| Semana digna de Baco Caros leitores a semana que passou foi realmente digna de Baco, por quê? Simplesmente foi uma semana que vários importadores queriam mostrar seus vinhos, com isso tive, em média, duas degustações por dia, provando cerca de 40 vinhos, sem contar os que provo normalmente no meu trabalho, que são em torno de 30. Tortal: 70. Porém, tratando-se de uma prova profissional e eu já estar acostumado, não saí delas embriagado, diferentemente do meu xará da mitologia grega que saía sempre torto dos bacanais. Nada contra!!!
Bom, esta bela semana começou com uma degustação de champagne da Maison Henriot, importada pela Vinci. A degustação foi no Sushi Leblon. Combinação perfeita, pois a comida japonesa com seus condimentos - raiz forte, gengibre e shoyo - são muito difíceis de harmonizar e um dos poucos vinhos que combina com essas iguarias são os espumantes e champagnes, que, devido ao gás carbônico natural, possuem frescor suficiente para balancear o calor proporcionado pela raiz forte, o apimentado que se mistura bem com o frescor do gengibre e a doçura, equilibrada com o salgado, junto com a acidez do shoyo.
Para mim, os destaques foram a Henriot Souverain Brüt, que apresentou um nariz complexo lembrando a flores amarelas e brioche; na boca, tinha um ótimo frescor e final de boca longo lembrando a pão torrado. O grande destaque foi a Henriot Cuvée des Enchanteleur Brüt, top de linha da maison. Apresentou um nariz intenso e persistente de notas tostadas, na boca sua estrutura era excelente, belo frescor e fundo de boca muito longo e complexo.
Continuando a semana a outra degustação de destaque foi a da Bodega Argentina Terrazas. Os vinhos da Bodega foram apresentados pelo argentino e embaixador da marca, Lucas Lowi. Os destaques da degustação foram os seguintes vinhos: Reserva CHARDONNAY 2007, que, apesar de fermentado e amadurecido em carvalho, apresentava um bom equilíbrio com as notas de frutas tropicais, na boca, boa estrutura e equilíbrio no que diz respeito à acidez e álcool. Apesar da MALBEC ser a principal uva da Argentina, eu gostei mais do Reserva CABERNET SAUVIGNON 2005, que apresentava uma melhor elegância e complexidade no nariz e, na boca, tinha mais equilíbrio na sua estrutura e no final de boca era mais persistente e sedoso. Para finalizar a degustação foi servido o Afincado MALBEC 2005: belo vinho, de coloração vermelho púrpura, aromas de frutas maduras, menta, baunilha. Na boca tinha ótima estrutura, taninos ainda presentes e fundos de boca persistente, é um vinho de guarda, precisa de mais cinco anos para apresentar-se no seu apogeu.
Finalizando a semana de destaques fui a uma degustação no hotel Sofitel, organizada pelo supermercado Zona Sul, que tem a consultoria técnica do mestre e amigo Danio Braga, sem dúvida, um dos melhores conhecedores de vinhos do país. Graças a ele, hoje nós temos uma associação. Isso mesmo, o mestre fundou uma associação de sommeliers no ano de 1983 em pleno Rio de Janeiro.
Foi uma degustação exclusiva de vinhos produzidos no velho mundo, como França, Itália, Portugal e Espanha, além de vários espumantes produzidos na América do Sul e na Europa.
De centenas de vinhos que provei destaco os seguintes: entre os espumantes, os que mais me impressionaram foram o Dignus, este marca exclusiva do supermercado, produzido no sul do Brasil com o apoio técnico do sommelier Danio Braga; o outro foi o Crémant de Limoux Brut, produzido em Limoux, região de Languedoc Roussillon, sul da França.
Nos brancos, o grande destaque foi o francês Chablis premieur cru 2006 Marie André. Os tintos Chateau Girabelle 2005, Chateau Mandourelle 2005, Altair do Chateau Saint-Esteve 2004, ambos produzidos em Corbières, na região de Languedoc Roussillon foram os grandes destaques dessa região. O Bourgogne 2006 Marie André e o Bordeaux La Dame de Montrose 2004 foram outros franceses que gostei muito. Na Itália o rosso Veronese Regolo igt 2000 e toscano Pulerraia 2006 foram os destaques.
Saudações vínicas!!! |