Desde o primeiro filme da franquia Batman, a Warner aposta em grandes nomes para assinar sua direção. Profissionais renomados e que têm muito a acrescentar à história do personagem da DC Comics.
Tim Burton é um dos poucos profissionais em Hollywood capaz de deixar sua marca em seus trabalhos. É muito fácil identificar um filme do diretor através da estética, humor negro, sarcasmo e maquiagem impressionante. Todos esses elementos podem ser encontrado nos dois longas do Homem-Morcego que dirigiu, "Batman" (Idem - 1989) e "Batman - O Retorno" (Batman Returns - 1992), ambos protagonizados por Michael Keaton.
O universo criado pelo cineasta para Batman foi um dos mais sombrios. Gotham era uma cidade de atmosfera pesada, gótica, perfeita para o tormento de Bruce Wayne / Batman e a loucura de seus inimigos.
Os problemas entre Burton e a Warner começaram quando o clima sombrio e obscuro pareceu desagradar ao estúdio, que, naquele momento, queria algo mais colorido, modificando totalmente o universo criado pelo diretor nos dois primeiros filmes. E foi nessa busca por um novo visual que a franquia começou a desandar.
Burton assumiu a produção de "Batman Eternamente" (Batman Forever - 1995), mas não o dirigiu, sendo substituído por Joel Schumacher, que criou algo totalmente colorido e diferente dos filmes anteriores. A nova cara da franquia não agradou tanto assim, exceto por seus vilões que roubaram a cena do protagonista, interpretado por Val Kilmer.
Na tentativa de fazer um filme melhor e cedendo às pressões da Warner para que o próximo longa da franquia fosse para toda a família, Schumacher cometeu um dos piores erros de sua carreira e rodou "Batman & Robin" (Idem - 1997), substituindo, novamente, seu protagonista. Dessa vez, por George Clooney.
O problema não era o ator, mas a falta de firmeza do diretor que ceder às pressões e fez um filme cujo maior objetivo era dar lucro sem se importar com a história do personagem e seus fãs. "Batman & Robin" foi produzido, sobretudo, para vender brinquedos e todo o tipo de souvenier. Tanto que o diretor chegou a afirmar na edição especial do DVD do filme, ter sido pressionado para dar um ar mais família, com censura livre, também por um fabricante de brinquedos.
"Se alguém que tenha amado ‘Batman Eternamente’ foi assistir ‘Batman & Robin’ com grande expectativa, se eu o decepcionei, realmente quero me desculpar, porque não era a minha intenção. Minha intenção era entretê-los", disse Schumacher, que assumiu toda a culpa do fracasso da franquia, livrando os roteiristas de toda e qualquer acusação pelo roteiro fraco, pois foi ele quem dirigiu o longa, sendo, portanto, o grande responsável por seu desempenho e qualidade.
O fiasco de público e crítica foi seguido por um hiato de oito anos até que outro diretor assumisse a franquia Batman. Coube a Christopher Nolan a difícil tarefa de fazer com que o Homem-Morcego ressurgisse das cinzas.
O reboot deu certo e "Batman Begins" (Idem - 2005) foi o primeiro longa da bem sucedida trilogia dirigida, produzida e roteirizada por Nolan, recebendo elogios de Burton e Keaton, que consideraram o filme ótimo.
O diretor gosta de produções grandiosas e acabou transformando a franquia em algo grandioso, quase épico, que concede ao espectador uma experiência cinematográfica incrível. E essa foi a melhor coisa que poderia ter acontecido ao Batman. Pode-se dizer que Christopher Nolan é o homem que tirou Batman da decadência e lhe deu de volta a credibilidade perdida com os filmes de Schumacher.
Se os filmes de Tim Burton eram dark e os de Joel Schumacher coloridos e cheios de ação, a trilogia de Nolan é tensa e tem narrativa mais complexa. Uma das características do cineasta é enfatizar a arquitetura e as locações de seus filmes, além disso, seus vilões tendem a ameaçar pessoas próximas do herói da trama.
Vale lembrar que Christopher Nolan está produzindo e roteirizando "Superman - O Homem de Aço" (Man of Steel - 2013), dirigido por Zack Snyder e previsto para estrear no Brasil em junho de 2013.
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