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12/04/2012 10h01

‘O Príncipe do Deserto’: Aventura que tinha tudo para ser épica
Ana Carolina Garcia

Baseado no romance "Arab" de Hans Ruesch, ‘O Príncipe do Deserto’ (Black Gold - 2011) é uma aventura que nos deixa com a sensação de ter sido produzida para se tornar épica, o que não conseguiu, infelizmente.

Com direção de Jean-Jacques Annaud, mesmo diretor de ‘O Nome da Rosa’ (Der Name der Rose - 1986), a trama é ambientada na década de 1930 e mostra as divergências entre dois líderes árabes, o Emir Nesib (Antonio Banderas) e o Sultão Amar (Mark Strong). Para evitar uma nova guerra pela disputa da Faixa Amarela, Amar entrega seus dois filhos para Nesib, como parte do acordo de que nenhum dos dois poderá reivindicar a faixa de terra que divide as cidades.

Cerca de 15 anos se passam e os meninos, criados como "filhos adotivos" de Nesib, sonham com o dia do reencontro com o pai, em meio a uma epidemia de cólera que assola Hobeika. Ao ver o povo sofrer com a doença, Nesib constata que precisa de dinheiro para dar condições de vida melhores à população e a única chance que encontra é a exploração dos poços de petróleo, contrariando o acordo com Amar e iniciando uma guerra. E é o Principe Auda (Tahar Rahim), filho mais novo do Sultão, quem se dispõe a buscar a paz entre as famílias, apoiado pela Princesa Leyla (Freida Pinto), sua esposa e filha de Nesib.

‘O Príncipe do Deserto’ tem uma história boa e agradável de assistir, mas seu roteiro deixa a desejar em alguns momentos. As tramas principais carecem de um desenvolvimento melhor, uma delas é a história entre os filhos de Nesib e Amar, que se casaram por conveniência, apesar de se amarem desde a infância. Essa história ficou pendente por não mostrar a reação de Leyla ao ver o marido e o pai lutando pela Faixa Amarela em lados opostos.

As relações interpessoais não foram aprofundadas, nos dando a sensação de que o diretor quis apostar apenas em imagens e situações grandiosas, sem se dar conta de que todas elas beiram a superficialidade.

No entanto, Banderas, Strong e Rahim se destacam durante todo o filme. Os três estão muito bem em cena e acabam por ajudar o longa, cuja ação demora a se desenrolar, arrastando-se um pouco.

‘O Príncipe do Deserto’ é interessante, apesar de mediano. E tinha tudo para ser épico: boa história, trilha sonora de qualidade, imagens impressionantes; mas a superficialidade do roteiro o deixou falho em alguns momentos e acabou comprometendo o resultado final.

 

 


TAGS:Cinema

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