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Opinião - Felipe Massa: Pronto para vencer

Felipe Maciel* | Opinião Pit Stop | 12/08/2008 18:03

Tem piloto que nasce com o dom natural para ser campeão. Outros necessitam de um esforço incondicional ao longo da carreira para alcançar o nível de grande vencedor.

Este último caso parece ser o reflexo exato de certo brasileiro chamado Felipe Massa, que viveu - e ainda vive - uma desafiadora trajetória na Fórmula 1: a de superar seus limites para aprender a ser gente grande.

Contratado pela Ferrari desde 2001, Massa chegou à categoria no ano seguinte e fechou a temporada de estréia sob protestos do chefe Peter Sauber. O pessoal de Maranello conhecia seu potencial, mas precisava domar aquele instinto selvagem. Longe das competições, 2003 foi o momento de acalmar os ânimos com o cargo de test-driver da escuderia italiana.

Após os primeiros aprendizados em time grande, Felipe retomou seu lugar no grid em 2004, mas foi o desempenho na temporada 2005 que garantiu a vaga de titular na Ferrari. A última corrida daquele ano foi a despedida de Peter Sauber das pistas, que presenteou o brasileiro com o bólido usado no GP da China. O salto de performance era ilustrado pelo sorriso do sisudo patrão.

Se 2006 foi titubeante ao lado de Michael Schumacher, a aposentadoria do heptacampeão permitiu a renovação de contrato para 2007. Enfim, Massa ganhou a chance de disputar o campeonato mundial. Pena que decepcionou. 

Rápido, sem dúvida. Porém, irregular. Para os padrões atuais da categoria, este é um defeito imperdoável. 

Com o anúncio do novo modelo mais bem adaptado à tocada de Kimi Raikkonen, o que esperar do brasileiro em 2008, se não um ano ainda pior?

Mas, surpreendentemente, os ventos tomaram novo rumo. Felipe cresceu no instante em que o regulamento estipulou uma dirigibilidade menos mecanizada. Se existe uma palavra para definir a temporada que vem desenvolvendo, esta palavra é "amadurecimento".

Amadurecer não significa retrair seu estilo agressivo. Pelo contrário, significa saber a hora de usar a agressividade natural que possui e o momento de agir com conservadorismo. Os erros não deixaram de existir, no entanto a freqüência de falhas declinou sensivelmente. Massa venceu seu maior ponto fraco.

Outra virtude que o ferrarista demonstrou na temporada corrente é a capacidade de lidar com a pressão. Para ele, tal comportamento é fundamental, porque estamos falando do piloto mais sujeito à pressão de todo o grid.

Em caso de mau resultado, sabe que será criticado por italianos - da terra da Ferrari -, espanhóis - da terra de Fernando Alonso -, e brasileiros - da terra de Ayrton Senna. A cobrança vem dos torcedores da maior equipe de todos os tempos; dos fanáticos pelo piloto que ostenta maior número de títulos na atualidade; e dos rigorosos conterrâneos que exigem, impacientemente, um novo gênio das pistas.

Ciente do que é capaz, Felipe fala publicamente que não se importa com as críticas de uma prova negativa. Diz que basta manter o foco na etapa seguinte, que uma corrida positiva implica em elogios. E o mais importante de tudo: tem total consciência de que os elogios não garantem título e as críticas não lhe tiram o direito de disputá-lo.

Assim, ele ignora a repercussão de etapas infelizes como Malásia e Inglaterra, bem como a de boas exibições, a exemplo dos GPs da Turquia e da Hungria. O que dizem por aí não tem valor, mas a corrida subseqüente vale dez pontos. É esse o espírito.

Massa é um exemplo ímpar de superação. Nasceu sem talento nato para ser campeão, porém dotado de uma elevada capacidade de aprendizado e uma disposição inigualável para alcançar o estágio mais vitorioso. Soube aproveitar bem todo o suporte oferecido pela Ferrari e, finalmente, parece ter cravado o ponto chave da curva de evolução que descreveu até aqui. 

Caso conquiste algum Mundial, todos saberão que o título estará em boas mãos. Pela primeira vez na carreira, podemos afirmar sem medo: Massa está pronto.

Da selvageria à pilotagem madura. Presenciamos um dos maiores progressos de um piloto que a F-1 já viu. Esse meio tempo serviu para nos trazer a grande pergunta: Conseguirá Felipe se tornar campeão do mundo?

O tempo trouxe a pergunta e cabe ao mesmo trazer a resposta.

*Felipe Maciel é comentarista da Rádio Manchete do Rio de Janeiro, escreve o Blog F-1 e colabora com o Portal SRZD

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Postado por:Clara Quartieri | 13/08/2008 18:12:40

Muito boa a matéria, Parabéns!

Postado por:Romero Bittar | 13/08/2008 12:15:53

Obrigado pelas informações sobre o meu ídolo Felipe Massa, e creio que o tempo responderá que sim.

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