A morte do cardeal e arcebispo emérito do Rio, Dom Eugênio de Araújo Sales, fecha um importante ciclo da Igreja Católica no Rio de Janeiro. Dom Eugênio conseguiu equilibrar-se e posicionar a Igreja nos momentos mais tensos: o período da ditadura militar, a abertura política, a recuperação do estado de direito, as fundações da jovem democracia brasileira, ante os debates sobre sexualidade e pedofilia. E, finalmente, soube fazer sua transição.
É verdade que até hoje a Igreja no Rio de Janeiro, apesar de bem identificada com o Vaticano, não recuperou a lacuna deixada por Dom Eugênio.
Conservador, mas ao mesmo tempo habilidoso com as diferenças trazidas por um pensamento, digamos, mais liberal, Dom Eugênio soube ouvir a sociedade. Eu próprio participei uma vez dos encontros que Dom Eugênio promovia no Sumaré.
Nestas reuniões fala-se sobre tudo, mas todos os temas de interesse da sociedade. Dom Eugênio fez história.
Dom Eugênio foi um exemplo de discrição e ajuda aos outros. Caso seu exemplo fosse seguido pelos brasileiros de hoje, teríamos um país mais justo, honesto e solidário.
Também participei de diversos encontros no Sumaré e tinha D. Eugenio em enorme estima, como membro do Conselho Cultura da Arquidiocese. Enorme perda!