As associações de moradores da Zona Sul do Rio e integrantes do movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei vão se reunir, no próximo sábado, às 11h, em frente à extinta academia Estação do Corpo, na Lagoa Rodrigo de Freitas, em protesto contra o projeto do governo do estado de construir um hangar para helicópteros no local. Munidos de faixas e cartazes, eles também prometem chamar a atenção do poder público com bom humor para uma dor de cabeça que incomoda há tempos: o barulho das aeronaves sobre áreas residenciais.
Após a desativação da academia, o espaço, de 20 mil metros quadrados, pertencente ao governo do Rio, seria entregue à administração municipal visando a construção de um parque de lazer. Mas um quinto da academia pode ser utilizado para a implantação de um novo ponto de pouso para helicópteros. Atualmente, dois hangares, operados pela prefeitura e pelo governo do estado, ocupam a paisagem da Lagoa.
Em entrevista ao SRZD, Vera Maurity, representante da Associação de Moradores do Jardim Botânico e do movimento Rio Livre de Helicópteros Sem Lei, revelou que a decisão do governador Sérgio Cabral não passou pelo crivo da população e que, até o momento, nenhuma satisfação foi dada a respeito do projeto.
"Não deram nenhum posicionamento, foi uma atitude arbitrária. Nunca os moradores foram consultados. Já tentamos duas vezes contato com o governo estadual e com a Prefeitura do Rio, mas nunca conseguimos. O prefeito Eduardo Paes agendou uma reunião conosco em três ocasiões e desmarcou todas em cima da hora", afirmou Vera, ressaltando que o único representante que atendeu os moradores foi o secretário de Ambiente Carlos Minc.
De acordo com a ativista, Minc se comprometeu efetivamente a aumentar a fiscalização da poluição sonora na região, exigindo a comprovação de licenciamento dos helipontos e se propondo a fazer uma medição oficial dos ruídos produzidos pelos voos. Uma outra reunião realizada em maio entre membros do DCEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pilotos particulares e comerciais, que não contou com a participação popular, decidiu aumentar a altitude dos voos e desviar a rota do tráfego aéreo. Vera alega que as determinações não saíram da conversa.
"Nunca fomos chamados para essa reunião. Foi feito um acordo de cavalheiros para que os pilotos respeitassem uma altitude maior quando estivessem sobrevoando as áreas residenciais e mudassem a rota para o mar ao saírem da Lagoa para o Santos Dummont. Não é exatamente o que queremos. Isso só trouxe transtornos para o Leblon e para a Lagoa. Nesse um mês de testes não houve nenhuma punição, nenhuma fiscalização e nada foi absolutamente cumprido", lamenta.
Procurada pela reportagem do SRZD, a Secretaria de Ambiente informou que o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) ainda não recebeu uma solicitação de licença para execução da obra e que a informação sobre a construção do hangar teria sido confirmada pelo secretário-chefe da Casa Civil, Régis Fichtner. Em nota, a assessoria da Casa Civil esclareceu que "o projeto para uso do terreno do Estado - ocupado atualmente pela Estação do Corpo - está ainda no Governo do Estado, em fase de discussão conceitual". Informou também que o projeto atual prevê 80% de uso da área para o público (pela Prefeitura) e 20% para hangar de helicópteros do Estado.
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