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A festa dos sambas

Eugênio Leal | Eugênio Leal | 10/08/2008 19:39

Começa um dos períodos mais polêmicos do ano para nós que fazemos a cobertura carnavalesca. A fase das eliminatórias de samba-enredo mistura paixão e interesse comercial numa dose que tira muita gente do sério.

O SRZD-Carnavalesco está desenvolvendo um trabalho especial neste período, se esforçando para estar presente nas quadras desde o momento de entrega dos sambas a fim de brindar você com o material mais novo possível. A exposição dos sambas concorrentes é uma demonstração da seriedade e do profissionalismo que este veículo tem demonstrado na cobertura da nossa maior festa.  

É com este propósito que vamos começar a já tradicional análise das "safras". É um segundo passo nesta cobertura que se completará com as reportagens feitas nas quadras das escolas. Nosso enfoque é subjetivo, como prevê uma coluna, e não pretende influenciar esta ou aquela diretoria. Faremos uma leitura crítica das obras em geral e apontaremos as que se destacam, procurando refletir sobre os motivos que levam este ou aquele samba a ganhar o favoritismo.

Sou um compositor licenciado e sei bem o que é participar deste tipo de concurso. Já ganhei três vezes, estive em mais quatro finais e vi também três de meus sambas ficarem pelo meio do caminho. Peço compreensão a meus colegas que sempre procurarei tratar com muito respeito porque sei que fazem seu trabalho com muito amor.

Vou tentar escrever sobre duas escolas por semana, entre Especial e Acesso A. Prometo não deixar nenhuma agremiação de fora, mas peço que entendam se esta ou aquela escola demorar um pouco mais. Não se pode ter uma idéia de um samba ouvindo apenas uma vez. É necessário um tempo de maturação para que a melodia seja perfeitamente "digerida" e compreendida. 

Adianto que tenho algumas convicções antes de entrar nos méritos da safra. Acredito, cada vez mais, que as letras precisam estar mais poéticas e menos detalhistas. Valorizo a transmissão de mensagem de forma sensível e emotiva. Não está escrito em lugar algum que todos os setores, carros e alas precisam estar na letra do samba. Muitas vezes esta busca louca por inserir todo o enredo acaba gerando monstrengos de difícil compreensão. Liberdade poética, pelo amor de Deus!

Quanto à melodia tenho sentido uma grande necessidade de ouvir coisas novas, que fujam dos padrões repetidos nos últimos anos. O samba-enredo precisa se libertar também da estrutura "Refrão - primeira parte - refrão - segunda parte". Porque não ousar, buscar uma formatação diferente? Arte é criar, é buscar o novo.

É importante que tenhamos em mente que o samba-enredo é uma música composta para ser cantada em coral, durante sessenta ou oitenta minutos. Versos mais espaçados, fluentes, sem muitas sílabas, facilitam o canto dos componentes e a propagação do som que emitem, ajudando decisivamente a harmonia. 

Não é um trabalho fácil, muito menos de consenso. Muita gente irá discordar, o que é bom na democracia. O importante é que se abra um debate em alto nível, em prol da qualidade do nosso quesito mais importante, aquele que faz as pessoas se aproximarem ou se afastarem da festa. Que o ano de 2009 nos brinde com sambas antológicos!


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Postado por:Penelope | 13/08/2008 18:40:34

Além do que os chamados "escritórios" e esta cultura de valorizar o trabalho de quadra , somados a falta de conhecimento musical de quem escolhe , contribuem para a péssima safra de sambas , mas não é 100% , quando o "escritório" tem a sorte de juntar a parceria, Poeta + Dinheiro, nós saímos ganhando.

Postado por:Penelope | 13/08/2008 18:33:22

Bom, em relação as conspirações carnavalescas, acho que está bem resumido no tema Chaguismo da pagung, volto a afirmar que são todos farinha do mesmo saco. Mas referente a samba enredo, os chamados "escritórios" é o que há de mais atual em termo de confecção e execução dos mesmos , saudosismo a parte a obra pode ser atual e ter qualidade , basta simplesmente o poeta respeitar a construção do seu texto , a linha melódica e o enredo. No que tange ao enredo o mesmo deveria ser lido, pesquisado e entendido como se o compositor tivesse tendo a oportunidade de ter uma aula de história e depois fazer uma apresentação oral dentro de todo um contexto visual já pré-estabelecido. Ficou confuso ? O CARA TEM QUE SABER FALAR SOBRE O QUE SE ESTÁ LENDO... A impressão que tenho da maioria das obras é que pegam a sinopse, lêem um trecho, resumem até uma estrofe (conjunto de versos) e colocam os jargões ?e lá vou eu?, ?Na avenida? e por aí vai... a mesma forma de divisão da poesia como cita o Eugênio, é que nos faz perceber a mesmice no som da bateria e nas viradas dos sambas. Se em um ano um inovador lança mão de algum recurso no refrão , no ano seguinte pelo menos meia dúzia de sambas repetem o mesmo recurso, que pode ser uma parada ou uma interação com o público. Arriscar no novo também faz parte da festa.

