Em 20/Nov/08 06:11:38

Heróis anônimos do carnaval

Foto: Marcelo O´Reilly/DivulgaçãoNo último sábado dei uma passada na festa que comemorava os dezoito anos do projeto "Escola de Mestre-sala, Porta-bandeira e Porta-Estandarte", coordenado pelo Manoel Dionísio. Infelizmente não pude ficar muito tempo, mas nos poucos minutos em que estive presente pude me emocionar com a apresentação dos alunos.
 
Não daqueles mais experientes, quase prontos para assumir um posto numa escola de samba. Quem tocou meu coração foram os que ainda vão demorar ou nunca chegarão lá. Meu sorriso apareceu com as crianças e os que têm alguma dificuldade extra devido a problemas físicos ou mentais. O amor e a alegria demonstrados por eles nos dão uma verdadeira lição de vida.

Fiquei imaginando o tamanho da importância de um projeto como este para a vida destas pessoas, para a sociedade e para o carnaval. E aí é que entra a questão mais importante. Não dá para entender como este projeto, após dezoito anos, ainda não conta com patrocínio, apoio governamental ou das escolas de samba. Além do trabalho social junto às pessoas carentes ele perpetua a cultura do samba criando futuros profissionais. O próprio mundo do samba deveria subsidiar o projeto, pois é lá que muitas agremiações vão buscar seus casais.

Só ali, vendo o sorriso, o bailar e o gingado daqueles crianças, pude entender o que leva uma pessoa a seguir adiante apesar de todas as dificuldades: o amor e a satisfação pessoal por fazer o bem. Como pouca gente faz algo na vida sem visar benefícios financeiros, cheguei à conclusão de que Manoel Dionísio é um herói.

O tão badalado "profissionalismo" do carnaval evidencia sua precariedade ao expor este tipo de ferida. Nossa festa só vai adiante devido ao amor de alguns heróis. Heróis como Mirinha, antigo ritmista da São Clemente, que deixava sua casa toda terça-feira para ensinar, de graça, sua arte aos novatos. Na última semana Mirinha foi atropelado na Presidente Vargas e morreu anônimo.  

Sua memória se eternizará no toque de caixas, repiques e surdos dos novos ritmistas que a escola está criando em seu projeto "Samba Total". Assim como o nome de Manoel Dionísio ficará para sempre na história dos "pares" de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Até que, um dia, as pessoas percebam que eles são fundamentais para o ?espetáculo? que gera milhões para alguns "espertos" que nem sabem que tais heróis existem.



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