Euclydes Marinho fala da estreia de sua nova minissérie, 'O brado retumbante'
André Bernardo | André Bernardo | 17/01/2012 20h26
A teledramaturgia brasileira está cheia de políticos. Bons e maus. O mais famoso deles talvez ainda seja o verborrágico Odorico Paraguaçu, de "O bem-amado", de Dias Gomes. Inspirado na história real de um prefeito do Espírito Santo, Odorico (Paulo Gracindo) sonhava em inaugurar o cemitério municipal de Sucupira. Mas, para azar dele, ninguém morria na cidade. Para resolver tal desmando, Odorico contrata um matador de aluguel, Zeca Diabo (Lima Duarte). E adivinhem quem foi o primeiro defunto a inaugurar o cemitério?
No rastro do Odorico, vieram outros. Muitos outros. O mais recente deles teve fim trágico. Quem não se lembra de Reginaldo Ferreira da Silva, de "Senhora do destino", de Aguinaldo Silva? No último capítulo, o vereador populista (Eduardo Moscovis) acabou morto a pedradas. Como nem só de políticos corruptos vive a política brasileira, a telenovela também tem lá suas honrosas exceções. Como o Senador Roberto Caxias, de "O rei do gado", de Benedito Ruy Barbosa. Numa de suas cenas mais famosas, o Senador Caxias (Carlos Vereza) discursa a favor do MST para um plenário vazio.
A julgar pela sinopse de "O brado retumbante", Paulo Ventura (Domingos Montagner) está mais para Caxias que para Odorico. Mas nunca se sabe. Para evitar controvérsias, Euclydes Marinho (à direita da foto, com Denise Bandeira e Guilherme Fiúza) jura de pés juntos que não se inspirou em ninguém. "A gente ainda não teve um presidente como ele, sem medo de encarar a corrupção de frente", dispara Euclydes Marinho, que assina os oito capítulos da minissérie com o produtor musical Nelson Motta, a roteirista Denise Bandeira e o escritor Guilherme Fiúza, autor do livro "Meu nome não é Johnny".
André Bernardo - O que há de real e fictício na minissérie "O brado retumbante"?
Euclydes Marinho - "O brado retumbante" é uma obra totalmente fictícia, assim como seus personagens. Paulo Ventura, por exemplo, só existe neste Brasil paralelo, imaginário. Ele não tem nada a ver com ninguém que já tenha passado pela política brasileira ou, então, que ainda esteja lá. Acredito que a gente ainda não teve um presidente como ele, sem medo de encarar a corrupção de frente.
AB - O que motivou você a escrever uma minissérie de forte conotação política?
EM - O que me levou a escrever "O brado retumbante" foi um certo incômodo com a situação do país. Mas, ao contrário da política, que não é a minha praia, quis retratar o lado humano, comportamental, que é o que eu mais sei e gosto de fazer. Desde o início, quis fazer uma história adulta, sem maniqueísmo. O Paulo Ventura, ao mesmo tempo em que é boa gente, magoa a Antônia (Maria Fernanda Cândido). Ou seja, ele não é certinho o tempo todo. Há muito tempo, eu não escrevia um trabalho que me estimulasse tanto.
AB - Como você chegou ao ator Domingos Montagner, que interpreta o Paulo Ventura?
EM - O Domingos me foi apresentado pelo Ricardo (Waddington, diretor). Resolvi conhecer o trabalho dele como ator e logo descobri que ele estava "bombando" com as mulheres... (risos)
AB - Em "O brado retumbante", você trabalha com antigos e novos colaboradores. Como funciona esse trabalho a oito mãos?
EM - Por não ser a minha área, desde o começo do trabalho, precisei de alguém que entendesse de política. Até pensei numa consultoria, mas não sabia a quem recorrer. Foi quando recebi a indicação do Guilherme Fiuza, que foi um grande acerto. Ao mesmo tempo em que é jornalista, tem um pé na ficção. Por outro lado, voltei a trabalhar com Nelson Motta, um antigo "brother", e a Denise Bandeira, minha colaboradora há 30 anos. Ou seja, eu estou muito bem cercado.
