SRZD | A polêmica da cerveja


A polêmica da cerveja

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 03/09/2008 13:46:38

Meus amigos de samba, me chamam de polêmico, chato e ranzinza, sempre que dou razões para tal. Não gosto muito de ouvir esses adjetivos, mas, muitas vezes faço por merecer. Verdadeiramente, eu gosto de polemizar e com a idade avançando já começo a "ranzinzar".

Então vou polemizar um pouco com a matéria do nosso companheiro Isaac Ismar: "Lei Seca: o samba arruma seu jeito". 

Seria uma falta de bom senso tamanha se eu afirmasse que sambista não tem carro. Preconceituoso demais e até injusto de minha parte, mas qual seria a porcentagem de sambistas que têm carro? Seriam 5%, 10% ou um pouquinho mais que isso.

Se estivermos numa escola do Grupo Especial essa porcentagem é certamente maior, mas se descermos de grupo essa porcentagem cai e cai muito. E aqui deixo bem claro que definição de sambista é para o freqüentador assíduo de nossas escolas de samba. Não me refiro ao visitante que vai num Salgueiro ou numa Mangueira, mas o sambista de presença constante em nossos ensaios.

Nesse caso, a quantidade de carros diminui sensivelmente. Mas valeu o alerta Isaac, sambista de carro também precisa estar ligado na frase do momento: Se beber, não dirija.

Vou polemizar mais um pouco: Há alguns anos atrás, eu e um amigo, numa dessas cervejadas da vida criamos uma frase: Cerveja não é bom, bom é beber cerveja. Por isso, não adianta vender cerveja sem álcool, não é o gosto da cerveja que nos apetece e sim o álcool que nela aparece. Você já imaginou caipirinha sem álcool, vinho sem álcool ou uísque não alcoólico? Não tem jeito: Samba e cerveja formam um par perfeito e como um é pouco, dois é bom e três é demais, se tiver carro esqueça dele quando o papo for beber no samba. 

E já que estamos em época de concursos de samba enredo, vou juntar cerveja nessas eliminatórias. Muitas vezes, um compositor tem um samba pra lá de sofrível, um típico boi de corte, aquele tipo de samba que parece ter sido feito pra ser cortado, daqueles sem chance alguma de vitória. E eis que surge o bajulador de samba e começa a elogiá-lo:

- Não tem pra ninguém. O teu samba é o melhor, o refrão do meio é o mais animado da quadra. O samba é valente e é o meu samba. Esse ano é teu... e segue falando e sorrateiramente levando o compositor pra bem perto do bar.

E o compositor acredita, se empolga e começa a acreditar em seu samba e já no balcão ouve o famoso:

- Só de pensar na animação do teu samba, já me dá sede...

E o compositor acreditando nas palavras do bajulador paga uma, paga duas e sabe se lá quantas cervejas mais por aqueles elogios. 

Parece brincadeira, mas essa figura existe mesmo em nossas quadras. O elogio gratuito por alguns goles de cerveja.

E quando o samba é cortado, o carnavalesco é safado, o presidente já escolheu o samba, o diretor de carnaval ta comprado, isso pra poder ser publicado por aqui. 

Sai caro disputar um samba enredo. Gasta-se mais em cerveja que nos CDs de divulgação.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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