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Saldo cambial negativo em julho

Julio Hegedus Netto* | Economia | 07/08/2008 19:23:00

Os mercados seguiram voláteis nesta quinta-feira (7), ainda influenciados pelos indicadores da economia norte-americana. No mercado, é tese corrente de que a crise ainda deve piorar para os nossos lados, antes de uma recuperação, talvez em meados do ano que vem. Este quadro de indefinição, inclusive, pode ser visto pelos dados cambiais de julho e no decorrer deste ano.

Em julho, pelo lado financeiro, o saldo foi negativo em US$ 5,13 bilhões, mesmo com o saldo comercial positivo em US$ 2,63 bilhões. Com isto, o saldo cambial total acabou negativo em US$ 2,49 bilhões, o pior desde dezembro de 2006. Neste mês citado, o saldo havia sido negativo em US$ 3,46 bilhões. Nos últimos dois meses deste ano, o saldo foi negativo em US$ 3,37 bilhões, com grande contribuição do saldo financeiro, negativo em US$ 30,46 bilhões. Neste caso, decisiva foi a saída de recursos da bolsa de valores, de US$ 3,47 bilhões em julho, o que se explica pela cobertura de prejuízos dos investidores nos seus mercados de origem.

Somado a isto, as remessas de lucros e dividendos também se mantiveram intensas neste ano, já que as matrizes das empresas multinacionais vêm incorrendo em prejuízo, gerado pela crise de crédito nos EUA. Com isto, as filiais no Brasil vêm aproveitando para transferir seus lucros na cobertura destas perdas.

No ano, as remessas já totalizam cerca de US$ 20 bilhões, concentradas em dois setores, automobilístico e financeiro. Por outro lado, mesmo com estas saídas, o câmbio se manteve apreciado entre julho, com a moeda norte-americana passando de R$ 1,59 para R$ 157. Isto se explica, pois muitos investidores, atraídos pela arbitragem de juro, com o doméstico a 13% e o externo a 2%, aproveitaram para retornar investindo em renda fixa no País.

Além disto, há uma sobra de divisas no mercado, visto que os bancos também vêm aproveitando ?para desovar suas divisas?. Entre junho e julho, eles reduziram em US$ 4,39 bilhões sua posição comprada em moeda estrangeira, de US$ 7,33 bilhões para US$ 2,98 bilhões. Ou seja, os bancos acabaram vendendo um grande volume de divisas para o Bacen, os importadores e empresas que realizaram estas operações de remessa. Um retorno de recursos externos para as bolsas de valores dos emergentes, apenas quando a crise começar a se dissipar nos EUA, o que pode ser visto pelo preço dos imóveis usados, além de uma série de outros indicadores de desempenho, como atividade, renda e emprego.  

* Julio Hegedus Netto
Economista-chefe
Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos
julio@lopesfilho.com.br

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