AB - Este ano, você completa 30 anos de sua estreia na TV Globo, como autor principal da minissérie "Quem ama não mata". Quais são os seus trabalhos favoritos?
EM - São dois: a minissérie "Quem ama não mata", de 1982, e a série "A vida como ela é", de 1996. Destaco os dois pela qualidade dos textos e pela qualidade das realizações. Também citaria "Ciranda, cirandinha", pela liberdade criativa e pela ousadia que tivemos para enfrentar a censura que havia na época.
AB - Sua última novela foi "Desejos de mulher", há 10 anos. Quando pretende voltar ao gênero?
EM - Ainda este ano. Ou em 2013. Há um projeto meu sendo avaliado pela Direção de Entretenimento da TV Globo.
marcelo falcao
06/02/2012 13:44:51
ola queridos achei uma historia excelente , que misturou a ficção com acontecimentos reais que ja vivemos , politico morto em helicopetero me lembrou o ulisses guimaraes,,, depois lembrei de jose sarney quando assumiu a presidencia , com a morte de tancredo, alias o personagem do senador e o o jose sarney,, depois o impeachment do collor tb foi lembrado ,, e no final eu tenho certeza que o personagem do hugo carvana , seria o lula na historia , pricipalmente quando ele fala que enganou o pais inteiro durante os 8 anos de mandato ,,achei isto da historia
Petra Ramos Guarinon
30/01/2012 20:20:44
Assisti a minissérie toda, menos o último capítulo, que vi no GPS do carro, mal e porcamente... Sempre fico brava quando a situação fica no ar... Mas desta vez, não! Desta vez, eu como boa macaca de auditório da história, achei demais o final. A ex que reaparece toda de branco como quem não quer nada, o cheiro de novo romance no ar, e a esperança do novo mandato... isso, evidentemente, se ele ganhasse. É disso que nós vivemos: de esperança!!! Beijos Petra - desde Santo André - SP
Petra Ramos Guarinon
30/01/2012 20:01:16
Achei a mini série genial! Uma "colagem" dos políticos, da sujeira, da roubalheira, da falta de princípios que assolam nosso país. Em contraponto um presidente totalmente ético, com valores claros e honestos. Aquele presidente que deveríamos ter. Claro que algum "defeito" ele deveria de ter... E, esse defeito é ser mulherengo. Perfeito! Um Quixote lindo, romântico, corajoso, de peito aberto, decidido. Pena que as pessoas não tenham entendido a mensagem. Parabéns, Euclydes Marinho e equipe.
Fabio Gomes
29/01/2012 00:32:47
Parabens ao Autor Euclydes MArinho ....nao sou noveleiro e vejo poucas miniseries ....mas essa tive que dar atencao ....pelo jeito que acabou tem que ter uma continuacao.....nota 1000 vc mostrou o sonho de todo brasileiro honesto.
Giorgia Ramires de Castro
28/01/2012 17:25:38
Concordo com a Alessandra que escreveu logo abaixo. O último capítulo da série deixou no ar...O Brado Retumbante II? Seria ótimo se acontecesse.
Giorgia Ramires de Castro
28/01/2012 17:16:34
Achei "O Brado Retumbante" o máximo. Muito boa mesmo a minissérie, Na minha opinião, o enredo ótimo e o elenco excelente ( e o Domingos...ma-ra-vi-lho-so...que homem...e que personagem). Só sinto que o último capítulo ficou com um gostinho de "quero mais", talvez tenha faltado uma melhor conclusão? ou mais consistência neste capítulo? Mas, de qualquer forma, foi muito bom.
