Foi hoje à tarde, mas só consegui escrever este post agora.
"O Isaac... faleceu". Foi assim, com a voz claudicante que mãe de Isaac Ismar me surpreendeu com a notícia. Sem chão, emendei "Mas quando foi isso?". Antes que ela respondesse, eu já estava pedindo desculpas pela desinformação: "Aceite minhas condolências, eu não sabia".
A voz altiva da mãe já estava recuperada a ponto de responder prontamente o que havia perguntado. Mas eu só conseguia ouvir o mês, "...junho". Não tive coragem de pedir para ela repetir, "mas qual foi o dia?". E lá estava eu, novamente, tentando confortá-la e repetindo "meus pêsames, meus pêsames".
O Isaac Ismar era o repórter de o "Carnavalesco" que me chamou a atenção desde o primeiro dia que o conheci. Ele trabalhou conosco quando o editorial era publicado nas páginas do SRZD.
Muito doce, educado, um sorriso tímido e uma dedicação muito grande ao mundo do Carnaval. Ele gostava de minha irmã e nos transmitia paz quando nos fazia suas visitas. Várias vezes eu tomava conhecimento de que ele ficava até de madrugada - ou até a hora que fosse necessária - para colher notícias exclusivas ou mesmo informações úteis para alguma história que viria a ser destaque no nosso site nas semanas seguintes.
No último ano, um câncer devastador o consumiu. Como é típico neste tipo de doença, primeiro por partes, depois o domínio do todo. Suas bochechas foram inchando e seu pescoço começou a ser perfurado pelos médicos. Quando a dor era mais aguda, Isaac desaparecia, tratava do problema e, quando possível, voltava ao batente. Debilitado, mas voltava para o seu ofício.
Isaac Ismar é o que posso chamar de um jornalista sensível à cultura popular. Seu chapéu tão banal entre o povo da Lapa do Rio de Janeiro - ou nos blocos de Carnaval dos bairros - era um amigo inseparável. E a caneta, também. Da sua pena, fomos informados de boas e más notícias que povoam o mundo do samba.
Sua morte trágica, lenta, esparramada em longos dias até poderia ter sido prevista por nós. O que não esperávamos é que o nosso silêncio fosse tão longo. Ainda que tardiamente, fica aqui o registro de um admirador por este ser humano suave e trabalhador.
Diego Mendes
18/07/2012 23:04:56
Realmente uma grande perda. Uma pessoa admirável e talentosa. Que descanse em paz!
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