O dia em que Léo Batista deu carona para Nelson Rodrigues

Sidney Rezende | Sidney Rezende | 05/02/2012 00h33

Nelson Rodrigues estava na calçada aguardando o táxi que não chegava nunca. A dúvida da espera acelerava nele o cacoete de mastigar o cigarro no canto da boca. Hábito que acabou cultivando mesmo sem aflições prosaicas.

Foi neste justo momento que o hoje apresentador Léo Batista, atrasado, deixava a redação de "O Globo" rumo ao Maracanã, onde cobriria o jogo do Botafogo. Gentil, Léo ofereceu carona ao dramaturgo mais polêmico da ocasião. Dada a circunstância, quem sofreu foi o acelerador do bólito.

Já no estádio Mario Filho, Nelson não se concentrava na partida, embora fosse esse, provavelmente, seu desejo interior. Ele abaixava a cabeça, parecia sonolento, e só era "acordado" quando alguém marcava um gol. Naquela tarde, pelo menos uma vez, cutucaram o mestre.

No dia seguinte, não deu outra, a crônica do Nelson versava sobre o dia anterior e começava assim: "Ontem, eu e meu amigo de infância, Leo Batista, fomos ao Maracanã...". Detalhe para os mais jovens: Nelson não era, e nem nunca foi, amigo de infância de Batista.

O texto narrava detalhes do jogo e, no final, segundo o próprio Leo me contou, ele terminava: "Só tem uma coisa, nunca peguem carona com o Leo Batista, porque ele corre demais".

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