Heróis anônimos do carnaval
Eugênio Leal | Eugênio Leal | 23/07/2008 12:51
No último sábado dei uma passada na festa que comemorava os dezoito anos do projeto "Escola de Mestre-sala, Porta-bandeira e Porta-Estandarte", coordenado pelo Manoel Dionísio. Infelizmente não pude ficar muito tempo, mas nos poucos minutos em que estive presente pude me emocionar com a apresentação dos alunos.
Não daqueles mais experientes, quase prontos para assumir um posto numa escola de samba. Quem tocou meu coração foram os que ainda vão demorar ou nunca chegarão lá. Meu sorriso apareceu com as crianças e os que têm alguma dificuldade extra devido a problemas físicos ou mentais. O amor e a alegria demonstrados por eles nos dão uma verdadeira lição de vida.
Fiquei imaginando o tamanho da importância de um projeto como este para a vida destas pessoas, para a sociedade e para o carnaval. E aí é que entra a questão mais importante. Não dá para entender como este projeto, após dezoito anos, ainda não conta com patrocínio, apoio governamental ou das escolas de samba. Além do trabalho social junto às pessoas carentes ele perpetua a cultura do samba criando futuros profissionais. O próprio mundo do samba deveria subsidiar o projeto, pois é lá que muitas agremiações vão buscar seus casais.
Só ali, vendo o sorriso, o bailar e o gingado daqueles crianças, pude entender o que leva uma pessoa a seguir adiante apesar de todas as dificuldades: o amor e a satisfação pessoal por fazer o bem. Como pouca gente faz algo na vida sem visar benefícios financeiros, cheguei à conclusão de que Manoel Dionísio é um herói.
O tão badalado "profissionalismo" do carnaval evidencia sua precariedade ao expor este tipo de ferida. Nossa festa só vai adiante devido ao amor de alguns heróis. Heróis como Mirinha, antigo ritmista da São Clemente, que deixava sua casa toda terça-feira para ensinar, de graça, sua arte aos novatos. Na última semana Mirinha foi atropelado na Presidente Vargas e morreu anônimo.
Sua memória se eternizará no toque de caixas, repiques e surdos dos novos ritmistas que a escola está criando em seu projeto "Samba Total". Assim como o nome de Manoel Dionísio ficará para sempre na história dos "pares" de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Até que, um dia, as pessoas percebam que eles são fundamentais para o ?espetáculo? que gera milhões para alguns "espertos" que nem sabem que tais heróis existem.

Postado por:Penelope | 26/07/2008 00:08:17
kkkkkkkkk Julianna, com certeza não eram sambistas , malandro não dá esse mole!!!!!!!!!!!!
Postado por:Julianna | 25/07/2008 18:55:50
Meus heróis morreram de overdose.

Postado por:GLORIOSO | 24/07/2008 11:08:50
Parabéns ao Eugênio Leal,pelo texto a altura do homenageado e parabéns ao Donga por mais um comentário pertinente,meus pais sempre me ensinaram,assim como ensinei a meu filho as mesmas coisas e graças a Deus,também fomos muito bem sucedidos,mantendo a distância entre o samba e as coisas importantes da vida.

Postado por:Penelope | 24/07/2008 09:34:16
Poxa Mirinha, vai com deus meu querido.... felizmente alguém conseguiu descrever meu sentimento em relação ao carnaval de que tanto tenho comentado , esses personagens que trabalham pela festa , na verdade são explorados, pois deles são exigidos dedicação e amor incondicional a escola e o retorno é decepcionante, somente a Beija Flor tem um comportamento digno com seus componentes , carinho e atenção , por exemplo , nos ensaios de alas coreografadas, a escola disponibiliza ônibus para todos os seus componentes , sabendo-se que termina tarde e é no meio da semana e são trabalhadores , este é um dos pequenos atos que esta escola pratica em respeito a sua comunidade e seus convidados anônimos o resto é oba oba , manda quem aparenta ter dinheiro , ou quem tem ou traz algum beneficio de mídia para a escola. Complementando o comentário abaixo , escola de samba não é profissão e tem que ser tratado assim, o folião precisa ter sua formação, sua profissão e os que se dedicam realmente a escola tem que ter lugar cativo e de destaque na mesma. Você é um destes heróis anônimos Eugênio, dado ao fato que se se dedica ao samba com amor. Parabéns admiro muito seu trabalho como um todo.

