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12/06/2012 21h08

Perillo: papel de ingênuo como defesa

 O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), falou na CPI mista do Cachoeira, nessa terça-feira, com uma convicção que balança os que não sabem o que um político bom de discurso pode fazer com a própria fala.

Falar com convicção, olhando nos olhos e sem gaguejar não significa que o cidadão seja inocente. Nem que seja culpado. Muito menos um salvo-conduto.

Perillo deu a sua versão de forma firme.

Mas...

Se fôssemos acreditar no que afirmou Marconi Perillo sobre as investigações da Polícia Federal, apontando a influência do contraventor Carlinhos Cachoeira em seu governo, o próprio governador não falaria tão bem.

Perillo não tinha esse traquejo quando o conheci nos corredores e no plenário da Câmara dos Deputados. Então, se disse a verdade nessa terça, o governador é, realmente, uma rara exceção.

Exceção porque acreditar nos argumentos do governador é como aceitar a ideia de que à medida que o político vai galgando postos mais elevados, vai, igualmente, idiotizando-se.

Então, o governador é o único que não sabia que Cachoeira é bicheiro? Perillo disse que o conhecia como empresário.

Vender uma casa naquelas condições nebulosas sem desconfiar de nada?

Então, Perillo regrediu seletivamente. Melhorou apenas o seu discurso, sua firmeza na colocação das palavras?

Um governador nem desconfia do que faz sua secretária porque tem mais de uma?

Dizer que só houve uma ligação telefônica entre ele o contraventor flagrada pela Polícia Federal não significa nada.

Muitos negócios podem ser feitos sem que os protagonistas conversem ao telefone. Especialmente os que visam lesar os cofres públicos.

Ainda sobre a firmeza no falar, nada de novo. Bons advogados, por exemplo, fazem sucesso exatamente porque conseguem inocular suas versões de um determinado crime num júri, ou num juiz tarimbado.

Para ser mais firme, o governador deveria ter oferecido logo a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à CPI mista. Não quis de jeito nenhum.

Bem, leitor. Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), como essa do Cachoeira, precisa ter como sustentáculo o resultado da investigação da Polícia Federação e usar seus próprios meios para descobrir a verdade.

A comissão não pode ficar refém de quem sabe falar melhor do que os colegas que estão ali na frente.

As histórias de Marconi Perillo simplesmente não colam. Aliás, o jornalista Luiz Carlos Bordoni falou com a mesma firmeza de Perillo sobre o dinheiro que havia recebido na campanha do governador, vindo de uma empresa laranja ligada à quadrilha de Cachoeira.

O governador disse que o jornalista será processado na Justiça.

Somente a investigação que deputados e senadores deveriam fazer, sem o espetáculo e a disputa política, pode chegar a alguma conclusão.

A Polícia Federal já tem a sua, a de que a quadrilha mandava e desmandava no governo de Marconi Perillo, inclusive.

Como os petistas, que reclamam dos meios de comunicação, Perillo também disse que a imprensa traz notícias fora de contexto.

Mas o governador sabe que não são publicados nem 50% dos podres de uma administração pública. De qualquer uma. De qualquer partido.

Nos holofotes da CPI mista, Marconi Perillo não deixou que os petistas o encurralassem.

Um detalhe da fala do tucano é muito significativo, quando ele se refere "às melhores famílias" de Goiás. Claro que se trata de gente rica.

Quem raciocina assim, costuma admirar quem tem dinheiro, venha de onde vier essa fortuna.

Mas há quem não acredita que o desempenho de Perillo na CPI mista seja apenas mérito do governador.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) ainda acha que possa existir um acordo entre petistas e tucanos para que a CPI mista alivie, com sua maioria e relatoria ligada ao Palácio do Planalto, a situação do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), em contrapartida.

O senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) também acredita que exista "um jogo combinado" entre os dois partidos. Acerto que, segundo ele, "deve ter sido feito de madrugada".

Agnelo, que também aparece enrolado com a quadrilha comandada por Cachoeira, será ouvido nessa quarta-feira.

