Este blog vai mudar de característica neste texto. Resolvi contar uma história que se desenvolve e não uma que já passou. Fui apurar como está a memória da campanha de milícias. Manuel Antonio de Almeida que me abençoe.
O candidato deve ser lembrado. Sua imagem e seu número devem estar na memória do eleitor no dia da votação. Uma das formas são aqueles "pirulitos" com o retrato do postulante. Vamos a algumas cifras. Aquelas pessoas que ficam paradas tomando conta ganham uma diária de 30 reais, em média. Claro, fazer tudo na conformidade da lei tem um preço caro. Pagando o INSS e as refeições este recurso de propaganda sai por R$ 1000,00 por mês.
Pelas informações que vou fornecer, todos notarão o porquê de fazer total questão de preservar o sigilo da fonte. Há campanhas para todos os gostos. Uma que tive conhecimento está com previsão de R$ 100 mil a R$120 mil. È uma das mais modestas. Meu ou minha informante - vou brincar de esconde-esconde - calcula que há campanhas que vão custar até R$ 2 milhões. Esperemos pelas prestações de contas na Justiça Eleitoral. A questão que sempre se coloca é: de onde vem este dinheiro e como quem deu vai receber de volta.
Uma janela bem situada em vias expressas como Linha Vermelha ou Avenida Brasil pode valer ao feliz proprietário uma diária de R$ 200 reais. Claro que esta cobrança é ilegal, mas mesmo assim, existe.
Uma candidatura é um investimento, mas pode ser arriscada. Até agora falamos de despesas, mas vamos aos riscos. O personagem desta reportagem passou por situações inusitadas e outras que denunciam a tragédia da nossa guerra urbana.
A engraçada, um dos pirulitos do candidato(a) caiu e ele foi "atropelado(a)". Outro foi abatido a tiros. "Já fui atropelado(a) e atingido(a) por tiros nesta campanha - brinca com a situação - só escapou o meu rosto".
Uma das pessoas envolvidas na sua campanha sofreu uma intimidação na Zona Oeste. Um homem saltou de uma caminhonete e avisou "quem mandou colocar este cartaz aqui? É melhor tirar. "
A personalidade política avalia que está mais difícil fazer campanha nesta eleição do que em outras. "Há uma comunidade de uma região da cidade em que eu sempre tive entre 1000 e 1600 votos. Só que desta vez pessoas amigas minhas avisaram para não trazer cartaz, santinho nem nada porque o lugar já tem dono".
Em uma favela da Zona Oeste, ele conta que os simpatizantes de sua candidatura estão distribuindo folhetos e fazendo campanha escondido, para não sofrerem represálias.
Tal qual alguns cientistas políticos, o(a) candidato(a) avalia que o voto de opinião está acabando. "Quando você faz campanha na rua, as pessoas perguntam: quanto vale esse voto? O que vou ganhar em troca?" Para ele, se o voto fosse facultativo, só seriam eleitos milicianos e candidatos apoiados pelo tráfico.
Praga antiga, os centros sociais espalhados preenchem o vácuo do estado e com o carcinoma do assistencialismo.
Diante dos riscos externos, alguns usam estratégias interessantes, como colocar pessoas de bicicleta andando pelas ruas ou realizando comícios domiciliares e churrascos para grupos de 50 a 100 pessoas.
Apesar de não ser católico, penso em São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. No entanto, me lembro que em recente visita ao Corcovado vi que a imagem dele às margens da estrada de ferro está com a cabeça decepada. Nem ele vai poder valer por nós nestas circunstâncias.
Para conferir a prestação de contas parciais dos candidato, acesse: http://www4.tse.gov.br/spce2008Divulga/