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Eliminatórias: a saga dos compositores nas disputas de samba - parte 2

Alemão do Cavaco | Alemão do Cavaco | 25/07/2012 01h23

Foto: Raul Machado - SRZDConforme o prometido em nosso encontro anterior, segue a segunda parte de nosso tema: Disputa de samba-enredo.

Além de tudo aquilo que já comentamos anteriormente, agora temos a continuidade de um processo, desgastante, tenso, muitas vezes desesperador, mas inegavelmente, muito emocionante e por vezes gratificante.

As eliminatórias de samba começaram. Para os apaixonados por Carnaval e por obras musicais, é um momento delicioso, onde poderão comparar obras em suas letras, melodia e emocionantes "sacadas" musicais.

Trata-se também de um momento que poderá definir a situação de sua escola no Carnaval. Com a escolha certa de um samba tudo pode ficar mais fácil. Um excelente samba está diretamente ligado à no mínimo cinco quesitos: samba-enredo, enredo, harmonia, evolução e bateria. Sem um bom samba nenhum desses segmentos poderá ter sucesso total. É como se fosse uma engrenagem de um automóvel, sem um "dente" ela não irá rodar de maneira harmônica e adequada. Podemos comparar também, como um carro zero, mas sem a chave da ignição ou sem os bancos, ele até pode funcionar, mas não da maneira esperada.

Voltando ao espetáculo das eliminatórias de samba, depois de passar por todas aquelas fases citadas na coluna anterior como a pré-disputa de formação da parceria, times de defesa, gravações, e outros detalhes, entra-se no processo de disputa.

Para muitos compositores é uma verdadeira saga. Toda semana um ritual repleto de ações e preocupações com torcida, fogos, intérpretes, ingressos, ônibus e diversos detalhes para os minutos de apresentação. Estamos falando de um grande show ou de uma preparação para uma festa de empresa? É quase ou mais que isso. Fazer um samba e concorrer em uma eliminatória nos dias atuais é um desafio imenso.

Foto: Raul Machado - SRZD

Vários são os métodos utilizados pelas escolas para escolher o samba vencedor. Existem os mais tradicionais, como citamos anteriormente e alguns formatos mais inovadores. Por um lado, as mudanças e transformações são positivas. Por exemplo, em algumas agremiações, a escolha do samba é feita por uma diretoria que se reune e escuta o áudio sem a promoção de um evento aberto ao público e apresentação com a bateria. É mais rápido, prático e menos oneroso aos compositores. Por outro lado, a escola diminui sua receita de arrecadação de quadra e de certa forma exclui parte da comunidade do contato direto com o samba. Sem o "embate" ao vivo com bateria e canto, fica um pouco mais difícil de perceber a funcionalidade das obras.

Na esmagadora maioria das escolas ainda contamos com o tradicional sistema, que apesar de ter algumas injustiças e ser muito desgastante, ainda é funcional e sem dúvida gera mais emoções.

Outra coisa interessante, mas que não é nada bacana, são os reflexos desta competição. Na fase das eliminatórias, alguns sentimentos e atitudes nada positivas se afloram. Pelo fato de fazer um samba e estar na disputa, componentes perdem amizades, entram em discussões que envolvem a vida pessoal de outras pessoas e muitas vezes trocam ameaças via internet, o que é lamentável, pois estamos falando apenas de uma disputa de samba, onde o objetivo real é extrair a melhor trilha sonora para ilustrar o desfile de uma determinada escola.

Todo este universo de disputas internas com todas as suas nuances fazem parte da construção do Carnaval e muitas pessoas não imaginam que exista esta competição para se definir a música que embalará os desfiles.

O que nos resta, é desejar muita luz e inspiração aos amigos compositores e muito discernimento aos amigos diretores de Carnaval e presidentes das queridas escolas paulistanas.

Salve o nosso Carnaval!