SRZD | Inflação nas disputas de samba | Carnavalesco


Inflação nas disputas de samba

Isaac Ismar | Carnavalesco | 12/08/2008 08:04

Concorrer em disputa de samba-enredo requer talento, perseverança e dinheiro. Muito dinheiro. Isso, claro, se o objetivo da parceria for chegar na final e tentar a vitória. Além da inspiração divina para compor letra e melodia que se encaixam e emocionam, os autores precisam superar a concorrência acirrada nas escolas. E para impressionar diretoria e público é importante lotar a quadra com torcida organizada, confeccionar camisetas, gravar CD, pagar intérprete e alguns músicos, enfim, a lista de "requisitos" é grande e inusitada.
 
Na Imperatriz uma parceria chega a gastar até R$ 30 mil em um concurso. Josimar, que é compositor na verde-e-branca desde 2001, e tem duas conquistas por lá (2005 e 2008), contou que apenas no final de semana da decisão, um grupo de autores pode bancar de R$ 6 a R$ 12 mil apenas com a compra de ingressos.
 
- O mais caro é comprar ingresso. Quanto mais uma parceria permanece na disputa, mais se gasta com a entrada das pessoas que torcem pelo seu samba. Na Imperatriz, a diretoria distribui poucos ingressos, então, só de entradas, que custa cerca de R$ 10, uma parceria pode gastar de R$ 6 a R$ 12 mil para colocar 600 pessoas dentro da quadra na final - disse Josimar.
 
Mas se é tão caro investir em um samba, por que algumas escolas recebem em média 30 obras em suas eliminatórias anuais? Segundo Josimar, o amor e o gosto pela competição compensam.
 
- Com certeza é o prazer. Para um compositor ganhar uma vez, tem que tentar pelo menos três ou quatro vezes. Dificilmente um autor sai ganhando, a menos que vença o concurso consecutivamente, o que é raro na Imperatriz, pois existe um rodízio de vencedores na escola. Em algumas agremiações, a diretoria exige até 50% da verba que é paga pela gravadora - revelou.
 
E ainda tem a cerveja da galera que dá aquela força para a parceria amiga. Antes disso, caso não consigam um patrocinador (pode ser político, empresário, amigo...), os compositores precisam separar uma grana para pagar o ônibus que levará os seus incentivadores à quadra. Na finalíssima, um camarote bem decorado não é exagero.
 
O período que vai de agosto a meados de outubro é um dos mais lucrativos para as escolas. Depois de um longo tempo vazias, com exceção das feijoadas, as quadras voltam a receber um bom público, que cresce com o decorrer do concurso.
 
- É o momento que tem quadra cheia, venda de ingressos, mesas e cervejas e aluguel de camarotes. Na final a Viradouro chega a receber dez mil pessoas - enfatiza PC Portugal, presidente da ala dos compositores da vermelha-e-branca de Niterói.
 
Ele tem dez vitórias no currículo em 18 anos de escola. Na disputa para o carnaval de 1998, PC lembra que a sua parceria investiu R$ 49 mil. No ano passado foram R$ 38 mil.
 
- Pra chegar na final tem quem gaste R$ 60 mil, incluindo patrocínio, aluguel de dez ou 12 ônibus, fogos de artifício e outras despesas. Tem que correr atrás de amigos, empresários e político. O mais caro é a confecção de camisas. Na Viradouro temos a sorte de recebermos uma boa quantidade de ingressos. Apenas na semifinal e na decisão é que compramos as entradas da torcida - contou PC, que em finais leva 600 pessoas para torcer pelo samba.
 
Perguntado sobre a razão de gastar importantes quantias em concursos de samba-enredo, ele respondeu que o status de uma vitória compensa a maratona.
 
- Para quem ganha, o status é maravilhoso. Tem a divulgação positiva do seu nome, a imprensa, rádio e entrevista para jornais... - vibrou.
 
O compositor completa enfatizando que o lucro de quem tem a sua obra cantada no carnaval surge na conta bancária alguns dias depois da festa.
 
- O dinheiro pago pela gravadora é pouco. O que dá lucro mesmo é a Sapucaí, com a arrecadação do direito de arena, que vem depois de 30 ou 40 dias após o carnaval. As escolas que ficam nas seis melhores colocações têm uma porcentagem maior.


