Aumento de juros não irá atingir o cidadão
Redação SRZD | Economia | 31/07/2008 20:42:00
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar os juros de 12,25% para 13% a fim de combater a inflação e trazer a meta para 2009 ao patamar esperado - 4,5%. A explicação encontra-se na ata da última reunião do Copom, quando o BC decidiu quebrar o ciclo de aumentos dos juros em 0,5 ponto percentual - iniciado em abril - para subir 0,75 ponto, o maior salto desde o início do governo Lula.
"A estratégia adotada pelo Copom visa trazer a inflação de volta à meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN [Conselho Monetário Nacional], tempestivamente, isto é, já em 2009", disse o Copom. O Banco Central também declarou que o ritmo no índice de juros continuará "adequado às circunstâncias", caso haja qualquer possibilidade de risco à meta da inflação.
Nelson Carneiro, economista sênior da agência classificadora de risco Austin Rating, explicou, em entrevista exclusiva ao SRZD, que o aumento não irá atingir o cidadão. "A taxa Selic, que é a taxa básica, o referencial para todas as outras taxas, e é anual, subiu para 13% ao ano. O mínimo que ela atingiu em abril foi de 11,25% - uma diferença de 1,75%. E isso ao ano. Ou seja: por mês, há uma diferença de 0,01% - um impacto nulo para o cidadão".
"O Copom não quer frear o consumo, ele está querendo frear as expectativas para a inflação de 2009. Eles querem influenciar os analistas - vão aumentando os juros até que chega uma hora em que o analista pensa: 'com essa taxa de juros, a inflação vai ficar muito menor'. Dessa forma, eles vão começar a baixar a expectativa de inflação de 2009, para entrar na meta", concluiu Carneiro.
O Banco Central declarou ainda que uma inflação maior terá grande impacto sobre os juros do setor privado - o que pode afetar o crescimento da economia, "além de ter efeitos regressivos sobre a distribuição de renda".
"Nessas circunstâncias, a política monetária deve atuar vigorosamente, enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer", afirmou o Copom.
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