Contagem regressiva para João Gilberto
Letícia Simões | Musica | 23/08/2008 13:32
Falta apenas um dia para o esperado show de João Gilberto no Theatro Municipal, em homenagem aos 50 anos da Bossa Nova, e a expectativa está altíssima. Para os que não conseguiram ingresso - na bilheteria, as entradas se esgotaram em três horas e, pela internet, em menos de uma hora todos os lugares já estavam vendidos -, resta apenas esperar pelos comentários na saída do show. Mas para quem vai, só resta roer as unhas de ansiedade até este domingo 24, quando o mestre da bossa-nova (ou brazilian jazz, como apelidaram os gringos) vai aparecer com seu violão depois de 5 anos - sua última aparição foi em São Paulo, em 2003.
"O show dele é uma experiência impressionante. Vale tudo pra ver João Gilberto ao vivo", disse Lucio Maia, guitarrista da banda recifense Nação Zumbi. Maia, carimbado de "melhor guitarrista do Brasil" pelo jornal Estado de São Paulo, revelou que não teria "coragem de abrir a boca para solfejar uma nota sequer diante dele", se fosse convidado para integrar o show. De qualquer forma, "Bim Bom" ou "Chega de Saudade" seriam as músicas que gostaria de tocar ao lado de João Gilberto.
Na terça-feira (15), o crítico, produtor e escritor Nelson Motta enviou uma crônica para os leitores de seu site oficial narrando suas expectativas para o show, principalmente como amigo do compositor:
"Nos anos 90, ele fez uns três ou quatro shows em Nova York, onde eu morava, e também em Miami, para onde voei. Meninos, ouvi. E nunca o ouvi desafinando ou atravessando o ritmo, como já vi ocorrer até às melhores vozes. Também por sorte, não fui a São Paulo para o célebre não-show do "vaia de bêbado não vale".
Em 55 anos de carreira, suas obras completas não passam de 16 discos, cerca de 200 músicas, várias delas em diversas versões: o melhor repertório jamais gravado por um intérprete brasileiro, a mais bela e rigorosa antologia de nossa música popular.
"Como raros artistas modernos, João Gilberto tem, e pode e deve ter, plena consciência de sua genialidade, da história e da posteridade. E de preservar sua obra. Daí o extremo rigor e parcimônia nos shows e gravações, a exigência extrema no som da voz e do violão: se João Gilberto fosse um ser mitológico, seria metade homem e metade violão, indissolúveis em sua arte, o máximo do mínimo", completou Motta.
Jorge Mautner, que no momento está em cartaz ajudando Caetano Veloso a montar seu próximo CD, na experiência Obra em Progresso, também acredita que o amigo João Gilberto é um ser especial.
"Ele levou a bossa-nova e o samba à quintessência. Admiro a sua capacidade zen-budista de quintessência de cada sensação, de milionésimo de segundo - quase um teatro japonês brasileiro universal. Aliás, o Japão o adora; ele é um sucesso no mundo todo. Lá, o reconhecem como um verdadeiro mestre zen".
E para quem irá aos cinemas nesta semana, uma surpresa: o novo filme de Walter Lima Jr., "Os Desafinados" - cuja pré-estréia foi na quarta-feira (20), na Barra -, tem um trailer especial. Ângelo Paes Leme aparece com seu banquinho e violão na tela, pronto para tocar. Pede para desligar o ar-condicionado. Depois, reclama com um casal que está comendo pipoca, para, em seguida, mandar a platéia se calar. Por último, quando um irritante toque de celular irrompe na tela, ele desiste e vai embora, levando seu violão. Coincidência? "Eu caio de bossa, eu sou quem eu sou", já cantaria o mestre.






























