"Cavaleiro das Trevas" tem atuação perturbadora de Ledger
Letícia Simões | Cinema | 20/07/2008 21:21

Batman é o super-herói mais sombrio, senão do universo da história de quadrinhos, pelo menos da DC Comics. Afinal de contas, Bruce Wayne não tem super-poderes, e não deseja ser um herói - tudo o que ele quer é livrar Gotham City dos criminosos para vingar a morte dos pais e poder, finalmente, levar uma vida normal de milionário com Rachel, sua amiga de infância. Mas o dever sempre fala mais alto.
Nesse "Cavaleiro das Trevas", o segundo da franquia dirigido por Christopher Nolan (o primeiro foi "Batman Begins"), o caráter devastador e sombrio de Gotham é explorado em seu limite. Nolan, em seus filmes "Amnésia" e "Insônia", preocupou-se em investigar a loucura humana - o que faz um homem descer dos céus da civilidade para o inferno do caos interior? Aqui, seu estudo dirige-se diretamente para a figura do Coringa e a do promotor de Gotham, Harvey Dent (Aaron Eckhart).
Coringa - magistralmente interpretado por Heath Ledger - acredita apenas e tão somente na violação de todas as regras, um niilista absoluto. Apenas quando toda a cidade estiver ardendo em chamas, os moradores irão agir de acordo com seus verdadeiros instintos. O objetivo deste Coringa não é dinheiro ou fama, mas o sadismo e a violência. Para seu plano se concretizar, ele precisa de Batman - e esse é o cerne principal do filme: até onde o íntegro cavaleiro das trevas deixará a destruição chegar para que ele não caia em tentação?
Este é o último trabalho de Ledger, e apesar de todos os atores funcionarem muito bem (especialmente Maggie Gyllenhaal, que substituiu a insossa Katie Holmes), o filme é dele. O ator - morto por overdose acidental de remédios -, fez um refinado trabalho de composição para o Coringa - inclusive, seguiu o conselho de Marlon Brando, que dizia ser a voz um dos importantes objetos para montar um personagem. A voz do Coringa é doentia, agoniante - sufocante.
Jack Nicholson reinou absoluto até agora como o Coringa de Tim Burton e ficou irado ao descobrir que Nolan não o tinha convidado para reinterpretar o papel, soltando farpas como "esse garoto nunca irá conseguir me superar". O ator australiano não o superou - ele simplesmente seguiu em uma direção completamente diferente do filme de 1989.
Enquanto Nicholson era irônico, sagaz e megalomaníaco, o Coringa de Ledger e Nolan é devastador e cruel - ele planeja cada passo contra Gothan, Batman e Harvey Dent cuidadosamente e nos pega de surpresa a cada virada de cena. Esse Coringa não acredita em regras nem em esperança, mas que todas as ações, inevitavelmente, levarão à implosão, ao supremo caos.
Ao sair do filme, além de se impressionar com as surreais explosões e batidas - o embate entre o caminhão do Coringa e a moto de Batman, presente no trailer, já transformou-se em clássico -, e a pessimista e agoniante, porém firme e surpreendente direção de Nolan, é inevitável pensar no que Heath Ledger poderia ainda fazer pelo cinema hollywoodiano - este seria apenas o começo.
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Postado por:AUREA | 27/07/2008 01:50:13
Concordo com o Samuel em parte, realmente ve-se que todos os atores de Batmam se esforçaram , e que o diretor conseguiu arrancar o melhor dos atores,porém, é inquestionável a superioridade da atuação do ator Heath Ledger.A crítica especializada é quase unamine ao analizar o trabalho quase sobre-natural do ator, foi uma entrega total de um ator à um personagem.Penso que :se o longa se chamasse Coringa -o filme não me surpreenderia ,pois, o "Joker" roubou todas as cenas em que apareceu,ele ofuscou o Batmam.
Postado por:Samuel Moraes | 20/07/2008 22:21:16
Diziam os blogs que este filme deveria se chamar "Coringa, o filme". Discordo. O filme é completo. E o todos fazem seu papel com louvou. Porém sou a favor de um oscar póstumo para Ledger.

























