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Um bom enredo nasce em casa

Luiz Fernando Reis | Luiz Fernando | 13/08/2008 09:17

"Há quem reclame (entre eles o colega Luiz Fernando) que esteja sendo criado um "escritório de enredos", assim como já acontece no mundo dos sambas. Ele próprio pode entrar em detalhes sobre isso." (Eugênio Leal) 

Semana passada o amigo e colunista "Eugênio, o Leal" citou o meu nome em sua coluna e me desafiou a comentar o assunto "escritório de enredos". Vamos responder ao amigo.

Reafirmo que não gosto das empresas de enredo e explico: Um enredo é uma peça fundamental no que eu chamo de um projeto de carnaval. O enredo é o germinar de tudo. É a partir dele que tudo se inicia. Os figurinos de alas, destaques, figurações e composições se originam nas propostas do enredo. O projeto alegórico tem sua origem nesse mesmo enredo. Os sambas são orientados e inspirados na sinopse desse enredo. E todo um carnaval, ou como prefiro chamar, projeto de carnaval começa nele. Portanto, o enredo é a peça fundamental de um carnaval. 

Por isso, eu não gosto de ver esse momento tão importante sendo terceirizado e sendo realizado por mãos e cabeças não totalmente entrosadas no ambiente da escola. É claro que uma sinopse tem a total participação do carnavalesco da escola, afinal, ele é o grande mentor de todo o processo, mas nem sempre esse profissional tem, além dos dotes plásticos, os dotes literários necessários para a confecção de uma boa sinopse, por isso aceito com naturalidade quando uma escola tem um profissional para isso. Um profissional que em parceria com o carnavalesco desenvolva o texto de um enredo.

Assim é na Unidos da Tijuca, onde o Julio César Farias em parceria com o carnavalesco Luiz Carlos Bruno desenvolve a sinopse do enredo. Na Vila Isabel, o pesquisador Alex Varela se une ao carnavalesco Alex de Souza na composição de sua sinopse. Na Mangueira, o departamento cultural é um braço auxiliar na criação do enredo e da sinopse. No Salgueiro, o carnavalesco Renato Lage tem no departamento cultural uma assessoria valiosa. Nosso ex-colunista Gustavo Melo faz parte dessa diretoria do Salgueiro. E quando a sinopse nasce com a participação de componentes da escola, sejam eles profissionais ou não, esse apoio me parece o ideal.

Mas não quero desmerecer o trabalho do Marcos Roza, trabalho esse, que a exemplo do que colocou o Eugênio Leal, também admiro muito. Eu gosto da forma rimada como o Marcos trata as suas sinopses, ele é inegavelmente um bom profissional. Faz um bom trabalho como pesquisador e como "sinopsista" (neologismo agora criado).

A minha crítica maior vai para as escolas que se acomodam e preferem contratar um profissional, terceirizando um trabalho que deveria ser desenvolvido em casa. Uma sinopse é muito importante e não vejo com bons olhos quando ela é escrita de fora para dentro da escola. 

O que proponho é que as escolas de samba valorizem os seus departamentos culturais, que são, na maioria das vezes, cargos decorativos. Que as escolas criem projetos culturais e que através deles possamos resgatar, por exemplo, a memória de nossas escolas. Cada vez que um componente da Velha-Guarda morre, cada vez que uma baiana nos dá adeus, eles levam consigo toda uma história, um pouco do passado, das tradições e da cultura dessa escola. Um bom departamento cultural poderia nos auxiliar nesse resgate da história de cada uma de nossas escolas de samba.

E no momento da escolha de um enredo esse departamento cultural seria o braço literário que muitos de nossos carnavalescos necessitam. A sinopse não seria contratada, seria trabalhada e lapidada no ambiente da escola. Por isso prefiro que as sinopses nasçam dentro das escolas. Esse é apenas o meu ponto de vista.

Apenas um toque: Ninguém merece ler que a Associação poderia desfiliar quatro escolas do Grupo de Acesso. Não somente elas como outras 7 (agora 10) tomaram por si mesmas essa decisão. Que a Lesga venha para valorizar o Grupo A, mas que saiba valorizar e respeitar o sambista que tanto gosta dos desfiles do Grupo de Acesso A.

Um abraço
Luiz Fernando Reis


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Postado por:Fabio Cesar Alves | 17/08/2008 09:26:28

Luiz, você, como sempre, está certíssimo em relação à LESGA: que venha para melhorar, e não descaracterizar. Sou seu fã, e gostaria que você desse uma olhada na coluna que tenho no site da Mangueira: http://www.estacaoprimeira.o rg/wordpress/?cat=129 Se deixar um comentário pro seu amigo aqui, professor como tu, aí eu infarto mesmo. grande abraço, fabio.

