Saiba como aproveitar os cortes no IPI que reaquecem o mercado

Victor Rocha | Economia | 06/12/2011 16h48

Foto: DivulgaçãoEm um cenário de recuo econômico global (diante da crise financeira na Europa), o governo brasileiro anunciou, no dia 4 deste mês, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Isso confere uma queda no custo das empresas, o que se reflete no valor do produto para o consumidor comum. Mas é bom estar por dentro já que a medida é por tempo limitado e alguns modelos já estão em falta nas grandes lojas do mercado. A redução do imposto deve durar até março.

O SRZD foi atrás de especialistas para explicar o que muda para as compras desse fim de ano e alertar o leitor dos perigos que a medida pode trazer. Ficou claro que o corte de impostos causa uma diminuição direta nos gastos do consumidor, porém não deve haver afobação. A redução de preços tem que ser aproveitada de forma consciente.

Mercado da linha branca já está aquecendo

Em entrevista ao SRZD, o diretor institucional da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (ALSHOP), Luís Augusto Defonso afirmou que, apesar das vendas não terem demonstrado mudanças no primeiro final de semana, no segundo já se pode observar um aumento significativo nas compras de produtos da chamada linha branca (como geladeiras, fogões e máquinas de lavar), sobretudo nas maiores empresas de varejo.

"Os preços abaixaram imediatamente, mas o consumidor ainda estava em uma fase de pesquisa, comparando preços. A partir de agora a medida já está dando bons resultados", explica. Segundo ele, o consumidor deve estar alerta, já que o momento traz oportunidades de negócio realmente interessantes. "Alguns produtos, como geladeiras, por exemplo, caíram quase 200 reais, o que já é bastante coisa".

Também em entrevista ao site, o Consultor Tributário e sócio da Macro Auditoria, Leandro Cossalter, reforçou as boas oportunidades de compra, lembrando que diversas lojas estão aliando promoções próprias ao corte do IPI.

Para Leandro, as compras devem aumentar ainda mais. "Nesse tipo de coisa o consumidor fica atento. Ele já saiu e foi averiguar. A mídia lança a informação, o público vai às lojas para ter uma noção dos efeitos e espera um tempo para ver se o preço vai abaixar mais. Por isso ainda não houve um grande impacto. Até agora o que a gente observa é uma visita grande do público nas lojas para avaliar se as mudanças realmente ocorreram, mas pouca variação no consumo", explica.

Foto: DivulgaçãoO consultor acredita que a queda dos preços já chegou ao limite, porém as empresas podem encontrar outro tipo de estímulo. "A indústria estava ansiosa por isso. O momento para a redução é ótimo. A partir disso pode haver uma prorrogação da medida por pressão das empresas, mas não uma diminuição maior dos preços."

Leandro explicou ainda que o benefício gerado pelos cortes em prazo determinado recai para todos os envolvidos. "A redução do IPI dá um incremento direto para a empresa, já que vende mais sem ter que repassar impostos. Para o público é uma diminuição de gastos, uma melhora evidente. Enquanto isso, o governo perde parte da receita que seria dos impostos, mas por outro lado ganha um retorno a partir da maior circulação financeira", comenta.

Além disso, como explicou Luís Augusto Defonso, o Estado aposta reformar uma cultura de consumo, que estaria enfraquecida pela desaceleração da economia. O diretor da ALSHOP reforçou a importância de que o consumidor deve aproveitar o momento de forma consciente, verificando as oportunidades e adequando ao seu orçamento familiar. Caso valha a pena, se possível, é melhor comprar a vista."O brasileiro tem essa cultura de fazer dívida, então muita gente pode cair nessa", alerta.

Entenda o que muda

Com os cortes, o Imposto Sobre Industrializados foi de 20% para 10% na máquina de lavar e de 15% para 5% na geladeira. Já fogões (4%) e tanquinhos (5%) tiveram o imposto completamente retirado. Os cortes valem para as compras feitas até o dia 31 de março de 2012. Sem os impostos, o governo deixa de arrecadas R$ 164 milhões no período.

Além disso, visando estimular a venda de veículos, o governo atuou sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cortando 0,5% do valor cobrado às montadoras, que agora têm 2,5% do valor dos produtos em impostos.

Diversas lojas de varejo lançaram campanhas para informar sobre os descontos de até 20%. Faixas e cartazes evidenciam os novos preços ao consumidor. Lojas virtuais também se animaram, e promoções somadas à redução do IPI foram anunciadas.

Esperando um fim de ano menos aquecido, o setor da linha branca foi pego de surpresa pela medida. Com o reaquecimento das vendas, o setor corre atrás para recompor estoques.

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