Até as ditaduras sabem a importância de ter, entre seus quadros, "negociadores" experientes. O presidente Bashar al-Assad, da Síria, negocia mal internamente, mas é confiável para os governos da China e da Rússia.
Os militares egípcios correm o risco de entrarem para o lixo da história como incapazes depois de mandarem criminosos atacarem adversários num estádio de futebol. Era melhor negociar.
Se fosse possível uma segunda chance para o presidente Getúlio Vargas, ele teria preferido dispensar o temido chefe de Polícia, Felinto Müller, e contratado o maleável deputado Petrônio Portella, chefe da Casa Civil de um dos governos da ditadura seguinte, aquela que se instalou no país em 1964 e permaneceu dando as ordens por 20 anos.
E por que esta lógica? Negociar é sempre mais vantajoso do que mandar os cachorros. Lembra-se do ataque covarde sofrido em Salvador por Waldyr Pires e o deputado Ulysses Guimarães? O primeiro tornou-se governador nas barbas do poderoso ACM, Antonio Carlos Magalhães; e o segundo, o "pai" da Constituição de 1988. Pois é...
É burrice mandar polícia quando o assunto é de política. Nesta linha, está tudo errado o que está sendo feito na Bahia, neste momento, para tentar solucionar a greve dos policiais militares.
Quando a negociação é nenhuma, ou má conduzida, a insatisfação treme que nem boneco de posto e volta para cima do poder público como o João Bobo.
Quando vi a imagem na TV do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, descendo do jatinho de óculos escuros, eu senti logo que havia algo errado ali. Ele estava de óculos dentro do avião? Não. E para que descer as escadas como estrela de cinema? Parecia curtir o sol do nordeste. Não deu para ver se ele estava de sapato alto.
Em seguida, o ministro diz a asneira de que a "prisão de segurança máxima" já estava pronta esperando policiais militares grevistas. Bastava uma ligação para o governador Sérgio Cabral, que deverá enfrentar no dia 10 outro movimento dos bombeiros, para saber que greve por salário não é caso de polícia, e sim de política.
Onde estão os negociadores do governo Dilma?
lalo
21/02/2012 11:57:32
Li só agora este comentário sobre a greve dos policiais baianos e, em razão do tempo decorrido, deu para ver a tremenda bola fora do nobre jornalista. Talvez, se tivesse agido com mais isenção e independência, visto que o blog não é da Globo, e àquela altura dos acontecimentos já dava para vislumbrar que por trás do movimento havia mais coisas que mera revindicação salarial, a análise não tivesse sido tão desastrosa. Que sirva de lição.
Alberto
06/02/2012 12:39:42
Neste 2012 Jaques Wagner é o Cesar Borges de 2001. Realmente o que dá em Chico dá em Francisco.
Zappa
06/02/2012 10:15:11
Existe neste sururu da Síria, um referencial de interesses, que sem maquiagem, em forma clara sem conversa fiada, está sendo respaldo por russos e chineses e é aí que o bicho pega. Essa coisa de negociação não é tão fácil com parece, caro SRZD. Negociar significa, pelo menos teoricamente, resolver sem desagravos, mas também significa ceder, trocar, perder e perder ninguém quer. Pelas diferenças políticas de Vagas e seu e Estado Novo e as bases regentes da Ditadura militar/burguesa de 1964, não acredito que Getúlio trocasse o radical Felinto Muller pelo vaselina Petrônio Portela; politicamente seria um desastre. As greves, válido instrumento da classe trabalhadora no século passado, não podem ser encaradas em forma igual neste inicio de século XXI, mas por conveniência de muitos continuam sendo fomentadas por reacionários, pelegos e supostos líderes de classe. Greve no Brasil tem sempre por reivindicação apenas ganhos salariais, nunca, nenhum movimento objetiva transformações do processo de trabalho ou quaisquer outras benesses necessárias ao trabalhador. Todas são fomentadas por sindicatos, grupamentos geralmente comprometidos politicamente, sem nenhum compromisso real com os trabalhadores, mas sim, com suas existências lucrativas, advindas ainda da era Vargas. Saudações!
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