Médicos da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) se reúnem de 1 a 4 de agosto, em Salvador, na Bahia, para a XIV Jornada Nacional de Imunizações, que discutirá os mitos da antivacinação que tem se popularizado entre as pessoas e pode levar ao reaparecimento de doenças já erradicadas no país. Para esclarecer que mitos são estes, o SRZD conversou com o pediatra e presidente nacional da SBIm, Renato Kfouri.
O médico explica que os principais mitos estão relacionados a eficácia e segurança das vacinas, mas além disso, há pessoas que acreditem "que a vacina é apenas para crianças, porque inicialmente a imunização foi desenvolvida para crianças (...), mas hoje já existem vacinas para adultos, grávidas e idosos", disse ele.
"Outros mitos é de que eventos adversos, como autismo ou esclerose múltipla poderiam ser causados pela vacina, o que nunca se comprovou", afirma Renato explicando que um estudo na Europa chegou a divulgar a relação da vacinação com o surgimento de casos de autismo no continente, mas que a farsa foi desmentida e o médico responsável teve sua licença cassada.
Entretanto, o caso citado pelo doutor levou a Europa a uma grande epidemia de sarampo que persiste até hoje pela aversão da população à vacina. No Brasil a doença já está controlada, o que não deixa de ser preocupante já que esta também é uma das causas da antivacinação. "Alguns se beneficiam do controle para não vacinar seus filhos. Se a doença é rara, porque vou vacinar? Mas são raras porque todos estão vacinados", explica o pediatra.
Atualmente, os principais grupos que se mostram contrários a vacinação são as classes A e B. Renato Kfouri atribui a estatística a adesão destas classes sociais a terapias alternativas como, por exemplo, a medicina holística. "O problema é que essas terapias não são reconhecidas como exercício legal da medicina. São práticas tidas como terapias não comprovadas e, certamente, quem busca são as classes A e B", alerta.
A falta de adesão da população às campanhas de vacinação pode fazer com que doenças erradicadas, como a poliomielite, ou controladas, como o sarampo, voltem a aparecer ou aumentem seus casos. Um exemplo é a coqueluche, "uma doença que vem aparecendo principalmente em bebês e adultos que não tomaram sua dose de reforço da vacina e ficam suscetíveis", segundo o médico.
O pediatra explica que no adulto a doença não é grave, e se passa mais como uma tosse prolongada. Entretanto, em bebês, que ainda não estão completamente imunizados, quase 100% dos casos são letais.
Uma doença considerada banal pela população, a gripe, também está entre as doenças que podem chegar a uma epidemia devido a antivacinação. "As pessoas acham que a gripe não é uma doença grave, mas nos últimos anos tem registrado muitos óbitos", diz o médico.
Presidente da Sociedade Brasileira de Imunização, Renato alerta que a vacinação não é só importante para a imunização individual, mas também para a proteção coletiva, pois em alguns casos a vacina pode não ter 100% de eficácia e em outros o indivíduo nem mesmo pode receber a imunização por alguma deficiência imunológica.
"Então quando tem indivíduos suscetíveis porque não receberam a vacina ou não foi 100% eficaz, eles ficam beneficiados pela imunidade indireta, a proteção coletiva", que é um dos pontos principais do encontro realizado em Salvador.
"O que se precisa é ter em mente que nesses indivíduos imunodepressivos a doença é mais grave, são indivíduos que precisam de imunização especial", afirma o médico. Ele alerta ainda que, em relação a sequelas como as da poliomielite, que causa paralisia irreversível, ou da meningite, que pode levar a morte, "o custo de não se vacinar é enorme. Mas o bom é que o brasileiro ainda não aderiu a esta antivacinação", diz o médico otimista.
A XIV Jornada Nacional de Imunizações acontece de 1 a 4 de agosto, no Hotel Pestana, em Salvador. Rua Fonte do Boi, 216 - Rio Vermelho. As inscrições, abertas para profissionais e estudantes da área de saúde, podem ser feitas no site www.jornadasbimba.com.br. Todos os detalhes e valores das inscrições estão disponíveis na página.