Postado por:Marilda | 14/08/2008 11:34:11

Não sei como esse Marcos Roza tem tempo para fazer tanta pesquisa e sinopse? Não é possível tem alguma coisa errada, se há alguém que acredita nisso, pode levar para um hospicio.... Somente no cospe e cola, ou seja, wikipédia, google e sei la´o que! Pesquisa séria e fundada, requer tempo, atenção, comprometimento, dias e dias lendo livros, e depois correção com um professor de gramatica e portugues. Como alguém pode fazer ao mesmo tempo várias sinopses de diferentes temas ? Será que não existe profissionais melhores e capacitados precisando trabalhar ? precisando ?

Postado por:Claudio vieira | 14/08/2008 11:13:28

O que estamos vendo é a fome com a vontade de comer. Quem se propoe a fazer muitas coisas faz mal, cabe aos presidentes das escolas, acordarem para isso. Tem muita gente boa precisando de uma oportunidade para mostrar seu talento. Não existe somente uma forma de fazer pesquisas e sinopses, vamos diversificar o carnaval, senão daqui a pouco vamos ver erros na avenida horrorosos.

Postado por:Marilia Duarte | 14/08/2008 11:09:06

Na minha opinião da mesma forma que e´proibido um componente de uma comissão de frente ou um MS ou P.Bandeira, desfilar em outra agremiação. Deveria ser proibido também um profissional fazer parte de várias sinopses. Dai sai as merdas que lemos nos ultimos dias.

Postado por:Carnaval | 13/08/2008 23:23:25

LF excelente artigo. O samba merece profissionais como vc. O samba que deixou de ser perseguido e tratado como marginal!?

Postado por:Marcio | 13/08/2008 21:09:23

LFR, quando a maioria das escolas realmente notarem o quão importante poder ser um Departamento Cultural o carnaval crescerá e muito. Aliás, isso merece uma coluna: o trabalho que os DC's do Salgueiro, da União da Ilha (que infelizmente hoje é desprezado pela atual diretoria) e da Lins Imperial, só para citar 3 escolas, fazem ou fizeram em suas escolas.

Postado por:Penelope | 13/08/2008 18:49:11

Concordo cem por cento com sua argumentação e gostaria de acentuar a importância de uma escola ter um departamento cultural e musical, como diria o Daniel do Dia na Folia, "quer informalidade vai pro bloco"

Postado por:carnavalesco | 13/08/2008 16:28:04

Pessoal, vamos prestar atenção. Não estou discutindo se é certo ou errado, mas o Grupo Especial só tem 12 escolas por um motivo muito simples: A TV Globo, com suas novelas, Fantástico, etc, não quer perder mais tempo na transmissão dos desfiles de domingo e segunda e a Liesa teve que aceitar. Não tem discussão com a "poderosa", é isso aí e pronto.

Postado por:Amilton | 13/08/2008 15:20:05

Eu acredito que esteja muito bom um dia no acesso A com 10 escolas. O que não está bom é o especial em dois dias com apenas 12 escolas, eu nunca irei admitir isso. 14 escolas seria o ideal e teria espaço e tempo para elas sem dúvida alguma. No caso do Acesso A, se voces querem dois dias pode muito bem ser 16 escolas, 8 por dia. Para mim, e já cansei de colocar isso, seria assim: Grupo especial (domingo e segunda na sapucaí): 14 agremiações. 65-80 minutos para cada uma desfilar; Acesso A ( Sábado na Sapucaí): 10 escolas. 50-65 minutos para cada; Acesso B (terça na Sapucaí): 12 escolas. 40-55 minutos para cada Acesso C ( Sábado na Intendente): 14 escolas. 30-45 minutos Acesso D ( Domingo na Intendente): 15 escolas. 25-40 minutos Totalizando 66 agremiações Não teria acesso E, as duas últimas colocadas no D dariam lugar a outras 2 que se propoem em ser escola de samba. Em todos os grupos subiriam 2 e cairiam duas. As escolas mirins, desfilariam na Sexta-feira como já o é.

Postado por:GLORIOSO | 13/08/2008 12:16:59

Concordo também,que o enredo tem que ter a participação efetiva de um seguimento importante da escola em sua elaboração,é a parte emocional que se fará representar,através de quem tem o conhecimento real da capacidade de sua escola,de sua comunidade,enfim,experiência suficiente pra sentir se realmente aquele é um enredo pra atender as espectativas históricas da escola.

Postado por:Julianna | 13/08/2008 11:08:55

Eu acho que a LESGA deveria promover as escolas Unidos de Padre Miguel e Arranco e perfazerem 12 escolas no Acesso A, assim como no Especial, com dois dias de desfiles (sexta e sábado, começando as 22h) e oitenta minutos para cada escola desfilar. Se a LESGA quer seguir o mesmo regulamento que a LIESA deveria se espelhar em tudo. Assim, a Liesa poderia promover duas escolas da LESGA e descer duas escolas e a LESGA mandar uma escola para AESCRJ e a AESCRJ promover uma escola para a LESGA.

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