Postado por:carnavalesco | 13/08/2008 09:53:25

Caro Giba, acho que você não entendeu muito bem o que eu quis dizer. Acompanho os desfiles há quase quarenta anos (ao vivo, quero que fique bem claro) e quero dizer que não sou contra as comunidades das escolas. Tentando ser mais claro, sou contra, isso sim, a Liesa e seus resultados roubados dos últimos anos, nos quais, para se justificar a "garfada", procura-se passar a imagem de força de uma ou outra comunidade, em detrimento de todas as demais. E o que é pior: acobertados por uma certa parcela "adesista" e puxa-sacos da mídia, que vive à custa de benesses dos patronos, mas que se presta, uma pena!, a formar opiniões, de forma equivocada, sobre o que deveria representar, de fato, a verdadeira grandeza dos desfiles, que deveria se fundamentar principalmente, ao contrário do que vem ocorrendo, nesses valores que você bem colocou aí embaixo: samba-enredo, harmonia, evolução, enredo e não nas bobagens que vem sendo premiadas ultimamente, tipo: Coari, Macapaba, etc.

Postado por:carlos aurelio | 13/08/2008 06:33:29

concordo com carnavalesco.aliás este negógio de comunidade, seria mais bem dito ,escravos.comunidade é quem vai à escola ,gosta e desfila ,pagando ou não. o que se vê são desfavorecidos obrigados a uma rotina muitas vezes exaustiva e na maioria dos casos,sem alegria carnavalesca,se preparando como um adestramento militar em troca de fantasia.querem roubar tudo bem ,mas não nos façam de palhaços,não é a toa que a liga se dátão bem com o governo,são iguais em hipocrisia e safadeza.

Postado por:Giba | 12/08/2008 22:55:00

Carnavalesco você está totalmente enganado quando fala de carnaval e comunidade, pois o trabalho quando e bem feito, com ela e praticamente impossível perde o titulo, pois se você acompanha os desfiles e apurações, vera que os quesitos que as escolas perdem pontos e justamente os quesitos que precisam do apoio da comunidade, ex.: EVOLUÇÃO, HARMONIA,SAMBA ENREDO E OUTROS, pois os desfiles estão cada vez mas perfeito.

Postado por:GLORIOSO | 12/08/2008 18:52:27

Bom,com todo o respeito,espero total imparcialidade da coluna neste assunto,pois será triste ver elogios só aos "famosos" e pau nos verdadeiros compositores,mas "desconhecidos",também não estou dizendo que assim o será,mas que os comentários sejam de uma visão justa e não embalados pela empolgação das torcidas nas quadras,porque aí,só vai dar samba dos "tubarões",mas será uma excelente oportunidade para os debates.

Postado por:carnavalesco | 12/08/2008 14:05:17

Quem inventou esse negócio de que todos os setores, carros e alas precisam estar na letra do samba foram os próprios chefões da Liesa. Assim, há sempre uma desculpa para disfarçar a roubalheira dos resultados dos últimos anos. Quando uma escola da turma deles se apresenta com sambas sofríveis, e o resultado já está na gaveta, vem sempre uma voz dessa turma dizendo: "ah, mas é um primor de descrição do enredo, do desfile" e outras baboseiras. O pior é que os baba-ovos acreditam, tem sempre alguém para ver no resultado garfado um primor de organização, de força da comunidade aguerrida da escola, e coisa e tal. Ora, força da comunidade, para mim todas as escolas têm ou deveriam ter, e, portanto, o que se conclui é que isso já virou sinônimo de empulhação e desmandos da turma do "patronato". Até mesmo porque fica muito fácil falar de organização, quando as partidas são sempre ganhas por quem "é o dono da bola", ficando moleza, a partir daí, produzir melhores desfiles por se auferir uma verba maior, como se sabe, distribuída em função da colocação das escolas, o que também redunda em melhores patrocínios, divulgação, etc.

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