Ansiedade pode ser genética
Redação SRZD | Comportamento | 12/08/2008 15:05:00
Segundo cientistas da Alemanha e dos Estados Unidos, a ansiedade pode ser genética. Em experimento, foi mostrado que pessoas com variações em determinado gene, regulador da quantidade de dopamina, reagem de forma exagerada às imagens desagradáveis. Isso pode ajudar a explicar por que experiências traumáticas dão lembranças ruins para uns, enquanto para outros desenvolvem condições como o estresse pós-traumático.
Os pesquisadores - entre eles Martin Reuter, da Universidade de Bonn, na Alemanha - recrutaram 96 mulheres com idades em torno de 22 anos. Primeiro, determinaram que participantes carregavam as diferentes variações do gene COMT - chamadas de Val158 e Met158 -, para, depois, expor imagens agradáveis, neutras e desagradáveis.
Enquanto as fotos eram observadas, barulhos aborrecedores eram reproduzidos. Eletrodos conectados aos músculos dos olhos das voluntárias mediam a intensidade do choque (ou susto) que cada mulher sentia.
Uma análise comparativa das diferentes reações revelou que as portadoras de duas cópias da variação Met158 do gene COMT apresentaram reações mais fortes às imagens desagradáveis do que as que tinham duas cópias da variação Val158, ou das que traziam uma cópia de cada variação.
As voluntárias que traziam duas variações Met158 também apresentaram maiores sinais de ansiedade quando fizeram um teste básico de personalidade. Logo, os autores acham que tais mudanças genéticas estão associadas a níveis maiores de dopamina no cérebro.
Entretanto, o psicólogo Chritian Montag, co-autor da pesquisa, ressalva: "Esta única variação genética é potencialmente apenas um entre muitos fatores influenciando um traço tão complexo como a ansiedade". E acrescenta, "um dia, talvez, seja possível receitar a dose certa da droga certa, relativa a uma composição genética, para tratar transtornos de ansiedade".
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