Gloria Campos
28/01/2012 12:19:58
Achei muito interessante a minissérie, mostrou com exatidão o que ocorre por "trás dos bastidores" da política nacional.
alessandra
28/01/2012 00:42:29
Gostaria de fazer um comentário em que a mini-série estava ótima, com atores maravilhosos (Domingos e Maria Fernanda) mas não entendi o porque de um final tão ridículo, na qual não sabemos quem foi o presidente, se o Presidente Paulo Ventura voltou para sua esposa e muito mais. Por ser uma mini-série de ficção acho que deveria ter um fim, tive tamanha ansiedade para assistir todos os dias e acabar me decepcionando com o final. Espero que o autor não nos decepcione nos próximos trabalhos (com seus finais) a não ser que tenha "O Brado Retumbante II".
DECIO
28/01/2012 00:02:28
Não assisti aos primeiros capítulos da minissérie, mas o que me chama a atenção é a forma como é mostrado a postura dos dois candidatos, José Wilver e Domingos Montagner. Temos visto campanha bilionária de Marketing tentando mostrar ao povo um Magaiver da democracia, que sabe resolver tudo de maneira rápida e bem feita e o que temos elegino nos últimos tempos são meros aprendizes de trapalhões. Aposto que na próxima eleição os Marketeiros nos apresentarão candidatos com a postura desse tal Ventura, criado com muita competência e sensibilidade pelo Euclydes Marinho...
Alberto Crespo
27/01/2012 01:15:28
Dizer que essa minissérie é genial está mais para a Globo do que para o Brasil ... infelizmente nem na ficção se fala algo sobre um Brasil melhor ... é sempre uma empurradinha da autoestima do povo brasileiro para baixo ... realmente somos vira-latas onde nada funciona ... tá na hora de mudar ... precisamos de algo que eleve nosso espírito ... Basta !!
christiane
25/01/2012 11:06:55
Estou amando a minissérie. A parte que mais me surpreendeu foi quando a 1ª dama desmascarou a corrupção envolvendo os livros didáticos. Sou professora e até hoje não consigo aceitar a forma que estão , há alguns anos, tratando a Língua Portuguesa e divulgando isso nos livros didáticos. O MEC divulga que nós é quem escolhemos os livros que vamos trabalhar com nossos alunos, mas na hora em que estes chegam às escolas são os enviados poe eles e não os que nós escolhemos. Ultimamente está bombando nas escolas a coleção completa do Cereja difícil de trabalhar, carregada de textos ( que dizem ser a forma certa de trabalhar contextualizadamente), mas que confunde a cabeça dos alunos e estes reclamam do livro por conter muitos textos e imagens ao mesmo tempo e outras coisas mais. Será que ele também é um pseudônimo de alguém para ganhar dinheiro às custas da Educação? O Brasil precisa deixar de seguir modismos e fazer dos atores da Educação "cobaias" das teses de doutorado de certos profissionais que se dizem ser da área da educação, mas quase não pisaram em sala de aula a não ser para observar o corpo docente e discente e concluir suas teses.
Sheila
25/01/2012 00:11:42
Faz muito tempo que nao assisto a uma minisserie tão boa. O texto é maravilhoso, os atores fantásticosssss. Prende a atenção... É realmente muito muito boa mesmo, pena que passa tão tarde e muitas pessoas não assistem... Compensa perder tempo com o BBB.
maria de fatima soares de pontes,santa cruz,rn
23/01/2012 17:42:38
Observação:Eucides Marinho,sem falar nos personagens principais que não poderia ser melhor do que Maria Fernanda Cãndido e Domingos.sem mais,
maria de fatima soares de pontes,santa cruz,rn
23/01/2012 17:41:32
Observação:Eucides Marinho,sem falar nos personagens principais que não poderia ser melhor do que Maria Fernanda Cãndido e Domingos.sem mais,
maria de fatima soares de pontes
23/01/2012 17:27:41
Esta obra é bastante importante para a história de nosso país,pois mostra que precisamos de políticos honesto para administrar o nosso país,pois os políticos cada vez mais corrói a nossa história brasileira.fica a pergunta:será que um dia vamos ter um presidente igual a Paulo Ventura ou ficará só na nossa imaginação?




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