O mercado operou em queda nesta quinta-feira (dia 31), refletindo uma série de indicadores norte-americanos pior do que o esperado, assim como a Ata, sem grandes novidades, mas indicando novos apertos monetários nos próximos meses.
Nos EUA, o indicador do nível de Atividade de junho (PMI, Purchasing Manager Index), segundo o Fed de Chicago, veio em linha com o mercado, mas acabou destoando o PIB norte-americano e o número de pedidos de seguro-desemprego (Initial Claims), além de uma série de balanços corporativos mais fracos, como o Mastercard, Deutsche Bank (com perdas contábeis consideráveis), Telefônica e Unilever.
Sobre estes indicadores, a atividade industrial surpreendeu favoravelmente, com índice de 50,8 quando o mercado esperava 49,0, tendo registrando 49,6 no mês anterior; o crescimento do PIB foi de 1,9%, quando o mercado esperava mais (2,3%), sendo revisado o PIB do primeiro trimestre (1,0% para 0,9%) e do quarto trimestre do ano anterior (0,6% para -0,2%). Este resultado foi decepcionante, pois o mercado esperava um crescimento maior, dado o Plano de Reativação recentemente anunciado. Para piorar, vieram os dados de pedido de seguro desemprego, com 448 mil solicitações, bem acima do esperado.
No Brasil, acabou repercutindo a Ata, sem grandes novidades e sem o reajuste da gasolina (represada pela Petrobras), A preocupação com o horizonte inflacionário, no entanto, se manteve na "ordem do dia". Sobre as sinalizações dadas em relação aos próximos passos do Bacen, a impressão que se tem é que o aperto monetário poderá ser ainda maior no restante deste ano. Sendo assim, é possível que o "juro suba mais e mais rapidamente".
Para a próxima reunião do Copom, em setembro, já se trabalha com mais uma elevação de 0,75 ponto percentual, com a taxa elevada a 13,75%. Segundo a ata, a política monetária "irá atuar vigorosamente enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer". Nas estimativas anteriores de mercado, em torno de 14,25%, as revisões já começam a ocorrer, sendo consenso agora algo em torno de 15,0%.
* Julio Hegedus Netto
Economista-chefe
Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos
julio@lopesfilho.com.br
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