas não menos importante é também chamar a atenção para esses crimes que tiram a vida de crianças e adolescentes em toda a cidade e em particular nas comunidades carentes".
A ONG faz questão que o governo do Rio se pronuncie sobre mais esse caso envolvendo a morte de criança durante operação policial. "Mesmo que seja provado que o tiro partiu de um traficante, a tragédia aconteceu em uma ação do Estado, em uma sexta-feira, à luz do dia, em pleno período de férias escolares e com as ruas e vielas repletas de crianças", disse Costa.
Antônio Carlos reforçou que não está acusando a polícia pela morte de Bruna, mas quer ações do Poder Público para evitar crimes semelhantes. "Não estamos acusando a polícia de ter matado a Bruna, muito menos intencionalmente. Não estamos também querendo atar o braço da polícia, impedindo-a de prender bandidos que infernizam a vida da população. Não deixamos de reconhecer que há policiais em cadeira de roda e muitos que até mesmo tombaram ao tentar defender a sociedade da ação de criminosos. Mas também não podemos ignorar que a menina morreu durante uma ação do Estado", disse.
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