Vitória e Senso Crítico

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 22/07/2012 05h53

A julgar pelo que vimos em São Januário, na boa vitória sobre o esquálido Santos de Muricy por 2x0, estávamos todos muito enganados. O Vasco näo vai sentir as saídas de Fagner e Diego Souza, tão criticadas a semana toda. Auremir estreou muito bem e Carlos Alberto esteve bem aceso durante o jogo. Outros jogadores novos como Wendel e William Mateus nada deixaram, também, a desejar.

Será que é apenas isso? Claro que não. Ainda bem que o time continua jogando bem, fazendo pontos, tendo belas atuações de Juninho e mantendo sua competitividade na ponta dos cascos. Ainda bem que os novos contratados têm mostrado futebol e personalidade à altura. Ainda bem que nada está perdido. Mas, fundamentalmente, ainda bem, também, que não somos uma torcida que se impressiona só com resultados.

Que bom que a torcida cruzmaltina recuperou seu sentido crítico e libertou-se, por causa das saídas de Diego e Fagner, do corporativismo de blindagem que parecia cegá-la de sua liberdade de expressão.

Já sabemos que esse time do Vasco tem envergadura. E essa bendita envergadura, minha gente, tá lá dentro do gramado, sintetizada na figura combativa, gladiadora, determinada e aguerrida de Juninho. O mais velho jogador do elenco treina, corre, se prepara, se entrega, participa. É a referência máxima de liderança e talento: é ele o fio condutor desse filme. Tanto transpira que inspira: todo mundo, no Vasco, quer ser Juninho que nem ele! Mesmo sem outras estrelas ou tendo treinador improvisado, essa liderança mágica de Juninho fará a diferença.

Mas a torcida - esse gigante que move o Vasco - tem mesmo que mostrar sua força e marcar território, como fazem os machos da espécie. Tem que exigir bons jogadores, pleitear reposição de elenco, requerer respeito às divisões de base, conclamar lisura administrativa, rejeitar laços políticos escusos em transações do clube.

Venceu e venceu bem o Vasco ao Santos. Mas a torcida não pode esmorecer. Assim como eu, satisfeito com a armação e com a atuação do time, não deixei de achar estranhas as mexidas de Cristovão no segundo tempo. Se ele fosse um retranqueiro, eu entenderia que optasse por terminar um jogo em casa, vencendo por 2x0, com quatro volantes na meia. Sabendo que retranqueiro o Cristóvão não é, preocupei-me ainda mais: será que ele, de fato, acredita em Felipe Bastos ( que substituiu CA19 muito cedo, sem precisar) e (putz!) Diego Rosa como criadores? Armadores? Se ele acha isso, então teremos um diagnóstico sério de má percepção crônica!

Pois é. Que seja sempre assim. Vencendo, bem na tabela, mas sem perder o juízo crítico. Comemorando, batendo palma, mas questionando e refletindo sobre o que se vê.

Talvez Diego Souza e Fagner nem façam falta. É verdade. Sem eles, o Vasco também vence. Mas senso crítico...este, sim, faz sempre muita falta! E sem ele, o Vasco perde. Muito!

Então dois vivas ao Vasco! Pela vitória, comandada de novo pelo rei Juninho, e pela volta do senso crítico de sua inflamada torcida!

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Comentários (7)

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Hélio Ricardo Rainho

23/07/2012 17:09:17

Só pra complementar o meu raciocínio e o que disse o Ricardo Candeias: tudo bem, entramos desfalcados e com dificuldades. Mas quem disse que, por causa disso, não poderíamos tem goleado? Quer dizer que seu eu for com pouco dinheiro à quitanda e, mesmo assim, eu encontrar tudo em promoção, eu vou deixar de aproveitar a oferta porque fui com pouco dinheiro? Então sou duplamente problemático: por não ter recursos e por não ter raciocínio. Eu penso que, justamente quando estou na brabeira e me surge uma oportunidade, aí mesmo é que tenho de aproveitá-la! É mais fácil o Vasco golear o Santos com ambos desfalcados do que com ambos completos. Então, mais ajuda meu raciocínio: vencemos bem, fizemos os três pontos, mas quatro volantes não foram exatamente a melhor opção para, se fosse o caso, começarmos a nos equiparar ao Atlético Mineiro em saldo de gols. Ano passado, contra o Corínthians, foi a mesma coisa. Tudo bem, ainda tá muito cedo. Mas será que ainda não aprenderam a lição? Sem pessimismos, mas com raciocínio...é isso que me assusta..

