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28/05/2012 10h46

Designer cria joias sustentáveis com resíduos de construções
Cristiana Veronez

Denunciar irregularidades que acabam em desastres naturais e sensibilizar pessoas. Esses são os principais objetivos de uma mulher que usa resíduos de construções para fazer a sua arte. A assistente social e designer Sílvia Blumberg encanta mulheres com suas joias feitas a partir de fragmentos de tijolos, cimento branco tingido com sumos de verduras, legumes, chifre de boi, papel, pó de madeira e outros. "Pratico os 3 'R' da sustentabilidade: reduzindo, reutilizando e reciclando materiais. Adquiro somente prata reciclada (retirada de radiografias hospitalares)", explica.

A decisão de fazer parte do grupo de pessoas que luta por um mundo mais sustentável, prezando pela saúde, bem-estar e preservação ambiental, começou há cerca de três anos, em 2009, quando Sílvia vivenciou as enchentes de Santa Catarina em dezembro de 2008. "Decidi que iria mudar os ares devido às overdoses de angústia que passei no serviço federal [como assistente social] tentando realizar um trabalho minimamente humano e profissional. Porém, meu coração bateu forte quando me envolvi com as vítimas das enchentes. Estudei as causas destas catástrofes e senti na pele a cachoeira de omissões e desrespeito das leis somada à cultura de não cuidarmos do que descartamos e às terríveis consequências : mortes, destruição, doenças e graves prejuízos", conta. Sílvia disse que tinha pesadelos com as imagens de TV divulgadas na época, tamanho era seu espanto com a situação.

Abraçar uma causa que ainda não é prioridade para muitas pessoas e empresas é complicado. Além de resistências ideológicas, existem as dificuldades financeiras para se implantar projetos, ainda mais quando não se tem sócios. Depois de passar muitos meses "no vermelho", como ela própria classificou, a designer acredita estar, pouco a pouco, conseguindo formar opiniões. Otimista, ela diz que cada vez mais se sente "segura para surfar mais alto em originalidade e ampliar o faturamento". Hoje, ela tem o prazer de ver suas peças sendo usadas em novelas, ser convidada para feiras internacionais e congressos. "Assim vou vivendo a delícia de comover, sensibilizar, politizar e fazer as pessoas perceberem as necessidades de ampliarem suas consciências seletivas para seus consumos e formas de descartes", emenda Sílvia, que já está com planos de melhorar sua loja física aliando-se a outras empresas e pessoas com o mesmo objetivo de promover sustentabilidade.

Resistência familiar e ajuda de profissionais do ramo

"No começo recebi muita gozação", resume a designer. Como toda pessoa que adere a ideias que não são dominantes, ela também teve seus problemas e foi desacreditada. Alguns a chamavam de doida. "'Michigne', no dialeto idish, falado pelos meus avós", explicou.

Nem mesmo um dos maiores construtores de São Paulo na época, segundo ela, aceitou colaborar com o projeto. "Ele, irônico, me respondeu que enviaria sacos de cimento".

Alguns anos após resolver entrar nesta empreitada, a designer se considera vencedora. "Nada me intimidou nem me desanimou. Segui meu objetivo e investi todas as minhas fichas no meu projeto. Hoje muita coisa mudou e a família tem orgulho do meu trabalho. Meu maior apoiador foi Renato Regazzi, diretor técnico do SEBRAE, a quem sempre serei grata". Ela acredita que pressões populares e ações de partidos ambientalistas podem reconfigurar as ideias do governo estadual quanto ao assunto. "Os pioneiros terão suas compensações", finaliza.

* Foto

Anel quadrado: prata reciclada , massa de tijolo (resíduo de obra) e aplicação de uma rosa de ouro.

Brinco: prata reciclada com aplicação de massa de cimento (resíduos de obra) com cobertura de Pirita  e um par de Citrino Fumê;

Bracelete: prata reciclada, massa de pó de tijolo (resíduo da construção civil) e Opalas;

Anel azul: prata reciclada, cimento branco tingido com resíduos de caneta esferográfica e Topázio Azul.

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