Tá vendendo? Compra também, Vascão!

Hélio Ricardo Rainho | Hélio Ricardo Rainho | 08/07/2012 12h38

O ser humano é uma obra em aberto. O eterno gênio da literatura João Guimarães Rosa dizia que "as pessoas não estão prontas, ainda não foram terminadas". Um bom dever de casa não qualifica ninguém como superespecial ou imbatível.

Uma medida emergencial que dá certo não é necessariamente uma medida assertiva, definitiva, imutável. Driblando a crise, os erros da gestão passada e (deve-se admitir) certos equívocos da atual, o Vasco tem se esmerado em criatividade para entrar em rota competitiva. Mas parece estar muito convicto de sua suficiência, ao ponto de confundir emergencial com definitivo.

Já escrevi, por exemplo, sobre um certo conformismo com "belas campanhas" sem títulos. Coisa que eu até respeito as pessoas que admiram e sentem tesão, mas nunca me faria gozar. Desculpem a sinceridade na crueza das palavras. Mas agora estamos numa perigosa rota, como salientou o companheiro Lédio Carmona em sua última coluna, de perdermos jogadores importantes sem substituí-los à altura.

A exemplo do que ocorreu com o treinador, vem um substituto e "safa a onça"...pronto: "temos em casa a solução". Noção equivocada do perigo. O Vasco parece estar achando que, por ter feito "belas campanhas", não precisa se reforçar. Se ao menos tivesse alguma provisão nas divisões de base, já seria um risco. Sem uma coisa nem outra, apoiado no discurso de que "o time vai bem e ninguém deve reclamar", vira uma temeridade.

O Vasco vendeu Allan, Rômulo e agora perde Diego Souza. Tirando Tenório, que eu acho muito bom, só vieram "pipicos" pro cast. As entrevistas do treinador são sempre otimistas: "o grupo é forte", "o elenco dá opções", "estamos bem na tabela" etc. Venho batendo nesta tecla: planejamento! Apagar incêndio dá mais trabalho que evitá-los. Na minha santa e passional ignorância de torcedor, acredito que seja mais prudente aprimorar do que se acomodar. Talvez porque eu aposte muito nos dois olhos que tenho na cara para enxergar os fatos.

Extenso e perigoso, o Campeonato Brasileiro engana: é recorrente em gangorras e vaivéns. Ninguém precisa ir pra zona de rebaixamento para começar a pensar grande: é do alto, dos melhores lugares, que se alçam os maiores voos. Já é hora, por exemplo, de relativizar a dependência do time às presenças de Juninho e Felipe. Que idade eles têm? Até quando poderão ser a mola-mestra da equipe? Não há, no clube, NENHUM trabalho de continuidade para herança do cajado deles. Há uma acomodação de que "eles rendem e pronto", o que me faz temer até pela exposição que esses dois grandes ídolos terão quando a curva de produtividade diminuir pela idade e torcedores começarem a criticá-los pela responsabilidade das vitórias.

Time competitivo tem que ter bom elenco. Vamos esquecer o exemplo dos "solidários" do Corinthians: deu certo lá, não dá certo sempre. Até porque eles têm um grande treinador... Não é alarme de falsa crise, nem descontentamento, nem pessimismo. É uma tentativa de fugir do erro óbvio, de evitar que a presunção gere conformismo e que o conformismo gere prejuízos futuros. Vamos lá, diretoria vascaína! Tá vendendo? Compra também, Vascão!!!

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Comentários (3)

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Adalberto

09/07/2012 13:14:50

Comentário perfeito, além dos reforços para ontem, precisamos de um treinador e que pense. Chega de Cristovão.

Paulo Angelo

09/07/2012 10:53:18

As contratações de Ronaldinho,Seedorf e Forlan são "medidas emergenciais".Unem os torcedores,vendem muitas camisas mas não darão em nada à longo prazo.Corinthians e fluminense nos últimos anos adotaram "medidas definitivas", ambos liderados por bons treinadores.O Vasco até que iniciou uma estrutura a longo prazo mas,na minha opinião,comprometeu muito o planejamento mantendo um treinador inexperiente e liberando Rômulo e Alan.O primeiro era titular absoluto e segurança para a zaga e o segundo,jovem,tinha um futuro promissor.Acho que Diego Souza teve todas as chances de deslanchar e acredito que não fará falta ao Vasco.No momento estamos com média de 2 pontos por jogo num campeonato longo.Ainda acredito.Saudações vascaínas.

Diego Ramos

08/07/2012 13:36:12

Concordo em gênero, número e grau.