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Mágoa

sidney rezende | Sidney Rezende | 12/08/2008 08:58

A sociedade brasileira não tem uma relação amistosa com a imprensa. As reclamações contra a mídia são de que se publica denúncias sem apuração aprofundada; Avacalha-se a moral das pessoas e quando a correção se faz necessária ela aparece escondida num canto da publicação; a imprensa tem interesses comerciais não declarados, mas após leitura atenta aparecem no tratamento da informação; jornalistas são despreparados e arrogantes. E, finalmente, fala-se tanto de ética e isenção, mas a mídia é a primeira a virar as costas quando se reclama que seus assuntos internos deveriam ter tratamento público.

Neste momento olímpico, são os atletas e seus principais preparadores quem reclamam da forma como a mídia trata "vitoriosos e derrotados".

Dois exemplos, entre tantos. Antes da disputa em Pequim, - e mesmo durante- , o judoca João Derly era considerado "um dos maiores talentos do esporte nacional". Bastou sua derrota para ser esquecido pelos jornalistas. Ronaldinho Gaúcho estava liquidado para o futebol, eis que agora reaparece como gênio. Em tempo, Ronaldinho é mesmo gênio, quer queiram ou não seus detratores.

O fato é que as coberturas jornalísticas de grandes eventos costumam ser difíceis, onerosas e desgastantes. Quando se desloca equipes para esta tarefa torna-se necessária a preparação de outras para o serviço de retaguarda. Normalmente, horários não são respeitados, escalas são alteradas sem considerar agendas pré-estabelecidas e a exaustão física destes profissionais é notada à distância.

Mas nada disso justifica o atropelamento das regras básicas do bom jornalismo. Nós, profissionais deste ofício, precisamos urgentemente nos abrir para a sociedade, sepultar a prepotência e entender que não somos fruto da nossa única vontade, e sim, prestadores de um serviço indispensável. Desde que praticado com equilíbrio, seriedade e isenção.