Ricardo Silveira Candeias

23/07/2012 10:43:05

Permitam-me defender o Hélio. Em se tratando especificamente do jogo de sábado, de fato não haviam lá muitas possibilidades na substituição adequada no que tange às características de reposição dos jogadores que saíram. Mas o que o Hélio está observando (e não é de agora!) é o arranjo tático que o Cristóvão se atola quando faz das suas invencionices. Esse aspecto do nosso treineiro só é melhor vislumbrado nas derrotas, tentem entender isso gente. Ele próprio definiu bem quando disse "Santos esquálido". É preciso ver além da vitória galera. Foram dois gols de bola parada e um com falha ridícula da defesa e outro com falha de posicionamento da zaga do Santos. Jogando em casa não era pra termos apenas isso não tinha que ter criado mais, bem mais. O momento de se acertar os rumos são agora no início enquanto os resultados estão vindo mesmo que nos cascos. Ainda assim vamos botar fé nesse time pois nesse brasileirão longo uma boa arrancada somando pontos assim sempre dá "liga" pra que se possa "gastar" tempo se acertando mais pra frente pois todos os times passarão por variações e a nossa vantagem de agora aparecerá mais ainda nesses momentos futuros. Vascoooooooo!!

Fabio Reis Junior

22/07/2012 15:25:21

Poupar Juninho da maratona substituindo-o em um jogo tranquilo como o de ontem. Preservar Carlos Alberto e Wendel sem condições de jogar os 90 min. também é planejamento, ou não? Talvez mais importante que o saldo de gols nesse momento, visto os muitos desfalques com os quais ainda estamos sofrendo e a perda de jogadores importantes. Infelizmente, ontem no banco do Vasco não tinhamos nada melhor do que foi utilizado pelo técnico.

Hélio Ricardo Rainho

22/07/2012 14:05:00

Deixa eu consertar o meu erro (eu também me confundo, o que prova que colunistas não são deuses olimpianos), reiterar minha opinião e também desdizer o que eu já não disse. Citei as mudanças de Cristóvão nas trocas erradas, admito e me desculpo. Escrevi a coluna 6 da manhã após estudar o jogo no VT, Morfeu deve ter me atrapalhado. Mas taticamente quis relacionar as saídas de dois meias criativos (porque Juninho e CA19 eram os únicos meias criativos do time, ainda que o último tenha jogado "camuflado" de atacante) por dois volantes. O Vasco terminou o jogo, sim, com quatro volantes em campo. É fato. Levantei a minha lebre sobre isso porque saldo de gols também é critério decisivo de classificação. O Vasco estava bem e podia aproveitar isso, em vez de adiar a decisão para dezembro e ficar a perigo depois. "Planejamento", palavra que poucos entendem. Sobre retranca, tá lá escrito com TODAS AS LETRAS que eu NÃO ACHO o técnico vascaíno retranqueiro. Se houver alguma dúvida, recomendo leitura repetida do parágrafo para clarear a interpretação do texto. Abraços a todos!

Wanderson Della Silva

22/07/2012 11:57:56

Caramba essa perseguição contra o Cristóvão por parte da torcida é crônica mesmo, e inventam até coisa que ele NÃO FEZ pra cornetar... Caro Hélio o Carlos Alberto saiu pra entrada do ATACANTE PIPICO, o Bastos entrou no lugar do VOLANTE WENDEL, Diego Rosa entrou no lugar do JUNINHO já no final... poxa vida... criticar o quê nisso??? Onde tem retranca nisso????

Fabio Reis Junior

22/07/2012 11:02:02

Puxa vida, não dá pra criticar o Cristovão pelo jogo de ontem. Entrou com o que havia de melhor e com o time muito bem armado. Nas substituições não teve muito o que fazer, pois, CA84 (gordinho) e Wendel ainda não conseguem manter o ritmo por 90 min. Ontem todos foram bem e que continuem assim. Alecssandro pode não ser um primor de técnica, mas como se entrega! Nilton está melhor a cada jogo e isso é incrível. Já são dois jogos contra grandes (verdade que não estão na melhor das fases, mas quem está?) com um futebol seguro e eficiente one nota-se o dedo do técnico em jogadas ensaiadas e na distribuição da equipe em campo. Acho que você deveria aliviar um pouco suas críticas ao CB, até porque em caso de termos que substituí -lo são pouquíssimas as (boas) opções disponíveis.

Jorge Verissimo

22/07/2012 09:50:56

Sempre objetivo e direto nos comentários! Realmente o problema que poderá ocorrer será o que o Aprendiz vai inventar!