Postado por:Débora | 24/07/2008 00:39:45
A D O R E I!!! muito importante isso q vc fala. E o nosso amigo donga tb. Estão confundindo escola de samba com profissão! Essa galerinha tem q estudar sim e tem q se formar sim! Tem q ter uma profissão e emprego garantido, a escola de samba, o carnaval, tem q ser por prazer, e, se por acaso, vier algum lucro com isso beleza, mas do contrário não.

Postado por:donga | 24/07/2008 00:10:45
Meu pai me ensinou desde cedo a nunca depender do samba pra nada, dizia ele: "Meu filho se vc gosta de pescar, vá pescar, se gosta de futebol, vai jogar sua pelada, enfim qualquer coisa... Mas se ainda sim é do samba que você gosta, nunca dependa disso pra nada, vá lá tocar, cantar, bebê sua cerveja mas como Hobby, infeliz daquele que depende do samba pra alguma coisa, se forme e não se permita se tornar uma miserável patético desfilando em baterias de ES". Ao ouvir isso de meu pai fiquei 03 anos sem pôr os pés numa quadra, estudando e estudando e hoje sou formado e Funcionário Público concursado. Nada contra os profissas, que continuem ganhando seus 'dinheiros', mas feliz daquele que entra numa qudra de samba com seu dinheiro, pagando sua própria cerveja. Muitos já morreram anônimos e muitos morrerão , a caso de sambistas enterrados como indigentes... Se até o Ismael Silva foi barrado num desfile de ES. Não precisa falar mais nada. Que fique o exemplo para os mais jovens, vivam suas vidas, estudem e criem condições de curtirem o samba sem dele depender pra nada. Não há nada mais injusto e ingrato do que o Mundo do samba. Nelson Sargento recentemete desabafou dizendo que estava cansado de homenagens, placas e estatuetas, visto que nada daquilo pagava suas contas. Mas infelizmente se vê muitos garotos entorpecidos pela ilusão do carnaval, perdendo dia de trabalho, matando aulas pra ir a ensaios.... Pensem no futuro por favor e tenham diginidade como Homens ! É triste ver ritmistas tocando em baterias por prato de comida, ou uma latinha sem-vergonha de cerveja, quando deveriam estar tocando por hobby ou prazer. Obrigado meu pai pelo exculacho na hora certa !!!!!
Postado por:Norma | 23/07/2008 23:05:43
Meu gato, meu ídolo, meu comentarista preferido. Lamentavelmente você não deu uma passada na grande final de samba da Asociação das Escolas de Samba no domingo. O samba campeão é lindíssimo e será o hino da AESCRJ. Nascido e criado no Engenho de Dentro, até o título é bonito. Moinho de Vento. Autores: Carlinhos Maciel e Marcelo Poesia.beijos........................... .........
Postado por:RENATO GOMES | 23/07/2008 16:17:57
AMIGO EUGENIO ,PARTIU DE MIM O MEU MESTRE MIRINHA,POUCOS SABEM DECIFRAR ELE ,POIS NENHUM INSTRUMENTO SAIRA MAS AQUELE SOM TÃO MARAVILHOSO. OBRIGADO POR ESSE SITE LEMBRAR DESSES ANONIMOS E TALENTOSOS ARTISTAS.
Postado por:Thais Costa | 23/07/2008 15:13:54
Perfeito o texto! Manoel Dionisio é um herói mesmo... e merece todas as glórias por seu trabalho, pena que não tenha isso reconhecido como deveria, atraves de investimento em seu projeto que é maravilhos!!
Postado por:Pedro Rosa | 23/07/2008 15:03:20
Leiam o texto do Eugênio denovo. Tomara que o coração da nossa festa seja forte e resista, Eugênio. O futuro está na mao da criançada. Salve!!!

Postado por:Claudio Kraisk | 23/07/2008 14:08:03
Parabéns pelo belissimo texto, simples e gostoso de ler uma história real e recheada do verdadeiro amor ao samba e ao carnaval.

Postado por:julinho di ojuara | 23/07/2008 13:22:05
É isso aí, Eugênio, e a lista de anonimos é muito extensa, o Mirinha tinha em seu coração a mais pura batida do samba, O Manoel Dionísio seuqer é reconhecido pela maioria dos dirigentes de escolas de samba. O mundodas escolas de samba é um mundo a parte, porém dividido entre os que fazem a festa e os que fazem festa com ela. Mirinha meu irmão, eu e meus filhos jamias te esqueceremos, fica em meu peito a batida de um surdo de 2ª , toda a vez que lembrar de ti. descanse em Paz.







Vai começar tudo de novo












