"A invenção de Hugo Cabret" homenageia primeiros anos do cinema

Ana Carolina Garcia | Cinema | 17/02/2012 16h41

Foto: DivulgaçãoO nome de Martin Scorsese nos créditos de qualquer filme é sinônimo de bons filmes e grandes pérolas da história do cinema. E é exatamente um pouco dessa história que o diretor leva para as telas em "A invenção de Hugo Cabret" (Hugo - 2011), que estreia nesta sexta-feira.

Em 1902, Georges Méliès mudou completamente a história do cinema ao lançar "Viagem à Lua", a primeira ficção-científica da sétima-arte, numa época em que o cinema nem de longe era considerado arte. Méliès fez cerca de 500 filmes que se perderam com o tempo, principalmente depois da Primeira Guerra Mundial que deixou a Europa devastada.

Isso é mostrado ao longo de "A invenção de Hugo Cabret", adaptação da obra homônima de Brian Selznick, através de um menino órfão e solitário que vive numa estação de trem em Paris no início da década de 1930. Hugo (Asa Butterfield) comete pequenos furtos na loja de brinquedos da estação para poder consertar o autômato encontrado por seu pai num museu, acreditando que ele poderia conter alguma mensagem para ele e mudar sua vida para sempre.

Por ironia do destino, o dono da loja é Georges Méliès (Ben Kingsley), mas ele nem imagina quem é aquele senhor amargurado e triste. Um dia, é flagrado por Méliès e obrigado a entregar-lhe tudo o que tem nos bolsos, inclusive o caderno de anotações sobre o autômato, deixando-o perplexo e confuso. A partir daí, a trama começa a se desenvolver mostrando outros personagens que circulam pela estação, como o guarda e vilão atrapalhado vivido por Sacha Baron Cohen.

Foto: DivulgaçãoO filme é uma belíssima homenagem aos primeiros anos da cinematografia. "Como diretor, sinto que tudo realizado no cinema hoje teve início com Georges Méliès. E quando olho para trás e vejo os seus filmes originais, me sinto emocionado e inspirado, porque eles ainda carregam a vibração da descoberta mais de cem anos depois de terem sido feitos. E também porque eles estão entre as primeiras e mais poderosas expressões de um formato de arte que eu amo, e ao qual me dediquei pela maior parte da minha vida", diz Martin Scorsese.

O único problema dessa produção é a lentidão da parte inicial. A ação demora a acontecer, mas depois é um deleite para o espectador. A apresentação de alguns curtas do Primeiro Cinema, como os dos irmãos Lumiére e do próprio Méliès, só acrescentam pontos positivos ao filme, pois é uma delícia assisti-los na tela grande.

Direção de arte, maquiagem, figurino e tantos outros elementos fazem de "A invenção de Hugo Cabret" uma produção de qualidade que merece ser assistida ao menos uma vez. Nesse caso específico, a utilização da tecnologia 3D é válida. "Com as atuações e movimentos certos, o trabalho torna-se uma mistura de teatro e filme, mas ao mesmo tempo diferente de ambos", afirma Scorsese sobre o novo recurso. O diretor, aliás, faz pequena participação no filme como um fotógrafo.

"A invenção de Hugo Cabret" recebeu 11 indicações ao Oscar desse ano, inclusive de melhor filme e direção para Martin Scorsese, que recebeu sua primeira estatueta em 2007 por "Os Infiltrados" (The Departed - 2006).

Assista ao trailer:

Comentários (1)

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Regina

21/02/2012 20:49:27

O filme é digno de vários prêmios,simplesmente maravilhoso!

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