SRZD | O horário do sambista


O horário do sambista

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 26/08/2008 12:00:47

O amigo colunista Lula Branco Martins fez uma pergunta. Se ele me permite gostaria de tentar responder.

"E o que dizer destes cortes de samba? A disputa começa, começa, veja bem, começa!!!, uma e meia da manhã em algumas escolas. O que é isso? Pra que isso? Pro pessoal consumir mais cerveja? É só por isso mesmo? Aí em escolas em que há muitos sambas inscritos a coisa só acaba depois de quatro e meia da matina. Pra que isso, minha gente?" (Lula Branco Martins)

As noitadas de samba começam após o jantar, após o jornal da noite e nunca antes de terminar a novela da época. E a noitada só começa de verdade no caminho para a quadra e aí já são 10h da noite. Mas é preciso ter cuidado para não se atrasar muito, pode ser que o ônibus que o leve para o samba já tenha encerrado suas atividades naquele dia. E é aí que tento responder ao companheiro escriba Lula Branco Martins.

O nosso sistema de transportes coletivos é péssimo durante a madrugada. Diversas linhas deixam de funcionar após meia noite e só retomam suas atividades lá pelas cinco da manhã. Se começarmos os cortes de samba muito cedo eles terminarão por volta das 3h da matina e veremos nossos sambistas aguardando o seu retorno para casa por um tempo raramente inferior a 2 horas...
 
Por isso e como dirigente sempre lutei para que os sambas começassem mais tarde e levássemos a noite, já madrugada, até por volta das 4 e meia da manhã. Assim nossos freqüentadores sairiam e sem muita demora poderiam tomar o caminho de volta a casa.

Imagino o Lula lendo essa matéria e fazendo cara de quem não aceitou muito minha resposta. Posso tentar uma outra explicação?

O pessoal chega na porta da quadra realmente por volta das 22h e por ali encontra os amigos e lembram, como todo bom sambista, que o preço da cerveja lá dentro é quase o dobro, quando não é mais que isso, que o preço da cerveja nas barraquinhas do entorno da quadra. E é aí que se inicia, de verdade, a maratona etílica da noite-madrugada.

Eu mesmo, e acompanhado de outros diretores da escola, já permaneci nas barraquinhas tomando as abençoadas geladinhas que Deus nos deu. E fica esse jogo de empurra: O dirigente esperando o sambista, que com a quadra cheia, começar o samba e lá de fora os sambistas esperando a continuada saideira ou a última entradeira (afinal chega a hora de entrar na quadra) da noite. E nisso a hora vai passando, passando e já são 1h da manhã. Já devidamente calibrados entram os sambistas. Por isso, os sambas começam tão tarde.

Espero que essas duas tentativas de explicação tenham convencido o amigo Lula Branco Martins. Em tempo: E já que falei em cerveja, gostaria de comentar em nossa próxima Conversa de Carnavalesco, a matéria do companheiro Issac Ismar - Lei Seca: o samba arruma seu jeito.

Um abraço e até lá
Luiz Fernando Reis


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