O mais folclórico dos cafonas
Redação SRZD | Música | 04/09/2008 11:02
Morreu na madrugada desta quinta-feira (4), no Rio, o cantor Waldick Soriano, aos 75 anos. Desde domingo ele estava internado no Instituto Nacional do Câncer (Inca), em estado grave. Um dos reis do repertório popular, tornou clássicas músicas como "Eu não sou cachorro não" e "A voz do povo é a voz de Deus".
Saindo de Caitité, no sertão baiano, Waldick Soriano encarou uma dura trajetória de vida até o estrelato. Foi lavrador, garimpeiro e engraxate, e só estudou até o quarto ano primário. Ainda nos anos 1950, porém, conseguiu fazer sucesso com a música "Quem és tu?". Depois que seu talento musical foi descoberto, em São Paulo, gravou seu primeiro disco e iniciou sua transformação em ídolo popular.
Nos anos de 1960 e 1970, suas músicas românticas - ou bregas e cafonas, para muitos - sempre estiveram nas paradas de sucesso e na boca do povo, ainda que certa elite intelectual nunca o tenha tratado com a dignidade que merecia. Somente recentemente Waldick passou a ser mais valorizado e visto como o fenômeno que foi.
Em 2002, foi lançado o livro "Eu Não Sou Cachorro, Não - Música Popular Cafona e Ditadura Militar", do historiador e jornalista Paulo César de Araújo. Análise da posição ocupada pela música cafona na década de 1970, a obra, que homenageia Waldick no título, já está em sua 5ª edição.
Presta ainda mais reverência ao cantor o documentário "Waldick - Sempre no Meu Coração", realizado pela atriz Patrícia Pillar e ainda inédito no circuito comercial brasileiro. O filme, de 52 minutos de duração, estreou no Festival É Tudo Verdade, no Rio, e passou por vários festivais do país. Este é o segundo projeto da atriz sobre Waldick. Em 2006, Patrícia dirigiu um DVD gravado ao vivo em Fortaleza.
Autor de mais de 700 canções, Waldick assina uma obra que se confunde com a própria vida. Em sua história pessoal não faltam decepções amorosas, distanciamento do filho e solidão. No filme de Patrícia Pillar, declara: "Toda minha música é algo de mim. Se não tenho motivo, não faço música". Os críticos também apontam a cena em que o Waldick encontra seu filho Walmick em um bar, em São Paulo, como um dos grandes momentos do filme.
Waldick tinha câncer de próstata desde 2006 e o no início deste mês seu estado de saúde foi agravado, depois que o câncer atingiu outras partes do corpo. O cantor será sepultado no cemitério do Caju.
Postado por:Nelma Espíndola | 04/09/2008 21:33:54
Zappa, concordo contigo. Não é só o erudito que deve ser apreciado. A cultura popular é vasta, rica e nós ensina tanta coisa... nos identificamos em tantas canções. Com certeza o Waldick deixou sua marca na história da canção popular brasileira. As fases de nossas vidas nos mostram essa verdade.

Postado por:Zappa | 04/09/2008 16:56:33
A música "Você Abusou" da dupla Antonio Carlos e Jocafi, sucesso nos anos 70 é uma resposta mais que concreta para aqueles, que rotulam artistas populares como Waldick, Almir Rogério, Amado Batista e outros como cafonas, bregas... A letra sabiamente diz: " É tão normal ter desamor é tão cafona é sofredor, que eu já nem sei se é meninice ou cafonice o meu amor. Se o quadradismo dos meus versos, vai de encontro aos intelectos, que não usam o coração como expressão..." Waldick era apenas mais um poeta do povão








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