| A inveja, assim como a intimidade No começo do governo Garotinho, fiz várias reportagens no Palácio Guanabara. Apesar de não ser praxe em rádio, me tornei praticamente setorista do Governo do Estado. Ao assumir, o político do interior fluminense vinha com uma disposição impressionante, ávido pelas manchetes e por imprimir sua marca à administração.
Ele tinha respostas para tudo e adorava entrar ao vivo na programação. Posso dizer que entrevistar aquele personagem ao vivo fez parte da minha formação profissional. Por ser um profissional do meio, ele dava resposta no tamanho certo, além de ter desenvoltura no ar.
Em mais de uma oportunidade, entrevistei o governador a bordo do carro oficial. Não eram favores, eu aproveitava a oportunidade e o entrevistava. Numa das viagens, contei a ele um episódio.
Houve uma grande chuva no Rio, em 1988. A velha crônica: desabamentos, pessoas ficaram desabrigadas, enfim a tragédia anunciada de alguns verões. Onze anos depois, a Prefeitura removeu algumas famílias que foram abrigadas provisoriamente em contêineres no alto do Morro Dona Marta. Isso mesmo, onze anos. Pois bem, enquanto esperávamos a remoção, uma repórter e um fotógrafo conversavam sobre uma viagem ao exterior. Parece estereótipo de propaganda, mas um garoto acompanhava a conversa. Como a Páscoa estava perto, eles perguntaram o que o menino ganharia. Infeliz pergunta, a resposta foi a incerteza sobre o jantar daquele dia.
Contei esta história ao governador e ele pareceu genuinamente comovido. Um assessor dele chegou a me dizer que Garotinho comentara o caso em uma roda fechada. Sem querer abri um flanco que talvez não devesse ser aberto. A intimidade com a fonte é muito complicada, como mostra a passagem a seguir.
Garotinho apresentava um programa aos sábados na Rádio Tupi. Ele usava o "Fala governador" como tribuna. Secretários eram pautados, adversários atacados, tudo pelas ondas do rádio. Na voz de alguém que entende do veículo, o rádio era um instrumento eficiente para o eleitor/ouvinte.
Era uma passagem quase obrigatória nos plantões de fim de semana. Ao terminar o programa, Garotinho recebia os jornalistas. Numa dessas ocasiões ele estava "atacado". Antes da entrevista ele falou: "não é isso gordinho"?. E lançou um olhar furtivo em minha direção.
Incrédulo, concluí que entendera mal e fiquei quieto. Minutos depois, outra investida: "não é isso gordinho?".
Desta vez não havia possibilidade de erro de cálculo, era comigo. Os colegas olharam, os assessores também. Tudo pareceu parar.
Ferido nos brios e culpado pela adiposidade na cintura, contra-ataquei: "com todo respeito, o senhor não pode falar da minha gordura sem se olhar no espelho.". Ele riu e disse que também precisava de dieta.
Passados alguns anos, engordei. Ele fez até greve de fome. Terá sido pela nossa obesa discussão? Acho que não. Tenho a cota normal de pretensão do ser humano, acredito. Não pretendo tentar ser presidente da República. Generosidade e parceriaFantasmasAbatido no vôoO bife em Campos dos GoytacazesAh, se a moda pega...iiiiihhhh...entrou duas vezes meu comentario....mas tenho q tirar uma dúvida??
a charge é sua ou do garotinho?????..rsé melhor ser gordinho que ser bolinha.....se não tá pautato pra fazer matéria com Ronaldo - o fofômetro - não né...... cuidado....... rsrsrs
pô gente... comenta aí no meu blogé melhor ser gordinho que ser bolinha.....se não tá pautato pra fazer matéria com Ronaldo - o fofômetro - não né...... cuidado....... rsrsrs
pô gente... comenta aí no meu blogPo gente, comenta aí no meu blog...Soares, essa história é hilária! Pena que não tem ela em áudio aqui.Soares, será que o autor da sua caricatura aqui do site usou esse "causo" da semelhança para se inspirar no desenho? Adorei o texto...rs Aguardo o próximo. BjQuem de nós não tem essas histórias com o Anthony? Faz parte do folclore jornalístico.
A melhor que eu presenciei foi num carnaval. Jornalistas aguardavam para falar com ele. Muitas horas de espera, fomos convencidos pela assessoria de que não teria problema nenhum em jantar no camarote, afinal não podíamos arredar pé dali e a fome era negra no meio da madrugada.
Uma das repórteres que se preparavam para filar a bóia era desafeto de Garotinho e estava, icnlusive, processando o ex-governador. Quando ela se preparava para dar a primeira garfada, ele sai da sala onde estava trancado e não resiste: Oi, Fulana, está me processando mas vem comer o meu jantar?!?!?! Pode se servir, fique à vontade!"
Pano rápido.Está faltando um pouquinho de bruxaria por aqui... |