| Hábitos de um bom amigo Apoio minha trajetória profissional no rádio num tripé. Rádio é hábito, prestação de serviço e não tem imagem. Os erros que a gente comete são quase sempre por esquecer algum destes preceitos.
A Rádio Globo tem um programa que é a prova de que habituar o ouvinte é uma receita que costuma dar certo. O Show do Antonio Carlos é assim. Não há surpresas. Se você ligar às 6h55 haverá um comentário sobre a novela. Por volta das 8h45 terá a simpatia da pudica e às 8h55 começa uma entrevista. É assim todo dia. Antonio Carlos entrega o que promete e desta forma, o ouvinte confia nele. Antonio Carlos é líder de audiência no Rádio AM há mais de uma década.
Esquecer que o rádio não tem imagem é mais fácil do que se pensa. Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial, só quem já viveu sabe a dor e a delícia de passar por ele trabalhando. Antes da minha primeira cobertura não tinha assistido a um espetáculo inteiro. E lá fui eu, para o setor de dispersão.
Armado com um microfone e aproximadamente 15 metros de cabo, movimentava-me pela Praça da Apoteose derrubando outros jornalistas, impedindo o caminhar de algum destaque e coisas assim. Um dos momentos tensos da noite foi quando Suzana Alves, a Tiazinha, chegou à dispersão. Ela era a grande sensação do carnaval (?!). Foi um alvoroço e involuntariamente fiz meus colegas de profissão brincarem de pular corda e como ali não era o lugar propício, derrubei alguns e enfrentei olhares hostis.
A atriz Thais Araújo havia desfilado e eu comecei a falar com ela. Disse: converso neste instante com a atriz Thaís Araújo que está irreconhecível...? e emendei alguma pergunta do tipo e a emoção de desfilar na Marquês de Sapucaí. É, os críticos diriam que eu deveria perguntar a importância do negro na cultura brasileira, ou a contribuição do samba para o país resolver a questão do comércio mundial, mas às duas da manhã na Sapucaí, façam-me o favor.
Você deve estar se perguntando, por qual motivo a Thais Araújo estava irreconhecível. Pois é, eu não informei ao distinto público que me ouvia naquele momento. Tal qual quem lê este texto, o ouvinte não sabia que ela estava vestida com uma roupa de época, com uma maquiagem branca, peruca branca, representando Xica da Silva, personagem que a celebrizara na TV. Foi necessário que o âncora da transmissão, Marcos Gomes, me perguntasse a razão pela qual ela estava irreconhecível. Esqueci que rádio não tinha imagem.
Pouco tempo depois a Thaís foi ser minha aluna. Eu olhei para ela e imperdoavelmente não a reconheci. Olhei e achei o rosto familiar, mas não fiz sinapse. Na hora da chamada o nome dela não estava na lista e fiz a indefectível pergunta se alguém não havia sido chamado. Ela levantou o dedo e eu perguntei o nome. Ela disse "Thaís" e eu "Ah, tá". Gentil, ela perdoou a falha do repórter.
E para encerrar uma história para contar o poder de uma boa prestação de serviço. Desenrolava-se a primeira Guerra do Golfo. Um navio da Marinha Mercante brasileira estava na região. A equipe de jornalismo da Rádio Globo conseguiu entrar em contato com a embarcação. Ao atender, o comandante agradeceu o empenho dos repórteres e mandou um recado para os parentes e amigos. Eles não estavam próximos dos bombardeios. No fim da narrativa, o mais inusitado. Eles souberam da preocupação de todos ouvindo a Rádio Globo no meio do Golfo Pérsico. Esqueci mais uma coisa do rádio. Ele é um amigo para todas as horas. Generosidade e parceriaFantasmasAbatido no vôoO bife em Campos dos GoytacazesGlobo/CBN.Essa eu já conhecia... Mas o detalhe do "irreconhecível" você não havia contado. Alunos nunca podem saber esses furos!Pois é... Desde que me entendo por gente escuto o "Show do Antônio Carlos" e o fomato é mesmo... Como explicar esse sucesso? Difícil!
Bom Soares, meu nome é Fernando Amaral, sou aluno da Estácio, e sou amigo de Laura Machado, sua ex-aluna e agora companheira de trabalho. Acontece que tenho um Blog (http://bloganalogico.blogspot.com) e gostaria de saber sua opinião. Ela seria muito importante!
Inclusive, toda 3ª feira eu tenho uma "coluna" que se chama "A palavra é do Visitante" onde convido pessoas a escreverem sobre um assunto qualquer. Seria um prazer e uma honra publicar um texto seu!
Bom, meu e-mail está aqui registrado e fico no aguardo por uma contato, seja pelo blog, seja pelo e-mail.
Desde já agradeço!
Um grande abraço e parabéns pelo seu trabalho!Concordo com a Carolina... Soares e suas aventuras pela Sapucai com certeza renderiam um excelente post ou até quem sabe uma gde série juntando "causos" de outros coleguinhas.... Aguardo o próximo.Essa história da Thaís Araújo me lembrou daquele camarote da Brahma. Você deveria fazer um post só sobre a cobertura de Carnaval e suas agruras. |