
Em "Quarto do pânico", após criminosos invadirem a sua casa, Meg Altman (Jodie Foster) e a filha Sarah (Kristen Stewart) se escondem em um cômodo blindado, o chamado safe room, construído para situações de emergência, onde ficam protegidas dos bandidos e podem monitorar todo o movimento dentro da casa. O projeto saiu da ficção e já se tornou realidade no Brasil, mas antes de instalar um quarto do pânico é preciso uma avaliação para adequar o projeto ao ambiente, é o que explica ao SRZD Cristiano Vargas, diretor da Vault, empresa especializada em blindagem.
A implantação do sistema tem projetos bem amplos. "Há casos de construção de um ambiente e casos em que se aproveita ambientes da casa", diz ele. A escolha dependerá do espaço disponível na residência e da necessidade do cliente. Além disso, é importante que toda a construção tenha o acompanhamento de um arquiteto.
"Os projetos são indicados de acordo com a necessidade do cliente e de acordo com as normas de blindagem" estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
"Atualmente a Valut trabalha com três níveis: 2, 3A e 3", afirma. "O nível 3, o mais alto, é a nível de armamento pesado como fuzis AR-15. O 3A, intermediário, é a mesma blindagem usada em carros. E o 2, o mais baixo, protege contra pistolas e armamentos de mão", explica Cristiano.
Os projetos para o safe room variam de R$ 15 mil, para os modelos mais básicos, a R$ 500 mil, para os mais complexos. "Tem cliente que a gente põe uma porta blindada em um closet com sistema de câmera. Já em fazendas, locais distintos, que no caso de uma invasão demora mais para a chegada da polícia, precisa de mais segurança", diz o diretor da empresa.
No caso da instalação em um cômodo já existente da casa, o sistema de segurança é totalmente camuflado no ambiente. "As portas têm projeto que corresponde a fachada das outras de forma que não pareça diferente e as paredes têm toda a parte de acabamento comum", conta ele. Mas o especialista afirma que a camuflagem não é para o bandido, mas sim uma opção para não causar alarde entre os empregados da casa.
"A gente precisa esconder dos empregados. Então, têm determinados tipos de câmeras, alarmes e sensores de presença que ficam camuflados em luminárias. Não é de fato para o criminoso, pelo contrário, para ele é bom que saiba que têm câmeras. É para não causar um alarde", disse ele.
Algumas variáveis como a localização do imóvel também influenciam no projeto. No caso das grandes cidades não é necessária uma blindagem para fazendas, pois a polícia chega muito mais rápido. Também é mais fácil entrar em contato com as autoridades no caso de uma emergência já que o quarto do pânico não impede o funcionamento de um celular ou rádio, mas é importante que o cliente possua aparelhos sobressalentes carregados.
Além do sistema de monitoramento, blindagem e suporte para sobrevivência no caso de muitas horas trancado dentro do cômodo, alguns safe rooms mais sofisticados possuem ainda frigobar, TV, DVDs e sofás-cama. A utilização de no breaks também é comum para o caso dos criminosos cortarem a energia.
Esses elementos são justamente os diferenciais de um quarto do pânico da vida real para o da ficção. "O filme tem bastante similaridade com a vida real, mas com drama demais com as paredes em acabamento de aço. A gente procura não ter isso, porque se o cliente precisar é bom que ele tenha um ambiente não tão hostil e que se pareça com a casa. Não é um ambiente como o do filme", conta Vargas.
"O funcionamento da porta eletrônico também a gente evita. Por ser um equipamento que se usa pouco tem o risco de danificar", acrescenta.
O conjunto de vantagens somados à segurança que um quarto do pânico pode oferecer parece ter dado certo já que há cerca de três anos "o faturamento é praticamente igual ao corporativo", como começou a tecnologia, inicialmente instalada em bancos e lojas. Entretanto, "o número de obras é muito maior porque o corporativo tem investimentos maiores", diz Cristiano.
Só em 2011, cerca de 500 unidades foram instaladas, metade delas em São Paulo, líder isolado do ranking de solicitações. A segunda maior cidade cliente do sistema é o Rio de Janeiro, que ainda assim segue longe da primeira colocada. Depois vem Recife e Curitiba.