O novo Sambódromo

Thatiana Pagung | Thatiana Pagung | 11/02/2012 17h32

Na última quarta-feira, dia 8 de fevereiro, li aqui no site SRZD-Carnaval a matéria "Sob sol escaldante, Paes e Niemeyer visitam sambódromo", que me fez pensar sobre o assunto. A matéria trazia a informação de que o novo sambódromo terá 12.500 lugares a mais, atingindo a capacidade total de 72.500 espectadores.
 
Isso me faz recordar um artigo que escrevi neste espaço há quase 4 anos chamado "Para além do gigantismo e da luxuosidade no Carnaval", no qual afirmei: "A cada ano que passa, o desfile cresce em mídia, espectadores e público. Cresce no luxo, no tamanho, no visual..." e acredito que continue crescendo e com isso sendo modificado.
 
Desde que o nosso desfile de escolas de samba surgiu, vem passando por transformações, sejam estético-musicais, sejam de espaço. Quem não se lembra ou nunca viu, em filmes ou fotos, os desfiles na Avenida Rio Branco, ainda sem estrutura de arquibancada? O público era separado por cordas, e dentro do espaço acontecia a apresentação, que levava horas.
 
As arquibancadas foram surgindo, o carnaval foi se verticalizando cada vez mais - até que entenderam que o carnaval deveria ter seu palco próprio, e o sambódromo então foi criado. Mas a ideia original de Niemeyer era que as escolas representassem um ritual ao Deus do teatro, do carnaval, o Deus Baco, também chamado de Dionísio, em cuja mitologia as pessoas vinham pela rua comungando e bebendo vinho e, chegando a uma praça, uma pessoa personificava o Deus Baco - e então esse era o momento "apoteosis", o momento máximo. Davam a volta e retornavam pela mesma rua.
 
Apenas a Mangueira, no ano de inauguração do sambódromo, em 1984, assim o fez. Desfilou, fez a volta na praça da Apoteose e retornou. Mas como nosso carnaval cresceu muito, acabou que as duas saídas passaram a ser usadas: uma para os desfilantes, outra para as alegorias.
 
Voltando ao carnaval de 2012, que será histórico por causa do novo Sambódromo, quero fazer uma pergunta a você, leitor: Você acredita que a mudança no sambódromo, sua nova arquitetura, possa influenciar no desfile das escolas de samba?
 
Para não influenciá-los, darei minha opinião após registrar a de vocês.
 
***
 
Quinta, 09 de fevereiro, assisti à aula-show "Samba de enredo: história e arte", criada por Bruno Filippo com produção de Julieta de Faria.  Em uma hora e meia, o historiador Luiz Antônio Simas, coautor de livro homônimo, a cantora Joana Rychter e os músicos do Instrumental Carioca traçaram um painel do gênero, com histórias engraçadas, bonitas e informativas. A iniciativa é digna de aplausos, e tomara que tenha continuidade.

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Comentários (6)

Isso evita spams e mensagens automáticas.

Natália Cristina da Silva

05/03/2012 23:46:26

Frequento o sambódromo há alguns anos e cada ano que passa acho o carnaval comercial demais,mídia demais, artistas demais, "falsas rainha" demais e "povo de menos".Por isso acho os desfiles frios, sinto a falta de povo que gosta de samba e não de noveleiros que aproveitam o carnaval pra ver globais...Acredito ser necessário devido a grandiosidade das agremiações o toque comercial no espetáculo,mas lamento o distânciamento dos verdadeiros amantes do carnaval, pois davam ao espetáculo o toque de emoção que anda faltando.Essa é minha opinião é claro Thatiana!!!!

Nelson Jacobina (Jakó)

Membro SRZD desde 09/05/2012

27/02/2012 18:33:58

Claro que vai modificar e muito! Agora falta as escolas assumirem a sua iluminação. E a Pagung, falta editar seu filme sobre carnaval, para ser a sensação do Arraial cine fest 2013, inclusive ele pode ser lançado aqui. BJS.

Marco Aurélio Assunção

13/02/2012 10:54:54

A mudança no espaço físico do sambódromo, com certeza acarretará no crescimento do espetáculo. Os desfiles ficaram grandiosos, com uma mudança estética onde, as alegorias terão que se adaptar em preencher o espaço visual, deixando os desfiles mais harmonioso visualmente. É uma pena que os sambistas de verdade, ou seja, o carioca que realmente curte o espetáculo o ano todo, acompanha as agremiações desde a escolhas dos enredos, todo o processo de criação, visita as quadras, curtem o verdadeiro samba, não possa curtir o espetáculo de perto, uma pelos preços altos do espetáculo e outra, aqueles que querem pagar pelo preço não conseguem comprar pois a maioria dos ingresso vai para a mão de turistas e cambistas. Que venha o novo Sambódromo, que este ano o espetáculo seja maior do que todos, pois podemos dizer que o maior espetáculo a céu aberto é nosso, é brasileiro, é carioca.

Fernando

Membro SRZD desde 09/03/2011

13/02/2012 09:31:39

Concordo com os amigos abaixo, realmente o carnaval tá muito estranho. Era um amante do carnaval carioca, mas alguns fatos que vi acontecer me deixou muito decepcionado. Hoje em dia infelizmente a escola de samba que melhor se apresenta não vence, nas arquibancadas, pessoas frias, parecem estar num jogo de tênis. A emoção se tornou fato raro nos desfiles. Cada vez mais enredos sem nexo, desfiles engessados e pra fechar com chave de ouro, uma transmissão mediocre. Ah que saudades da minha infância, quando ainda existiam os desfiles emocionantes, onde na Sapucaí se apresentavam as "Escolas de Samba", época que a Rede Manchete fazia uma cobertura a altura do grande espetáculo. Mas infelizmente o tempo passa, as coisas mudam, pra melhor ou pra pior.

Nal galvão

12/02/2012 01:27:29

Quanto ao espaço físico, via ser ótimo, a simetria vai ajudar na acustica. Porém quanto a competição! Isso não é mais manifestação popular. É espetáculo pra inglês ver. Tá virando um misto de parada Disney e Las Vegas. E esses deslumbrados que comandam o carnaval acham que quem vem de fora vai querer ver uma imitação do que já tem lá! Lamento por isso e muito mais pela transmissão que só mostra as marombeiras e os artistas da casa, não se preocupam men em mostrar uma sequencai lógica do Desfile, sem falar do vai e volta das câmeras e acabam não mostrando o "espetáculo completo. Há eu não poderia esquecer das pérolas dos comenteriastas que nos sujeitamos a escutar. Monopólio é uma m....

Tião

Membro SRZD desde 26/06/2011

11/02/2012 22:46:23

É o tal negócio, Thatiana, eu acho que o novo Sambódromo pode mudar o desfile do sambista em alguns aspectos. Quando se tem mais gente, mais luz, mais mídia, pode ser que o sambista de raiz não curta tanto quanto os "periguetes" e as "periguetes" que fizeram da Passarela um lugar de exposição para elas e não um lugar de um ritual da cultura popular. Sei lá, o carnaval está meio esquisito...O desfile está com muitas regras, não é não?