Uma droga, que é usada no tratamento contra o câncer, conseguiu ajudar pacientes infectados pelo vírus HIV a combater o problema que mais desafia os cientistas na busca de uma cura para a Aids, que é a capacidade do vírus de ficar estagnado e se esconder. O resultado do teste feito com o medicamento Vorinostat foi apresentado nesta quinta-feira por pesquisadores da Universidade de Carolina do Norte, durante a Conferência Internacional da Aids, em Washington.
Oito pacientes parcialmente curados pela terapia antirretroviral, já usada contra o vírus da Aids, tomaram uma dose da droga e descobriram que, na verdade, ainda tinham o HIV em estado latente em algumas células. Esse estado inerte do vírus já era conhecido dos cientistas. É justamente essa habilidade do HIV que impede os medicamentos disponíveis de eliminarem totalmente a infecção.
Quando o vírus se aloja dentro de uma célula do sistema imune e deixa de usar seu material genético para fazer proteínas, os remédios antirretrovirais não conseguem atingi-lo. Porém, tirar o paciente da terapia é perigoso, pois o vírus latente sempre pode ser reativado. Por isso os soropositivos precisam sempre fazer exames para medir a carga de vírus em seu sangue, mesmo que tenham se livrado da maior parte da infecção.
O Vorinostat forçou os vírus escondidos a começarem a produzir cópias de trechos de seu material genético, que é formado por RNA, e não por DNA. Isso parece ter alertado células de defesa do organismo, que teriam destruído as células infectadas. Segundo David Margolis, médico que liderou o estudo, isso pode ser o primeiro passo para atingir uma cura real. O efeito verificado com o primeiro teste do Vorinostat, porém, foi muito sutil, porque os cientistas usaram apenas doses pequenas da droga, de 200 mg e 400 mg. "Agora precisamos investigar isso em um estudo com doses múltiplas ou, no futuro, com drogas melhores que façam a mesma coisa", finalizou Margolis.
Leia também:
- Número de óbitos provocados pela Aids diminui 24% em sete anos