Para comentar essa notícia é necessário estar logado. Por favor entre o seu login e senha no formulário abaixo. Caso não possua um, clique aqui para criar o seu.


Postado por:GLORIOSO | 15/08/2008 10:31:43

Falou tudo Valéria,porque a maioria dos que que julgam na quadra,não presta a atenção nos sambas e sim em quem está cantando,muitos ficam igual a uns bobos babando.Certa vez,olhar fixo no palco,um julgador comentou comigo que o melhor samba era o do Wander Pires,no que lhe perguntei arcásticamente quem eram os autores e ele não soube responder,no que lhe falei:leia na letra pô,Wander Pires é apenas o intérprete...e por aí vai,estava arriscado eu lhe perguntar quais as notas musicais,as que aprendemos no primário e o "julgador" não saber responder.

Postado por:VALERIA | 14/08/2008 11:19:51

QUEM VER UM ZE NINGUEM CONTRATAR: 1-DOMINGUINHOS 2-WANDER PIRES 3-LUIZINHO ANDANÇAS 4-WANTUIR 5-PRETO JOIA 6-DAVID DO PANDEIRO 7-NEGUINHO 8-TINGA 9-BRUNO RIBAS SE NÃO FOR DE ESCRITORIO NÃO LEVA NENHUM DESSES O QUE VOCE VAI FAZER EM UMA DISPUTA DE SAMBA COM O SEU PRIMO OU VC OU UM AMIGO CANTANDO, CONTRA ESSES GIGANTES ACIMA.

Postado por:Marcos Fernandes | 14/08/2008 10:35:52

Caro Glorioso,às vezes todos nós somos tomados por algum tipo de delírio, e eu, não seria a excessão da regra. Querida Penelope, a tal lei Rouanet que eu saiba, serviu apenas para àquela escola de Nilópolis no carnaval 2007. Depois virou cabeça de bacalhau(se é que você me entende).

Postado por:Penelope | 14/08/2008 06:00:03

A dica é ficar profissa, o compositor que tem nome no meio deveria cobrar por sua obra, como os puxadores, pois quando o poeta é pobre (maioria) ele empresta o nome dele mas entra no rateio (injusto) e não se envolver nesta disputa de quadra , deixar isso para os organizadores, animadores, sei lá... O patrocinio é fundamental, sugiro ainda abir uma empresa e legalizar como associação cultural para captar recursos , quem sabe até utilizar a Lei Rouanet. Profissa galera, tem que comer um pedaço do bolo.... Quem sabe "Fundação de Apoio ao Poeta Verdadeiro" a FAPV

Postado por:Daniel | 13/08/2008 15:35:19

A União da Ilha em 2006, liberou a entrada das torcidas até certa hora, gratuitamente. para os compositores foi ótimo. Gataram menos com ingressos e cerveja e puderam investir em palco e na gravação. Quanto a escola, também lucrou. A quadra ficava cheia mais cedo e o bar vendia mais comida e bebida. Tanto que em alguns ensaios chegou a acabar a cerveja. Esse ano está adotando o mesmo critério. Entrada franca até 0:00h.

Postado por:Dedé Adade | 13/08/2008 14:39:52

Caro Lucio Costa, sua idéia é interessante, mas sem muita aplicação, creio. Imagine que a LIESA só entrega os ingressos uma semana antes do carnaval. Aqueles que de fato compram os CDS gostam de estar com eles no começo de Dezembro, no máximo. Além disso, algo bem importante é que todos os compradores de frisa ganham um CD. Cada frisa ganha 6 CD's...de certa forma, entao, sua ideia já é aplicada, mas como um marketing positivo da LIESA para com os seus clientes mais robustos financeiramente falando.

Postado por:GLORIOSO | 13/08/2008 12:37:59

Nobre Marcos Fernandes,voce acredita mesmo na receita estadual ?????..... ou está apenas de brincadeirinha nesta manhã de temperatura a meia bomba,rs,rs,rs.... Um abraço aí do Glorioso.

Postado por:Marcos Fernandes | 13/08/2008 11:51:58

Glorioso e Lucio Costa, suas explanaçôes foram perfeitas. Sem contar essa idéia maravilhosa do Lúcio, no tocante à reforma das quadras. Eu fico imaginando,se certos dirigentes, de determinadas agremiações, fossem obrigados por lei a terem que prestar conta dos gastos de suas escolas, com à receita estadual. É por essa, e outras, que, algumas quadras hoje, são verdadeiros pardieiros.Enquanto escola de samba (proporcionadora de lucros estratosféricos)for tratada nos dias de hoje, como entidade filantrópica, jamais abriremos essa caixa-preta.

