Ar condicionado em escolas ou reajuste salarial?
Redação SRZD | Rio+ | 27/08/2008 12:23:00
O governador Sérgio Cabral anunciou, nesta terça-feira (26), que a Secretaria estadual de Educação vai equipar com ar condicionado as 1.500 escolas da rede estadual de ensino. De acordo com o governador, a idéia é dar mais conforto e dignidade a alunos e professores, principalmente durante o verão. Segundo o governo, o projeto ainda não tem previsão de custos. No entanto, para o Sindicato estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), o calor não é o principal problema enfrentado por estudantes e profissionais da rede pública.
De acordo com Marco Túlio Paolino, diretor de Comunicação do Sepe, porém, o governador não tem cumprido as promessas que faz quando era candidato. Para ele, os servidores públicos estaduais precisam, primeiro, de um reajuste salarial. "Estamos mobilizando os profissionais da educação e o conjunto dos servidores estaduais na perspectiva de um ajuste mais significativo do que a proposta de 8% feita pelo governador", disse Marco Túlio, em entrevista a Sidney Rezende no programa CBN Rio.
O diretor reconhece, porém, que a medida anunciada por Sérgio Cabral é válida e não pode ser criticada. "A media vem no sentido de beneficiar não só os professores, mas também os alunos. Uma das lutas que o sindicato trava é por melhores condições de trabalho, então se o governador se propõe a equipar as escolas para que possamos realizar nosso trabalho pedagógico e os alunos aprendam com mais facilidade, não vejo como qualquer um se contrapor a esta iniciativa", afirmou.
Segundo Marco Túlio, afirmar que não há diálogo entre a categoria e o governo do estado seria "um exagero", mas é preciso mais. "Efetivamente, o diálogo pressupõe disposição não só para ouvir, mas também para atender algumas reivindicações. Se as autoridades dizem não poder resolver o problema porque a última palavra é do governador, então queremos, em primeiro lugar, o diálogo com o governador", diz.
"Em 10 anos de governo sucessivo da família Garotinho, que também é do PMDB, partido do governador, não tivemos nenhum reajuste, sequer a inflação era repassada ao salário do profissional da educação. O Sérgio Cabral, quando assumiu tomou a iniciativa de aumentar 4%, o que, para nós, já naquele momento, foi muito pouco. Esse ano, ele apresenta 8%, sendo que nossa proposta inicial era de 60%. É óbvio que nós estamos abertos ao diálogo e sabemos que essa proposta poderia se efetivar em mais de um ano, de maneira escalonada", concluiu o diretor de Comunicação do Sepe, Marco Túlio Paolino.
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