SRZD | Templo chinês de Kung Fu é um "grande negócio"


Templo chinês de Kung Fu é um "grande negócio"

SRZD - Fé | | 24/08/2008 13:13:00

Shi Xingsheng tornou-se mestre de kung fu depois de quinze anos aprendendo a arte marcial chinesa numa escola próxima ao mosteiro de Shaolin, o mais secreto local dedicado à sua prática. O jovem mestre esteve em Paris, em março, por ocasião da turnê do espetáculo "Shaolin". Promovido quase todos os anos, o evento é uma demonstração das vantagens do wushu (as artes marciais chinesas em geral) para o corpo e para a mente.

A fascinação ocidental pelo kung fu surgiu nos ano 1970, quando a arte marcial deu o seu nome a um seriado americano inspirado nos ensinamentos de Shaolin. Na época, "Pequeno Escaravelho", o discípulo de um grande mestre de kung fu, interpretado por David Carradine, impressionou uma geração inteira.
 
Hoje, Shaolin é um empreendimento bastante lucrativo. As áreas situadas em volta do mosteiro, repletas de butiques de suvenires e de hotéis em construção, mais se parecem com um parque temático do que com um local de recolhimento. O templo é um dos pontos turísticos mais badalados da China, teve mais de 2 milhões de visitantes em 2007.

Há quem critique, porém, a comercialização desmedida do mosteiro. "De tanto querer acompanhar a evolução do seu tempo, Shaolin está perdendo sua identidade", comentou recentemente o "Diário da Juventude" num editorial indignado.

Shi Yongxin, que assumiu à frente do templo aos 22 anos, em 1987, está pouco se importando com essas críticas. Ele trabalhou sem medir esforços para modernizar Shaolin e fazer da sua empresa comercial, a Shaolin Zhiye, um empreendimento florescente. Em abril, teve de desmentir os rumores que anunciavam a sua introdução na Bolsa.
 
Como primeiro deputado budista da República Popular, Shi Yongxin diz-se um monge político. Ele faz lobby para fazer com que o kung fu de Shaolin seja incluído pela Unesco em sua lista de obras-primas do patrimônio imaterial da humanidade.

Sobre as Olimpíadas de Pequim, Yongxin diz que "a organização é de grande importância para a nação chinesa". Segundo ele, as populações do mundo inteiro poderão conhecer o novo rosto da China, após trinta anos de reformas e de abertura".
 
O templo de Shaolin, porém, não participa de competições de artes marciais. "O objetivo supremo do kung fu de Shaolin não é a vitória em combate, mas sim o aperfeiçoamento do indivíduo", explica o abade.


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