E no rastro da Delta, a construtora do esquema, chega-se ao governo federal.

Resta-nos aguardar. Até porque, no caso de Perillo, a CPI mista tem documentos que reforçam as suspeitas de que o dinheiro usado na compra da mansão que era de Perillo e servia de moradia para Cachoeira, pode ter saído mesmo dos cofres da Delta.

Delta que que acaba se considerada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU). Não pode mais fazer contratos com a administração pública pelo período de dois anos.

CGU que só costuma aparecer depois que a denúncias são feitas pela imprensa.

 


Comentários
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    13/06/2012 14:59:46Michel Pires MarquesAnônimo

    É isso ai Brasil, continue sendo a maior fábrica de bandidos do planeta terra, passou da hora de uma revolta armada para tomar o Brasil e devolver aos brasileiros, passou da hora de rancar esses porcos entitulados de governantes me refiro aos Senadores, Deputados e Governadores e Presidente da República a pauladas, tirar esse bando de bandidos a força do xiqueiro nacional e dar os plenos poderes aos brasileiros que trabalham para manter essa gentalha. Não precisa mais do que um milhão de pessoas armadas, para rasgar essa contituição fascita e fazer uma nova tomando os poderes do poder constituinte originário. Isso sem sombra de dúvidas sera mais uma enorme pizza no Brasil, assim como o caso do ex-governador de Goiás que entrou no governo com míseros 20 alqueires de terra e saiu com 82 fazendas. Precisamos com urgência de uma revolta armada. Não deveria estar encravado as palavras "ORDEM E PROGRESSO" na nossa bandeira que hoje simboliza uma vergonha tanto nacional quanto internacional. Deveria estar cravado lá a seguinte frese "DECADÊNCIA DE UM POVO, DESGRAÇA DO PLANETA TERRA E VERGONHA DO UNIVERSO" seria a frase que mais se adapta so Brasil. Continue assim país sem escrupulos, continue sendo referência mundial em corrupção e também, continue sendo a maior fábrica de bandidos do mundo, quem sabe assim as outras nações aprendem melhor com a gente.

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    13/06/2012 11:51:16Argemiro Ferreira de Faria FilhoAnônimo

    Besteira bulufas, isso é a mais cirstalina das lógicas e nos eleitores sabemos disso, inclusive que a CPMI não passa de uma grande besteira, pois os resultados são muito previsiveis, entre mortos e vivos todos daí se salvarão e como sempre nos pagaremos as contas.

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    13/06/2012 11:25:03AlbertoAnônimo

    E a montanha pariu um camundongo,conforme dito na CPMI.Interessante o argumento do "não sabia" .Adotou o esquema do ex,não é sr Perillo? Se o ex pode outros podem também e fica o dito pelo não.Um circo mambembe essa CPMI.

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    13/06/2012 07:44:08Alexandre Fernandes DiasAnônimo

    Seria ótimo "brindar a conclusão da Conferência Rio+20" com o envio ao Congresso do novo marco regulatório da Defesa Civil, "garantindo ao Brasil a segurança contra catástrofes climáticas, protegendo vidas vidas e o meio ambiente", disse Casildo Maldaner (PMDB-SC). O senador lembrou que o compromisso foi assumido pelo governo em abril, quando foi aprovada a MP 547/11, que definiu a Política Nacional de Defesa Civil, as diretrizes de ocupação de solo urbano e a criação de um sistema de prevenção de desastres. - Mas ficou faltando um detalhe vital: a definição das fontes de recursos para execução dessas ações - observou. Casildo acrescentou que os novos paradigmas da Defesa Civil, debatidos na semana passada no Rio de Janeiro, estão "mais voltados a ações de prevenção que de reconstrução". JORNAL DO SENADO

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    12/06/2012 21:39:50Luiz PadovaniAnônimo

    E sr. Valdeci!Quanto foi que recebeste do "barbudo de pernambuco" para dizer tantas besteiras?

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