SRZD | "Leio, logo sinto!" Saiba o porquê de nos emocionarmos com livros


"Leio, logo sinto!" Saiba o porquê de nos emocionarmos com livros

Redação SRZD | Comportamento | 15/08/2008 20:41:00

Qual é o prazer de se ler um livro? Por que tantas histórias parecem nos levar a um novo mundo de emoções, como se realmente estivéssemos vivendo determinada situação? Parece que os cientistas têm uma resposta. De acordo com um estudo holandês, a mesma região do cérebro que é ativada quando experimentamos a sensação de repugnância por algo, também atua quando vemos alguém expressando o mesmo sentimento ou lemos sua descrição por escrito.

Até o momento, sabia-se que imaginar, observar e executar algumas ações ativava o funcionamento das mesmas zonas do cérebro. Mas, isso também poderia acontecer com as emoções? Por que ficamos tão "hipnotizados" com um bom livro, como em filmes de ação? O grupo da Universidade de Groningen colocou 12 voluntários em situações distintas.

Enquanto eles registravam a atividade do cérebro através de ressonância magnética funcional, os cientistas exibiram inicialmente um curta, no qual os atores bebiam o líquido de um vaso e, logo em seguida, faziam cara de asco pelo o que haviam ingerido. Os próprios participantes também passaram pela mesma experiência, com um liquido amargo. Ao mesmo tempo, liam breves passagens por escrito que descreviam situações desagradáveis. Esses momentos se intercalavam com outros cenários mais agradáveis e neutros, para que os voluntários não se acostumassem.

Os testes mostraram que, nas três situações - lendo, bebendo e assistindo ao filme -, a mesma região do cérebro dos participantes era ativada. A região em questão é a insula interior, considerada o centro neurológico das emoções de desgosto. As pessoas que apresentam algum tipo de dano nesta área, explicam os cientistas, não têm capacidade de sentir repulsa por algo.

A importância do estudo, segundo a equipe, está no contexto das emoções sociais e de colocá-las no lugar das demais. Ou seja, o cérebro é capaz de se ativar de forma similar quanto sentimos repulsa, imaginamos o que sentimos ou quando vemos o que sentem as outras pessoas.

"O que ocorre quando lemos um livro ou estamos assistindo a um filme é a mesma coisa: ativamos nossas representações fisiológicas do que experimentamos sentindo asco de verdade. Ambas as coisas podem nos fazer sentir literalmente o mesmo que o protagonista está experimentando nesse momento", concluíram.


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