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Agenda semanal

Julio Hegedus Netto* | Economia | 11/08/2008 19:21

O mercado doméstico operou em forte queda nesta segunda-feira (11), derivado da influência do recuo das commodities agrícolas e minerais, derrubando os papéis da bolsa paulista, com destaque para as blue chips Vale e Petrobras.

Com o dólar numa trajetória de recuperação no mercado internacional vem ocorrendo um ?desmonte de posições? nos fundos de commodities, com muitos investidores migrando para renda fixa nos EUA e no Brasil. Com isto, o mercado de renda variável vem sendo duramente penalizado. Importante ressaltar que nos EUA, com a queda das commodities e do petróleo, uma onda de otimismo vem ocorrendo, em função do arrefecimento no cenário inflacionário. Ou seja, os investidores já começam a acreditar numa recuperação da economia norte-americana.

Nesta segunda-feira, o barril de petróleo, inclusive, chegou a ensaiar uma alta pela manhã, por razões geopolíticas (conflito na Georgia), mas logo em seguida voltou a cair, seguindo a tendência de outras commodities. Importante salientar, também, que esta situação vem sendo provocada também pelas perspectivas de desaceleração da economia mundial, com destaque para a União Européia e o Japão. Nestes dois casos, suas respectivas moedas (euro e iene) apontavam na semana passada uma tendência de queda. 

No Brasil, uma boa notícia é o suave recuo nos índices de inflação, decorrente da queda dos alimentos. O IGP-M, na sua primeira prévia, registrou deflação de 0,01%, após alta de 1,55% no fechamento de julho, o IPCA registrou 0,53% no referido mês, abaixo de junho (0,74%) e o IGP-DI passou de 1,89% para 1,12%. Ou seja, tanto no atacado como no varejo há um recuo nos principais índices de preço. Isto configura um cenário inflacionário mais benigno no segundo semestre, ainda mais em função da conjunção de uma série de fatores, como a safra agrícola recorde deste ano, aprofundamento da queda do trigo e do feijão, da chamada ?lavoura temporária?, e desarme de posições nos mercados internacionais de commodities.

Em síntese, com as commodities em baixa no mercado internacional, a inflação já começa a ser revisada para baixo. Na pesquisa da Focus do dia 8 isto ficou bem claro. Para 2008, o IPCA passou de 6,54% para 6,45%, o IGP-DI de 12,13% para 11,33% e o IGP-M de 12,0% para 11,03%. Em 2009, estes três índices citados foram projetados em 5,0%, 5,4% e 5,48%, respectivamente. A taxa de câmbio foi revisada para R$ 1,60, o juro a 14,75% ao fim deste ano, recuando a 14,0% no ano que vem. Para agosto, estamos prevendo o IPCA em torno de 0,4% e o IGP-M próximo a estabilidade, ou mesmo negativo.    

Sobre a agenda da semana, destaque para os indicadores norte-americanos e os vários balanços domésticos. Nesta segunda-feira, não houve grandes novidades, a não ser pela Focus; na terça-feira, o IPC-Fipe, previsto em 0,4%, e os balanços da Gol e da Eletrobrás; na quarta-feira, as vendas de varejo dos EUA, os estoques das empresas e o índice do mercado de hipotecas (MBA). Dentre os balanços, Eletropaulo, Copel, e AES Tietê; na quinta-feira, as vendas do varejo doméstico pela PMC do IBGE e os balanços do Banco do Brasil e da AmBev; e na sexta-feira, o predomínio de indicadores dos EUA, como o índice Impire State (NY) e o Sentimento do Consumidor de Michigan.

* Julio Hegedus Netto
Economista-chefe
Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos
julio@lopesfilho.com.br

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