Postado por:Frede França | 13/08/2008 10:32:29

Lucio Costa, A sua sugestão é excelente e estou contigo nessa!!!!!! Quero ver a LIESA bancar a idéia....rsrsrsrs

Postado por:luciocosta | 12/08/2008 22:45:36

Muito boa matéria,agora gostaria de saber algumas coisas,dúvidas: Prq as Escolas que já arreacadam horrores com a escolha do samba, ainda leva 50% do prêmio? Prq este dinheiro não vai para reforma de algumas quadras, como uma clausula abrigatória de exigencia para estas Escolas receberem este percentual? Sugestão: Prq, a LIESA,não faz uso da venda do CD,exemplo o preço de custo seria o mesmo preço cobrado para numa venda casada na compra do ingresso para o desfile na Marquês de Sapucai. O público, compraria o seu ingresso para ver o desfile e compraria o CD, também. Acho que iria aumentar e muito as vendas dos CDs,concordam?

Postado por:GLORIOSO | 12/08/2008 19:44:44

Em tempo,o grande problema dos compositores que vencem,é que a maioria das escolas,passaram a adotar o sistema de descontar uma parte forte deste filão,pagando às parcerias,somente,algo em torno de 50 á 80 por cento do valor,se aproveitando do fato de que,se o compositor fosse receber diretamente,teria que pagar um valor correspondente de imposto de renda,já as escolas que são consideradas entidades filantrópicas recebendo,o valor do imposto não é cobrado,assim quando recebem e dinheiro na mão é vendaval,as escolas repassam aos compositores com uma mordida pior que a do Leão e quem ousa reclamar?...é melhor então nem entrar nas disputas...

Postado por:GLORIOSO | 12/08/2008 19:28:25

Perfeito Valéria e como perguntado,o que leva a maioria dos compositores a tentar ano a ano,é para que consigam fazer igual aos que já venceram,ou seja,a parceria separa bôa parte do valor ganho,para que seja investido no próximo concurso essa é a esperança de quem tenta,acreditando sempre no seu potencial,SONHANDO sempre com um julgamento justo em prol do melhor samba,mas a descomunhal diferença nas apresentações onde os melhores sambas,mas sem torcidas,são impiedosamente cortados em prol dos que enchem as quadras com suas estruturas,os culpados não são os vencedores e sim as escolas que sabem e permitem,porque lucram muito com esse sistema e compositor que nega este fato é porque se beneficia do mesmo.

Postado por:VALERIA | 12/08/2008 15:40:46

CAMPEAO = - 185.000//250.000 GASTOS = +- 35.000/50.000 LUCRO P.P. = 5 = 17.000 + ? DAI PARA MENOS

Postado por:Caio Fonseca | 12/08/2008 15:08:47

Realmente, é um absurdo! Parabéns ao SRZD-Carnavalesco por fazer reportagens sobre essa vergonha que são os concursos de samba!

Postado por:Aldo | 12/08/2008 14:52:36

Realmente é caro demais estou em disputa de sambas a cercad e dez anos, e os gastos são absurdos, quanto mais avante vamos mais se gasta. Só de Palco gasta-se média de R$ 1000,00 por semana, mais R$ 600 por ônibus (estão inclusos aluguel, bebiba pra torcida e ingresso), sem contar as despesa de decoração de quadra, adereços de torcida e gravção de CD, mais R$ 800,00 reais, isso é uma gasto inicial gasto no primeiro mês de disputa, totaliazando algo em torno de R$ 8.000,00. Se passarmos ao segundo mês a despesa vai dobrando semanalmente e na final o valor pode chegar R$ 12.000,00 (na Beija Flor que o ingresso é barato e os ônibus percorrem distância pequena), estima-se para se fazer um trabalho razoável um custo minímo de R$ 30.000,00.

Postado por:Acelino Marinho | 12/08/2008 12:48:57

Alguem pode informar +ou- quanto ganha uma parceria vencedora ? ou se alguma escola para alguma coisa para os finalista ?

Veja todas as notícias do Carnavalesco | Assine o RSS

Galeria do Carnavalesco