Críticas a prefeito do Rio colocam em debate direito à reeleição

Felippe Franco | Rio+ | 20/07/2012 12h28

Permitida há 15 anos, o direito à reeleição para cargos do Poder Executivo é colocado em discussão ao início de cada período eleitoral. O principal argumento contra o sistema é que a exposição na mídia do político que está no poder desequilibraria a disputa eleitoral.

Prefeito do Rio em busca do segundo mandato, Eduardo Paes foi multado no início desta semana por propaganda antecipada. Ele e o ex-presidente Lula deverão pagar R$ 5 mil à Justiça Eleitoral por conta da inauguração do BRT da Transoeste, antes do início oficial da campanha, quando Lula falou explicitamente da candidatura do prefeito à reeleição

Paes ainda é criticado por se beneficiar da apresentação do meia Seedorf, realizada no Palácio da Cidade, sede da prefeitura carioca. Na ocasião, já durante campanha eleitoral, ele também posou para fotos ao lado do jogador do Botafogo.

O cientista político Ricardo Ismael, professor da PUC-RJ, afirmou ao SRZD que houve equívoco na participação dos eventos. "O prefeito errou ao se aproveitar de acontecimentos. Ele está tentando ocupar o espaço e conquistar apoio da população, é praxe. Até agora não houve nada grave, mas ele deve ser advertido", ponderou.

Adversária na disputa à prefeitura, Aspásia Camargo foi enfática na crítica a Paes. "Existe uma desproporção muito grande", afirmou à reportagem. "Acho injusto que o prefeito tenha tanto espaço nos jornais para divulgar seu trabalho e nós tão pouco".

A assessoria de Eduardo Paes, procurada, não se pronunciou sobre as acusações.

Foto: Wilson Spiler - SRZDReeleição dificilmente será proibida

Para evitar estes e outros problemas, como o uso de dinheiro público na campanha, o Senado tentou por fim à reeleição no ano passado, mas o projeto foi rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça. Para o cientista político da PUC, dificilmente a reeleição voltará a não ser uma opção.

"De um modo ou de outro, os quatro anos de mandato são insuficientes para desenvolver as linhas mestras da administração pública. Poderia, sim, haver um rigor maior na fiscalização da máquina pública", defendeu Ismael, que vê como natural que governantes que se candidatem continuem no poder.

"Evidente que quando você começa uma campanha eleitoral no próprio cargo, é tendência do eleitorado a reeleição. O mandato será renovado se a população achar por bem", afirmou.

Apoio político não tem mesma força da campanha de reeleição

Com uma eventual proibição da renovação do cargo, a alternativa é utilizar o apoio do político no poder para eleger seu sucessor, como aconteceu com Lula e Dilma Rousseff na disputa presidencial de 2010. Contudo, essa fórmula nem sempre é garantia de sucesso.

"O poder é menor, mesmo que em alguns casos dê certo. Mas quando a própria pessoa está concorrendo, ela se empenha muito mais, pois seu governo esta sendo julgado", observou Ismael. "O próprio secretariado quer ganhar a eleição para se manter, o empenho de todos é maior", completou o analista político.

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Comentários (1)

Isso evita spams e mensagens automáticas.

nidia jussara

20/07/2012 13:22:21

A mídia tambem colabora na permanência desses caras na política.