"É no diálogo que encontramos soluções"

Redação SRZD | Rio+ | 28/07/2008 14h14

 

 

A onda de violência e criminalidade na cidade do Rio cresce e cada vez assusta mais os moradores. Já acostumada a abrir o jornal e se deparar com inúmeros casos de pessoas mortas pelo tráfico, ou até pela própria polícia, a população se vê em meio a um campo de batalha, no qual o mediador - o estado - parece se omitir. É seguindo esse pensamento que o movimento Rio de Paz, liderado pelo teólogo Antônio Carlos Costa, firmou parceria com a Secretaria de Segurança Pública para promover encontros periódicos de debate sobre a garantia de vida do cidadão.

 

O fórum, ainda sem nome, reunirá especialistas em segurança de diferentes pontos de vista. Costa afirma, em entrevista ao jornal "O Globo", que dessa forma o debate será enriquecido e a busca por soluções renderá mais. "Posso dizer que sentarão à mesa pesquisadores de excelência acadêmica. Estamos convidando pessoas que certamente vão aceitar, mas cujos nomes, infelizmente, ainda não posso divulgar", conta Costa e ressalta, "é no diálogo que encontramos as soluções".

 

A parceria entre sociedade civil e poder público soa, muitas vezes, ineficaz aos ouvidos dos mais críticos. Mas, segundo Costa, o apoio ao governo fortalece ações de combate à violência. "Discordar das diretrizes da política de segurança do estado não significa que não devemos apoiar o governo pelo simples fato de ser esse o nosso governo", defende o teólogo.

 

Márcio Victer, integrante do movimento Rio de Paz desde que o mesmo foi fundado - em 2007 -, acredita que a iniciativa é vital para a sociedade. "Estou envolvido no movimento porque não quero que o infortúnio bata na minha porta para só então fazê-lo. Trata-se, literalmente, de uma questão de vida ou morte", declara.

"Acredito na mobilização e na seriedade dos objetivos e das práticas em andamento. Acredito ser ainda possível dar um basta a esse estado de coisas", afirma.

 

Não só discussões serão promovidas pelo Rio de Paz. Será feito também um acompanhamento do número de mortes. "Nossa intenção é acompanhar o andamento da segurança pública, metas, cronogramas, para ver se está havendo evolução ou não", diz Costa.

 

O presidente do movimento ainda faz um questionamento: "afirma-se que o que se está fazendo é uma política de confronto, mas será que isso está fazendo cair o número de homicídios?".

 

O Rio de Paz é responsável por atos como a passeata contra a morte do menino Ramón e do jovem Daniel Duque - ambos vítimas da violência policial -, e pelas cruzes e flores colocadas na praia de Copacabana em 2007, lembrando os milhares de assassinatos decorrentes da violência na cidade.

 

O trabalho do movimento foi iniciado em janeiro de 2007, logo após a onda de atentados que varreu a cidade do Rio de Janeiro, no final do ano de 2006. Nessa ocasião, dezenove pessoas foram mortas, sendo oito delas queimadas vivas em um ônibus interestadual.

Comentários (1)

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